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Por Vanessa “Pandora” Roeder.

Não tem jeito. Quando eu penso em Cultura Trash, eu penso em anos 80.
E quando eu penso em anos 80, o que eu mais lembro, além dos penteados bizarros, das roupas de lycra em cores berrantes e do gel New Wave com glitter, são as apresentadoras de programas infantis.
Na verdade, elas condensam tudo o que eu lembro dos anos 80 – afinal de contas, elas usavam os tais penteados bizarros, as roupas de lycra em cores berrantes, e sim, o maldito gel New Wave que minha mãe nunca quis me dar sabe-se lá qual o motivo.

O fato é que, tendo nascido em 1978, passei a minha infância na década que mais produziu apresentadores para este fim. É só parar pra pensar e lembrar destas celebridades:

Xuxa
Era (e ainda é) a rainha suprema e magnânima dos “baixinhos”. Gilda está para as divas cinematográficas assim como a Xuxa está para os programas infantis. Começou na TV Manchete com o Clube da Criança, mas foi com o Xou da Xuxa na Globo, que ficou realmente popular, fazendo com que surgissem uma tropa de meninas usando as “xuxinhas” no cabelo. A Xuxa era uma Barbie, a boneca preferida das meninas, vestida de uma maneira um pouco menos estrupiada que a Madonna da época (outro ícone dos 80’ s). Hoje em dia, anda meio decadente. Mas, nos áureos tempos, qual menina não queria ser a Xuxa e usar aquelas botas brancas que chegavam até na coxa? Ou queria que a mãe fizesse sua inscrição para o concurso de Paquita? Se você disser que “não” está mentindo.

Mara
Tamanho foi o sucesso da Xuxa, que o SBT tratou de arranjar uma apresentadora rapidinho. Resolveu esquecer o padrão americano para apresentadora infantil, e apostou num produto genuinamente nacional – uma morena, baiana, que gostava de chamar a criançada de “curumim”. Ela mesma cantava que era uma “índia, filha da lua e filha do sol”. A Mara Maravilha tinha o seu lado rock star. Namorava meninos das Boy Bands nacionais mais populares da época. Lembra do Marcelo do Dominó? E ela gostava de dar assunto pras revistas de fofoca. Ela posou nua para a revista Playboy e divulgou a revista no programa infantil, tapando as partes mais… errr… privadas com as pontas dos dedos.
No geral, a Mara alcançou popularidade. Mas ela sempre foi a segunda. Ela usava roupas parecidas, mas não era a Xuxa. O cenário do programa era parecido, mas não era o da loira. Acho que na verdade, passou a vida inteira tentando superar essa sina de ser “quase” a Xuxa.

Angélica
A TV Manchete sacou com muito mais rapidez que o negócio era investir em apresentadoras loiras. Por isso ela chamou a Angélica pra capitanear o Clube da Criança no lugar da Xuxa. Sendo quase uma criança na época, o programa deixou de lado o jeito “irmã mais velha” de apresentar e passou a ter um caráter mais de “turminha”. A Angélica era loira, mas não virou rainha, apesar de ter até apresentado um programa na Globo. Atua até hoje, agora em programações voltadas para adolescentes. E o que todo mundo lembra da dita? A manchinha na perna. Só não me perguntem se é na esquerda ou na direita.

Mariane
Ela era loira pra todos os efeitos. Foi estepe da Symoni no programa “Do-Ré-Mi-Fá-Sol-Lá Symoni”, Que virou “Do-Ré-Mi com Mariane”. O que aconteceu com ela? Sumiu.

Lucinha Lins
Sim, a atriz dos Saltimbancos também foi apresentadora de programa infantil – e ainda arrisco dizer que foi o programa com o melhor nome da história dos programas infantis – era o “Lupu Limpim Clapá Topo”. Com uma veia muito mais teatral que os anteriores, ela comandava o programa ao lado de Cláudio Tovar, seu marido na época. Quase ninguém lembra, mas acho que toda criança que venceu o desafio de falar o nome do programa não esquece da Lucinha.

Seja lá o fim que levaram, as apresentadoras de programas infantis marcaram história. E não, não se fazem mais apresentadoras de programas infantis como nos anos 80.