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Trash: Como surgiu a banda?

Gabriela Alves: O guitarrista André de Abreu e a cantora Gabi Rossi há tempos queriam fazer um show com música brega. Quando eu comecei a namorar o André, nós começamos a ensaiar umas músicas, de brincadeira. Eu curti tanto que propus ao André chamar a Gabi e montarmos um show que, além das canções, tivesse encenações engraçadas, para inserir um pouco de teatro.

Ricardo Severo: Daí o André assistiu a um evento que dirigi, onde produzi toda a trilha sonora com instrumentos eletrônicos. Inclusive a Gabriela Alves participou cantando…

Gabriela Alves: Aí ele teve a idéia de misturar brega com música eletrônica. Como já havíamos decidido também chamar o Ricardo Severo, que além de meu amigo, é meu sócio em outros projetos, para tocar teclados e fazer a direção musical, foi perfeito, pois o Ricardo tem o maior know-how nisso.

Ricardo Severo: Obrigado… (risos)

Trash: O que é ser kitsch?

Gabriela Alves: Ser kitsch, pra mim, é uma mistura de irreverência, bom-humor, descomprometimento e sentimentos explícitos.

Ricardo Severo: Tudo o que é colocado fora de seu contexto original propositalmente, é kitsch. Como construir um pagode japonês no meio de uma vila africana. Ou a redundância excessiva de uma barraquinha de cachorro-quente que tem a forma de um cachorro-quente. Nessa idéia, eu insiro meu trabalho com música… o que eu mais curto quando sou chamado para produzir um trabalho musical é desvirtuar os arranjos originais de uma canção e colocá-la em um contexto absolutamente novo, irreverente e chocante.

Trash: Por que trabalhar com música kitsch?

Gabriela Alves: Pelas razões que já expliquei. Todo mundo tem um lado brega. Acredito que o sucesso da Trash 80’s tem muito a ver com isso. Aliás, a Regina Case já falava: “o amor é brega! Mas é lindo…” E sua beleza está na capacidade de nos expressarmos livremente. As letras bregas são uma prova disso. É um amor sem pudor nem vergonha de se despir. Já temos questões muito sérias na vida e o romantismo não tem tido muito espaço. Por isso, nós rimos muito fazendo o Kitsch.Net. Queremos nos divertir juntamente com o público.

Trash: Como definir o show do Kitsch.Net? Há algum trabalho que se aproxime do trabalho de vocês, alguma fonte de inspiração?

Gabriela Alves: O show é alegre! É uma homenagem a todas as expressões do amor, e dos intérpretes que se eternizaram emocionando a todos com letras simples, porém cheias de sentimentos. Não nos inspiramos em ninguém em particular. Na verdade, quisemos fazer uma coisa bem diferente da banda Vexame, que pessoalmente gosto muito. Nossa intenção foi apenas montar um show com qualidade musical e cantar essas canções de forma bem-humorada, misturando música e teatro.

Trash: Quais os grandes ícones kitsch para a banda?

Gabriela Alves: São tantos… mas acho que os inquestionáveis e inesquecíveis são Perla, Sidney Magal e Rosana.

Ricardo Severo: Não podemos esquecer dos “esquecíveis”, aqueles de quem a maioria não lembra, mas que são ótimos também, e quando a gente cita, falam: “ah, é”, ou “nossa…”: Julia Graciela, Harmony Cats e Elisângela. Temos ainda para ensaiar canções de Márcio José, Diana e Celso Ricardi.

Gabriela Alves: Das músicas, podemos citar “Domingo Feliz”, do Ângelo Máximo (que realmente é o máximo), que tem sido nosso carro-chefe.

Ricardo Severo: É impressionante como todos que já viram o Kitsch.Net se envolvem com essa música! Cantam junto, fazem as nossas coreografias…

Trash: Se a banda fosse trabalhar também com versões para sucessos cafonas dos anos 90 e 00, quem seriam as “vítimas”?

Ricardo Severo: Bom, a Rosana é quase 90, “O Amor E O Poder” é de 88. Mas não existe um brega “autêntico” depois dos anos 80, as bandas new wave e os grupos infantis já estavam quase acabando. Só se pegarmos os “sobreviventes” das boy-bands. Acho que não dá pra enquadrar Reginaldo Rossi, Mamonas Assassinas e Falcão junto com Vanusa, The Fevers e Wanderley Cardoso, por exemplo, pois os primeiros assumem que são bregas, já os outros não.
Mas temos alguns sucessos dos anos 60 também, quase todos os cantores da jovem-guarda são ótimos, principalmente a ternurinha Wanderléa… “Essa é uma prova de fogo, você vai dizer se gosta de mim…” Estamos ensaiando “Pobre Menina”, de Leno & Lílian, para as próximas apresentações.

Trash: Quem é o supra sumo do kitsch na opinião de vocês? Citem uma música e um artista.

Gabriela Alves: Sidney Magal, todas as suas músicas.

Ricardo Severo: Gretchen, é claro, e todas as suas músicas também. Esses dois não podem faltar numa coletânea brega.