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Um dos melhores livros já escritos sobre o rock nacional dos anos 80, “Dias de Luta”, do jornalista Ricardo Alexandre, será relançado neste semestre pela editora gaúcha Arquipélago Editorial. O livro se esgotou rapidamente pouco tempo depois de ser publicado, em 2002. Para a reedição, Alexandre fez diversas correções e alterações e ainda incluiu uma lista de 50 músicas representativas do período.

“Dias de Luta” abrange desde algumas experiências iniciadas ainda nos anos 70 como a banda Vímana (que reuniu no mesmo grupo Ritchie, Lulu Santos e Lobão), até a virada dos anos 90. Várias “cenas” ganham destaque, como o rock de Brasília de bandas como o Legião Urbana, o Rio de Janeiro e a geração do Circo Voador, além de, é claro, a São Paulo e seu rock intelectualizado. O livro deve chegar nas lojas agora em abril.

Vozes femininas sempre dominaram o pop/rock, e na década de 80 não faltaram grandes estrelas que arrasavam nos palcos e que provaram acima de tudo que essa coisa de “rock é coisa de macho” não passava de uma grande bobagem. A Trash 80s deste sábado celebra o pop rock desta década em sets especiais nas mãos dos nossos DJs, além dos hits eternos da festa.

Pra começar em grande estilo, temos a genial Joan Jett com “Bad Reputation”, seguida da Pat Benatar com o sucesso “Hit Me With Your Best Shot”. E pra fechar, talvez a “mãe” de todas elas, a grande Tina Turner com “Addicted To Love”. Puxa a sua guitarra imaginária aí do lado e se joga!


Ok, sobrevivemos a mais uma maratona carnavalesca no nosso sempre divertidíssimo CarnaTrash – foram cinco noites da mais pura ferveção. Mas agora já deu, e a gente quer é rock! A Trash 80s deste sábado exorciza o samba e as marchinhas que estão grudados nas nossas cabeças tocando só pop e rock dos anos 1980, tanto nacional quanto internacional, além dos hits que fazem a fama da festa.

E só de rock dos anos 80 a seleção é enorme. Tem desde o atrevido Billy Idol e seu inconfundível cabelo platinado, até os darks do The Cure, passando aí pelo rock nacional com um pouco de Barão Vermelho. Esse nosso Top Trio rock tá perfeito pra ser ouvido no volume máximo!!!




Por Wander Yukio

Os movimentos culturais surgem e ressurgem por alguma corajosa atitude ou por alguma grande obra lançada no momento oportuno.

Foi assim com a Jovem Guarda (com a dupla Roberto Carlos & Erasmo Carlos), foi assim com a Tropicália, com as apresentações de Gilberto Gil e Caetano Veloso no Festival da Música Popular Brasileira, em 1967.

E em 82, Evandro Mesquita (que atualmente é um dos atores no filme “Os Normais”) larga o seu grupo teatral (o “Asdrúbal Trouxe O Trombone”) e se une com o baterista João Luís Woenderbarg (o cantor “Lobão”) + Antônio Pedro (um baixista, que participou de uma das inúmeras formações dos “Mutantes”) + o guitarrista Ricardo Barreto (junto com a sua namorada Márcia Bulcão) + o tecladista Willian Forghieri + a bailarina Fernanda Abreu, para uma apresentação no bar Caribe (no Rio de Janeiro).

E assim nasceu a BLITZ…

No final deste mesmo ano, essa trupe assina um contrato com a gravadora EMI-Odeon e lança a música “Você Não Soube Me Amar” (um “rock de breque poético com visualização de história em quadrinhos”). Essa música tem execução maciça nas rádios de todo o Brasil e vende + de 700 mil cópias.

Com este respaldo, o LP “As Aventuras da Blitz” é lançado e ultrapassa a marca de 330 mil cópias vendidas, inaugurando a ótima fase do rock brasileiro dos anos 80 (a partir daí, o nosso país, que não viveu a fase punk inglesa “Do It Yourself”, se depara com centenas de novos grupos de rock).

Após este “estouro”, o cantor Lobão deixa o grupo. No seu lugar entra o baterista Juba, completando a formação que vingou nos dois próximos LPs “Radioatividade” (com o sucesso “A 2 Passos do Paraíso”) e “Blitz 3” (com o sucesso “Egotrip”).

A concepção visual e gráfica dos seus LPs são um destaque a parte, já que incluíam capa dupla interna, pôster e inúmeras fotos dos integrantes da banda. Com esta experiência editorial, lançaram também um álbum de figurinhas da banda.

Suas outras realizações são um compacto com as faixas censuradas do 1º LP (“Cruel, Cruel Esquizofrenético Blues” e “Ela Quer Morar Comigo na Lua”), um especial para a TV Globo (“Blitz Contra o Gênio do Mal”) e a participação especial no 2º programa infanto-juvenil “Pluct, Plact Zum”, com a abusada música “A verdadeira História de Adão e Eva”.

Suas apresentações ao vivo são cheias de efeitos cenográficos (na época era comum se apresentarem no “Circo Voador” e no “Canecão”, no Rio de Janeiro e no “Palácio das Convenções do Anhembi”, no “Palace” e no “Projeto SP” em lona de circo, em São Paulo, sempre com lotação esgotada).

Em janeiro de 85, participaram do 1º Rock In Rio e em junho, se apresentaram no Festival da Juventude, em Moscou. Voltando ao Brasil, o grupo torna-se protagonista da campanha publicitária para o aumento de consumo do café brasileiro, nas principais emissoras de TVs.

Em março de 86, a vocalista Márcia e o guitarrista Ricardo abandonam o grupo. Logo em seguida, os outros integrantes encerram as atividades e apagam a “faísca inicial do Rock Brasileiro dos anos 80” (a Blitz até que foi “reagrupado” mais algumas vezes nos anos 90, numa espécie de “volta-caça-niquel”, mas sem nenhum novo sucesso a ser gravado).

A única da banda que retornou em carreira-solo com sucesso foi a cantora Fernanda Abreu, mas neste caso, já estamos nos início dos anos 90.
E na nossa memória permanece trechos da música “Weekend” (além de todos os outros inúmeros sucessos).

“BLITZ documentos? Só temos instrumentos…”