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Por Roberta Ribeiro para Trash 80´s

Numa época em que computadores eram raríssimos até mesmo em grandes empresas e em que a Internet parecia uma idéia de filmes de ficção científica, a forma de se conseguir informações sobre o que acontecia no país e no mundo era dando mais atenção aos meios de comunicação.

Para os jovens que viveram os anos 80, no entanto, não era nada fácil ler, ver e ouvir algo que interessasse para a faixa etária a que pertenciam. Se no resto do mundo era complicado, no Brasil não era nada melhor.

A televisão não tinha a segmentação por idade. Os programas eram pensados mais para atingir um público geral, não se percebia que determinados assuntos podiam não ser o foco de determinado público. Tanto que só no fim de 1990 (em 20 de outubro, com exatidão) é que vai entrar no ar a primeira emissora com perfil segmentado de espectadores, a MTV Brasil. Que, de cara, passava uma enorme quantidade de videoclipes estrangeiros, já que nacionais havia poucos, e feitos principalmente para o dominical Fantástico, da TV Globo.

As rádios, durante o período, talvez fossem as que chegassem mais perto de falar diretamente com a parcela não-adulta e não-criança da população. Porém é preciso dizer que boa parte do que se ouvia vinha dos programas televisivos, e as novelas tinham papel decisivo no repertório tocado por FMs, que demoraram anos para serem todas estereofônicas (ter um rádio FM “estéreo”, naquele tempo, era muito chique, mais ou menos como ter um aparelho de CD no início na década de 90 ou um iPod atualmente).

Nem adiantava tentar passar perto de jornais diários. Quem os lia não tinha menos que a idade para trabalhar e ser considerado “sério”. Até os cadernos culturais, costumeiros, preferidos dos mais moços, eram calhamaços intelectuais, de difícil digestão.

O único meio que percebeu a importância de se voltar para o público jovem ainda em meados da década de 80 foram as revistas. Se a princípio eram publicadas apenas para crianças e adultos, em 1985 duas publicações vieram mudar este cenário: a Bizz e a Capricho. A Bizz, voltada para a música pop, inspirada no sucesso do Rock in Rio que ocorreu naquele ano. E a Capricho, com temática teen para garotas, seguida de perto pela Carícia.

Não por acaso, há quem jure que a geração nascida depois dos computadores vai ter muito mais que o dobro de informações que a geração que a precedeu. Resta saber se vale a pena tanta quantidade quando falta qualidade no que se recebe. Mas essa já é outra discussão!