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Quem tem conta no Netflix já pode comemorar. O serviço de streaming de filmes e séries vai exibir aqui no Brasil a série “Cavaleiros do Zodíaco – The Lost Canvas”, saga paralela dos famosos personagens que desde 2009 é exibida no Japão. Por aqui, os 13 primeiros episódios estarão disponíveis já neste mês.

A trama dá uma bela volta ao passado, colocando os guerreiros no século 18, quando Tenma se torna um dos 88 cavaleiros de Atena. Ele acaba se virando contra seu melhor amigo, Alone – que é uma reencarnação de Hades. Os “Cavaleiros do Zodíaco” foram um enorme sucesso de público no Brasil quando foram lançados e até hoje cultivam fãs por todas as partes.

Certamente um dos desenhos japoneses de maior sucesso em todos os tempos, o anime Cavaleiros do Zodíaco estreou no dia 11 de outubro de 1986 no Japão. Criado por Masami Kurumada, o anime virou um sucesso tão grande que logo foi exportado para dezenas de países onde também foi muito bem sucedido. No Brasil então, virou uma febre nacional.

Quem não se lembra dos heróis Shiryu, Ikki, Shun e Seiya jovens guerreiros guiados pelas constelações, protectores da deusa da sabedoria, da paz e da guerra e que faziam de tudo para proteger Atena? No Brasil, No Brasil, a série foi exibida pela extinta Rede Manchete entre 1º de Setembro de 1994 a 12 de Setembro de 1997, e nos anos seguintes foi reprisada em diversas emissoras. E se engana quem pensa que se trata apenas de um desenho qualquer: a história conta com influências de diversos tipos de mitologia, e é possível encontrar na Internet vários sites que se dedicam a estudar melhor o enredo de cada episódio.

É claro que o sucesso do anime também rendeu dezenas de produtos, que iam de lancheiras até fantasias para festas, passando também por bonecos e brinquedos que hoje em dia são considerados ítens de colecionadores.

Em 1995, a música tema dos Cavaleiros do Zodíaco já tomava conta das rádios nacionais entre a molecada, e se tornaria um verdadeiro hino da trashers mais de uma década depois. Mas pouca gente hoje em dia se lembra de quem realmente cantava aquela música. Quando ainda era apresentado pela Manchete, o desenho teve diversas aberturas diferentes, e isso fez com que um CD chamado “Os Cavaleiros Do Zodíaco” fosse lançado, incluindo diversas faixas cantadas por vários artistas.

A música mais famosa deste CD foi interpretada pela cantora Larissa Tassi, que conseguiu até seguir uma carreira solo com o sucesso da faixa. No disco, a faixa é creditada à dupla Larissa e William, que vemos juntos aqui neste vídeo se apresentando no programa da Xuxa. Em 2004, quando a série teve um retorno à TV brasileira, Larissa foi convidada novamente a gravar a nova música tema, e até hoje ela é convidada para cantar em eventos de fãs de animes.

Lançado oficialmente em 1986, os Cavaleiros do Zodíaco se tornaram rapidamente uma grande febre entre a garotada. No Brasil então, nem se fala. O mangá japonês (que depois virou desenho animado) vai ganhar um remake e deve chegar às telas de cinema nos próximos anos. A Toei Animation, um dos maiores estúdios de animação do mundo inteiro, divulgou um trecho da produção em um evento há alguns meses e finalmente esta semana confirmou que o filme vai mesmo acontecer.

Apesar das boas notícias, pouco se sabe sobre o projeto – mas é claro, os fãs já podem comemorar pois coisa boa deve vir por aí. O filme será todo feito em computação gráfica – e deve marcar os 25 anos da série. No Brasil, Os Cavaleiros do Zodíaco começaram a ser exibidos pela extinta Rede Manchete de 1994 a 1997 e depois passou a ser reprisado no Cartoon Network e pela Band.

Zodja (como Emília) e o elenco do "Sítio" reunido na Band

Quem não ficou alguma vez na vida encantado com uma das história de Monteiro Lobato? O mestre da literatura brasileira criou o “Sítio do Picapau Amarelo”, que ganhou fama graças à televisão, onde teve quatro atrizes vivendo a boneca de pano Emília durante sua “temporada clássica” entre 1952 e 1982.

Foram elas Lúcia Lambertini (TV Tupi e TV Cultura), Zodja Pereira (Bandeirantes), Dirce Migliaccio (Globo) e Reny de Oliveira (Globo). Destas quatro grandes atrizes Lúcia e Dirce já faleceram e Reny mora nos Estados Unidos e não dá entrevistas sobre a sua participação no “Sítio”. Desta forma, por onde anda Zodja?

A atriz continua na ativa e trabalhando em São Paulo. Depois de abandonar o “Sítio”, Zodja fez diversas novelas como “Heidi” (Bandeirantes), “Ídolo de Pano” (Tupi), “Um Dia, o Amor” (Tupi), “Vidas Marcadas” (Record) e “Uma esperança no ar” (SBT). Até deixar a televisão para se dedicar a dublagem, onde fez a voz de personagens marcantes como Benikiba (“Jiraiya”), Sazorian (“Goggle Five”) e Lady M. (“Machineman”).

Zodja Pereira se encontra com a autora Tatiana Belinky 40 anos depois do "Sítio"

Atualmente Zodja Pereira continua dublando (fez recentemente o filme “30 Dias de Noite” e “Farenheit 9/11”) e é diretora artística do estúdio DuBrasil (de “Os Cavaleiros do Zodíaco: Saga Inferno”), onde também é professora de dublagem.

Agora Zodja também mostra seu talento como escritora no livro “Antologia de Poesias e Poemas“, lançamento da Madio Editorial. A coletanea trás trabalhos da atriz e de mais 17 autores. O lançamento oficial ocorre neste sábado, dia 24 de outubro, das 17h às 20h na Livraria da Vila (Alameda Lorena, 1731 – Jardins / SP) uma excelente oportunidade de rever esta grande artista brasileira.

Zodja com seus alunos da escola de dublagem DuBrasil em São Paulo

Confira abaixo uma entrevista com nossa eterna boneca de pano.

Você foi uma das “Emilias” do “Sitio do Pica Pau Amarelo”. Como foi esta fase de sua carreira lidando com um público infanto-juvenil?
Fazer a Emilia foi uma experiência muito rica tanto como atriz quanto como pessoa. Trabalhar sob a direção de Julio Gouvea, com textos de Tatiana Belinky é, além de uma honra, uma grande escola. Fica muito fácil lidar com o publico infanto-juvenil quando o trabalho que se faz o respeita. Essa era a grande marca do “Sitio do Picapau Amarelo”, produzido por Julio Gouvea, em São Paulo.

Sua carreira na TV continuou com novelas como “Uma Esperança no Ar”. Porque deixou a televisão?
É verdade. Atuei como atriz nas TVs Record, Bandeirantes, Excesior, Tupi, Cultura e SBT, em São Paulo. Em determinado momento as produções se transferiram para o Rio de Janeiro e como não quis mudar de cidade, busquei outras alternativas profissionais.

Como era fazer TV nesta época? E paralelamente como funcionava a dublagem?
Nessa época fazer TV exigia de toda a equipe criatividade, flexibilidade, agilidade e muito talento, pois enfrentávamos desafios de vários níveis e, de modo geral, conseguíamos excelentes resultados. A dublagem, por outro lado, vivia seu momento áureo. Não se concebia ver um filme ou série na TV sem dublagem. E, como tinha um grande volume de trabalho, os profissionais foram se especializando cada vez mais. É interessante perceber que, os que, hoje, se colocam contra a dublagem, tiveram sua infância enriquecida, fascinada pela dublagem brasileira.

Como começou sua carreira de dubladora?
Comecei a dublar em torno de 1978, quando começava a declinar a teledramaturgia em SP.

Você fez papeis marcantes como a Caroline (de “Grace”) e atrizes conhecidas como Marie Cheatham. Quais dublagens mais te marcaram?
É mais fácil lembrar quando fazemos uma série, mas, eu, na maioria das vezes, dublei longa-metragens e aí, sinceramente, não saberia destacar esse ou aquele trabalho.

Porque a senhora deu uma pausa na carreira para morar no nordeste? Como foi esta fase?
Minha ida para Natal foi algo muito especial… De repente tive filhos crescidos, resolvi morar com minha mãe e graças a Deus fui, pois 9 meses depois ela faleceu, me deixando a alegria de ter aproveitado um pouco mais da sua sabedoria e carinho. Enquanto lá estava, desenvolvi uma série de cursos de Programação Neurolinguistica, como Trainer, divulgando o Instituto PAHC, onde me formei, criando a PAHC-Nordeste.

O que fez a senhora voltar para São Paulo e para a dublagem?
A saudade e a vontade de desenvolver o Projeto DuBrasil junto com o (ator) Hermes (Baroli – filho da atriz). A DuBrasil é um estudio-escola. Estamos juntos nesse projeto, Hermes Baroli, meu filho, Sergio Moreno, meu amigo e eu. Nosso objetivo é resgatar a qualidade da dublagem brasileira. Com o novo ritmo de produção que foi imposto ao mercado ficou desafiante não apenas a renovação de elenco, mas também a reciclagem dos profissionais, tão necessária em qualquer profissão, principalmente num trabalho artístico.