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Foi exatamente no dia 31 de janeiro de 1986 que a Rede Globo exibiu o último episódio de uma das séries mais clássicas da TV brasileira em todos os tempos, o Sítio do Picapau Amarelo. Baseado na obra de mesmo nome do escritor Monteiro Lobato, o Sítio estreou no canal em 1977, mas já havia inspirado programas desde os anos 50 em canais como a extinta TV Tupi, e depois na TV Cultura e Bandeirantes.

Mas foi o Sítio da Globo que realmente marcou toda uma geração e que formou seu elenco mais lendário, com um elenco composto por Zilka Salaberry (Dona Benta), Dirce Migliaccio e Reny de Oliveira (Emília), Jacyra Sampaio (Tia Nastácia), Rosana Garcia (Narizinho), entre outros. Com o fim do Sítio Clássico em 1986, a Rede Globo só voltou a produzi-lo novamente em 2001, com tudo novo. Essa fase é cultuada até hoje, com fãs fazendo diversas campanhas pela reprise dos episódios no Canal Viva e também lançamento da série em DVD.

Narizinho, quem diria, chegou ao mundos dos DVDs. O lendário quadro do programa “Sítio do Picapau Amarelo” exibido no ano de 1982 pela Globo, “Reinações de Narizinho” chega finalmente às lojas para fazer companhia aos já conhecidos “Memórias de Emília” e “O Minotauro”.

Espécie de novelinha infanto-juvenil, “Reinações de Narizinho” conta as aventuras da protagonista no Reino das Águas Claras para desfazer o feitiço que fez com que Emília voltasse a ser apenas uma boneca de pano. Com uma trama super bem escrita e produzida, “Reinações de Narizinho” conta ainda com o elenco mais famoso do “Sítio do Picapau Amarelo” em grandes atuações. Um clássico legítimo!

Catarina Abdala, nossa eterna Cuca

Nascida em Nilópolis, no dia 13 de julho de 1959, a atriz Catarina Abdala iniciou sua carreira na televisão com a pesada roupa da Cuca (1981-1986) do “Sítio do Picapau Amarelo” (Rede Globo), onde também fazia a voz da personagem.

Mas foi com Ronalda Cristina, a melhor amiga de Zelda Scott (Andréa Beltrão), que ela ganhou fama no seriado “Armação Ilimitada” (1985). Ronalda era avançada para seu tempo e chegou a fazer um ‘topless’ ao lado de Zelda.

Nas novelas Catarina ficou famosa com a lésbica Vieira de “A Indomada” (de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares – Rede Globo) que ia todas as noites “fazer a contabilidade” do bordeu (Centro Noturno de Lazer) de Zenilda (Renata Sorrah). Seu último trabalho na TV foi como Margareth de “Chamas da Vida” (Rede Record – 2008).

Este é o ano de Catarina nos cinemas. Primeiro ocorreu o reencontro entre ela e Andréa Beltrão no filme “Salve Geral”, representante brasileiro para o Oscar 2010. Catarina interpreta a agente penitenciária que revista Lucia (personagem de Andréa), quando ela vai visitar o filho na prisão.

Catarina também está no elenco de “Elvis & Madona”, um dos destaques do Festival MixBrasil deste ano. O longa-metragem de Marcelo Laffite conta a história de amor entre um travesti e uma lésbica. No elenco destacam-se ainda Simone Spoladore e Maitê Proença.

Priscila durante uma participação recente no "Vídeo Show" - Foto: Reprodução Orkut / Arquivo Pessoal

Hoje é o aniversário de uma das mais talentosas atrizes brasileiras, a carioca Mônica Rossi. A profissional é mais conhecida por ter feito durante quatro anos a voz da cachorra Priscila, a protagonista do programa infantil “TV Colosso”. A atração da Rede Globo voltou a ganhar destaque na mídia com o lançamento de três DVDs pela Som Livre.

Na TV Globo, Mônica também foi à voz da energia do bem de “Bambuluá”, fez as falas da Cuca na nova versão do “Sitio do Picapau Amarelo”, a voz de Nossa Senhora em “A Padroeira” e faz a dublagem de diversas personagens femininas do “Casseta e Planeta Urgente”.

Como dubladora fez muitos desenhos animados importantes e personagens marcantes como a Anastácia (protagonista do desenho homônimo), cigana Esmeralda (“O corcunda de Notredame”), Daphne (“O Pequeno Scooby-Doo”), Diana (“Caverna do Dragão”) e Callisto (“X-Men: Evolution”).

A atriz Mônica Rossi - Foto: Reprodução Orkut / Arquivo Pessoal

Mônica marcou ainda uma geração inteira de fãs de “Star Wars” como a sensual voz da Princesa Leia Organa de “Guerra nas Estrelas”. Também é sua a versão brasileira da atriz Teri Hatcher em séries como “Desesperate Housewives” e “As aventuras de Superman”, Falando em seriado, a atriz também interpreta em nosso idioma Christine (“The New Adventures of Old Christine”) e a advogada Ally McBeal.

Mas foi com duas personagens vindas das histórias em quadrinhos que Mônica realmente se aproximou novamente do público que cresceu acompanhando as aventuras da Priscila e da Cuca. É dela a voz de Lois Lane (“Liga da Justiça”, “Liga da Justiça Sem Limites” e “A Morte do Superman”) e da Harlequina em “Birds of Prey – Aves de Rapina”.

Sem dúvida uma excelente profissional que merece muitos votos de felicidades.

Zodja (como Emília) e o elenco do "Sítio" reunido na Band

Quem não ficou alguma vez na vida encantado com uma das história de Monteiro Lobato? O mestre da literatura brasileira criou o “Sítio do Picapau Amarelo”, que ganhou fama graças à televisão, onde teve quatro atrizes vivendo a boneca de pano Emília durante sua “temporada clássica” entre 1952 e 1982.

Foram elas Lúcia Lambertini (TV Tupi e TV Cultura), Zodja Pereira (Bandeirantes), Dirce Migliaccio (Globo) e Reny de Oliveira (Globo). Destas quatro grandes atrizes Lúcia e Dirce já faleceram e Reny mora nos Estados Unidos e não dá entrevistas sobre a sua participação no “Sítio”. Desta forma, por onde anda Zodja?

A atriz continua na ativa e trabalhando em São Paulo. Depois de abandonar o “Sítio”, Zodja fez diversas novelas como “Heidi” (Bandeirantes), “Ídolo de Pano” (Tupi), “Um Dia, o Amor” (Tupi), “Vidas Marcadas” (Record) e “Uma esperança no ar” (SBT). Até deixar a televisão para se dedicar a dublagem, onde fez a voz de personagens marcantes como Benikiba (“Jiraiya”), Sazorian (“Goggle Five”) e Lady M. (“Machineman”).

Zodja Pereira se encontra com a autora Tatiana Belinky 40 anos depois do "Sítio"

Atualmente Zodja Pereira continua dublando (fez recentemente o filme “30 Dias de Noite” e “Farenheit 9/11”) e é diretora artística do estúdio DuBrasil (de “Os Cavaleiros do Zodíaco: Saga Inferno”), onde também é professora de dublagem.

Agora Zodja também mostra seu talento como escritora no livro “Antologia de Poesias e Poemas“, lançamento da Madio Editorial. A coletanea trás trabalhos da atriz e de mais 17 autores. O lançamento oficial ocorre neste sábado, dia 24 de outubro, das 17h às 20h na Livraria da Vila (Alameda Lorena, 1731 – Jardins / SP) uma excelente oportunidade de rever esta grande artista brasileira.

Zodja com seus alunos da escola de dublagem DuBrasil em São Paulo

Confira abaixo uma entrevista com nossa eterna boneca de pano.

Você foi uma das “Emilias” do “Sitio do Pica Pau Amarelo”. Como foi esta fase de sua carreira lidando com um público infanto-juvenil?
Fazer a Emilia foi uma experiência muito rica tanto como atriz quanto como pessoa. Trabalhar sob a direção de Julio Gouvea, com textos de Tatiana Belinky é, além de uma honra, uma grande escola. Fica muito fácil lidar com o publico infanto-juvenil quando o trabalho que se faz o respeita. Essa era a grande marca do “Sitio do Picapau Amarelo”, produzido por Julio Gouvea, em São Paulo.

Sua carreira na TV continuou com novelas como “Uma Esperança no Ar”. Porque deixou a televisão?
É verdade. Atuei como atriz nas TVs Record, Bandeirantes, Excesior, Tupi, Cultura e SBT, em São Paulo. Em determinado momento as produções se transferiram para o Rio de Janeiro e como não quis mudar de cidade, busquei outras alternativas profissionais.

Como era fazer TV nesta época? E paralelamente como funcionava a dublagem?
Nessa época fazer TV exigia de toda a equipe criatividade, flexibilidade, agilidade e muito talento, pois enfrentávamos desafios de vários níveis e, de modo geral, conseguíamos excelentes resultados. A dublagem, por outro lado, vivia seu momento áureo. Não se concebia ver um filme ou série na TV sem dublagem. E, como tinha um grande volume de trabalho, os profissionais foram se especializando cada vez mais. É interessante perceber que, os que, hoje, se colocam contra a dublagem, tiveram sua infância enriquecida, fascinada pela dublagem brasileira.

Como começou sua carreira de dubladora?
Comecei a dublar em torno de 1978, quando começava a declinar a teledramaturgia em SP.

Você fez papeis marcantes como a Caroline (de “Grace”) e atrizes conhecidas como Marie Cheatham. Quais dublagens mais te marcaram?
É mais fácil lembrar quando fazemos uma série, mas, eu, na maioria das vezes, dublei longa-metragens e aí, sinceramente, não saberia destacar esse ou aquele trabalho.

Porque a senhora deu uma pausa na carreira para morar no nordeste? Como foi esta fase?
Minha ida para Natal foi algo muito especial… De repente tive filhos crescidos, resolvi morar com minha mãe e graças a Deus fui, pois 9 meses depois ela faleceu, me deixando a alegria de ter aproveitado um pouco mais da sua sabedoria e carinho. Enquanto lá estava, desenvolvi uma série de cursos de Programação Neurolinguistica, como Trainer, divulgando o Instituto PAHC, onde me formei, criando a PAHC-Nordeste.

O que fez a senhora voltar para São Paulo e para a dublagem?
A saudade e a vontade de desenvolver o Projeto DuBrasil junto com o (ator) Hermes (Baroli – filho da atriz). A DuBrasil é um estudio-escola. Estamos juntos nesse projeto, Hermes Baroli, meu filho, Sergio Moreno, meu amigo e eu. Nosso objetivo é resgatar a qualidade da dublagem brasileira. Com o novo ritmo de produção que foi imposto ao mercado ficou desafiante não apenas a renovação de elenco, mas também a reciclagem dos profissionais, tão necessária em qualquer profissão, principalmente num trabalho artístico.