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Quem não era nascido nos anos 80 pode até nem saber disso, mas antes de se chamar SBT, a emissora comandada pelo “patrão” Silvio Santos era um canal chamado TVS. A TVS entrou no ar em agosto de 1981, com uma programação bem parecida com a que temos hoje: novelas, programas infantis, programas de auditório, e por aí vai. O canal só mudou seu nome definitivamente para SBT no ano de 1990.

Já a saudosa Rede Manchete nasceu em junho de 1983, fundada pelo jornalista e empresário de origem ucraniana Adolpho Bloch. Cheia de programas que marcaram aquela década – e, principalmente, revelando grandes nomes como Xuxa e Angélica, que tiveram seus primeiros programas na emissora – ela ficou no ar até maio de 1999, quando virou Rede TV e mudou completamente seu foco.


Por Roberta Ribeiro para Trash 80’s

Em 1990, não havia dúvidas sobre quem tinha a supremacia das telenovelas no Brasil. A Rede Globo era a campeã absoluta de audiência, muitos pontos distante das concorrentes. Uma novela veio balançar este quadro. Era “Pantanal”, exibida pela extinta Rede Manchete e escrita por Benedito Ruy Barbosa.

A pré-produção da trama já era um tanto quanto folhetinesca. A sinopse foi apresentada à “Vênus Platinada” pelo autor, que queria uma chance no horário nobre, já que até então só escrevia novelas das seis para a emissora. A única condição de Benedito era que as locações da novela fossem feitas no Pantanal mesmo, não em um cenário que o imitasse. Ele foi enviado, então, com mais duas pessoas para lá, para tirar fotos e analisar se era possível. Depois de ter pego um período de chuvas onde só se viam terrenos alagados e mato nas fotos, a trama foi sumariamente engavetada pela Globo.

Aí, entra o diretor geral da novela, então diretor de teledramaturgia da Manchete, Jayme Monjardim. Ele propôs a Ruy Barbosa que mudasse de emissora e prometeu horário nobre e locações onde ele quisesse. Assim, “Pantanal” foi para a então rede dos Bloch.

Com imagens belíssimas dos alagados pantaneiros, uma história simples e bem construída, algumas doses de nudez e uma trilha sonora caprichada, assinada por Marcus Viana, “Pantanal” conseguiu chegar aos 40 pontos de audiência e assustar a Globo.

A história girava em torno de três gerações da família Leôncio, desde Joventino, que chegava ao Pantanal e formava um pasto com muitas cabeças de gado, passando pelo filho dele, José Leôncio, e chegando ao neto, Jove.

Destaque para o personagem de Cristiana Oliveira, em sua estréia como protagonista. Sua Juma Marruá, a mulher-onça, ganhou grande popularidade no país.

Num Brasil que saía de uma ditadura militar de quase 30 anos, conhecer um lugar paradisíaco e ainda pouco explorado pelo turismo serviu como inspiração para que muitos acreditassem mais uma vez na máxima do “país do futuro”. Não por coincidência, a questão ecológica tornou-se febre na mesma época e foi um dos pontos defendidos pelo candidato Fernando Collor de Mello em sua campanha vitoriosa à presidência.