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Por Roberta Ribeiro para Trash 80´s

Linguagem de videoclipe, recursos gráficos avançados e um roteiro por vezes non-sense eram os principais ingredientes de uma das séries com cara de verão mais acentuada entre as já produzidas no Brasil. “Armação Ilimitada” foi exibida pela primeira vez em 17 de maio de 1985 e teve seu último capítulo levado ao ar três anos depois, em 8 de dezembro de 1988.

A história gira em torno de Juba e Lula, dois surfistas que também amam outros esportes radicais e montam uma empresa, que dá nome à série. No mesmo apartamento em que eles moram, vivem também Zelda Scott e o garoto Bacana. A primeira é uma jornalista, filha de ex-exilados políticos e fã de Simone de Beauvoir. Tem como melhor amiga a tresloucada Ronalda Cristina e obedece a um chefe ranzinza. É clássico o episódio em que ela pensa que ele está uma flor e o chefe aparece com pétalas gigantes em torno do pescoço.

Já Bacana é um menino órfão que o trio adota e que serve como secretário da empresa, que realiza tarefas no céu, na terra e na água. O pequeno era o mais centrado da estranha família. Era ele quem tinha “juízo” e trazia os adultos para terra firme quando necessário.

Além de todas essas novidades, “Armação Ilimitada” também contava com temas muito à frente dos 80. Para começo de conversa, o par romântico era, na verdade, um triângulo amoroso. Zelda nunca conseguiu definir se queria namorar Juba ou seu sócio. Então, mantinha o relacionamento com os dois, que, mesmo sabendo disso, continuavam amigos.

Também muito antes da chamada “geração saúde”, os personagens centrais da trama já tinham preocupações como se alimentar de forma saudável e praticar esportes sempre.

E, se voltarmos à estrutura do programa, não há como não se impressionar com Black Boy, a narradora que contava a história usando o rap como base.

Num país recém-saído da ditadura militar como o Brasil de 1985, “Armação Ilimitada” veio como um tapa de modernidade nas narrativas de televisão. Com muita ação e poucas falas, a série mostrou que era possível produzir para jovens sem infantilizá-los. Receita que, posteriormente, foi utilizada com a “TV Pirata”, que já teve seu espaço aqui no Cultura.