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Foi no final da década de 70 que um comercial anunciava aquele que se tornaria o maior sucesso de vendagens entre os meninos. Com uma chamada que dizia “A Estrela orgulosamente traz para você FALCON, o herói de VERDADE!”, o boneco barbudo era finalmente introduzido ao público, e ficaria pra sempre no coração daqueles que foram criança nos anos 80.

Depois do Falcon, foi a vez do Comandos em Ação ocupar a vaga. Como eram menores e mais baratos os guerrilheiros, soldados, homens do exército e bravos defensores da ordem feitos em plástico e cheios de acessórios se tornaram campeões de venda da Estrela. Eles também tinham comerciais onde os bonecos estrelavam praticamente filmes de ação, deixando todo mundo com vontade de ter um.


Originalmente lançados em 1964 pela empresa Hasbro, os bonecos “GI Joe” chegaram no Brasil com o nome de “Comandos em Ação” e eram produzidos pela Estrela. No começo, os bonecos eram grandões, medindo cerca de 14cm, mas nos anos 80 eles passaram a ter o formato com o qual tiveram mais sucesso, bem menores e mais articulados. Eles tiveram dezenas de bonecos diferentes, cada uma com suas próprias armas, veículos e demais acessórios, fazendo a festa da molecada daquela década.

Tinha por exemplo o boneco Artilharia Míssil (codinome Homem Bala), o Comando Longo Alcance (codinome Pontaria), e também o Capitão dos Ares (codinome Condor). O sucesso foi tão grande que eles estrelaram filmes, desenhos animados, histórias em quadrinhos, videogames, e tudo mais o que você possa imaginar. Taí um dos maiores clássicos dos anos 80!

O site Omelete divulgou com exclusividade esta semana o novo poster brasileiro do filme “GI Joe 2: Retaliação”, a aguardada continuação da série iniciada em “GI Joe: A Origem da Cobra”. O filme tem Bruce Willis como um dos protagonistas, confirmando o ator como o possuidor de uma das carreiras mais longas dentro dos filmes de ação do cinema Hollywoodiano: o primeiro grande trabalho de Willis no gênero foi o clássico “Duro de Matar”, lançado ainda em 1988.

A história traz o organização Cobra no comando dos Estados Unidos indo contra um acordo mundial para a redução de ogivas nucleares, inciando com isso uma Terceira Guerra Mundial. Cabe aos GI Joes, é claro, tomar conta de tudo. Vale lembrar que os GI Joes são os inspiradores de grandes brinquedos icônicos dos anos 80 para a molecada, como o Falcon e os Comandos em Ação.

Os anos 80 foram repletos de heróis que todo menino sonhava ser. Desde o Magnum até o Esquadrão Classe A, esses heróis garantiam horas de diversão e muita aventura de mentirinha para a molecada – nem que fosse apenas na hora do recreio.

Confira aqui uma pequena seleção de brinquedos daquela época que eram os preferidos entre os meninos.

canivete do macgyver

canivete do macgyver

coleção Esquadrão Classe A

coleção Esquadrão Classe A

Super Caça-Bombardeiro do Comandos em Ação

Super Caça-Bombardeiro do Comandos em Ação

Thundertanque dos Thundercats

Thundertanque dos Thundercats

Comandos em Ação

Comandos em Ação

Carro do Miami Vice

Carro do Miami Vice

Agradecimentos: Blog Brinquedos Antigos


Por Denis Klein.

Quem
freqüenta a Trash 80s pode curtir a festa sob duas perspectivas: a da
adolescência ou a infância. Como nasci em 79, os anos 80 foram a minha
infância. Então toda essa tralha de Dip Lik, neon e domingos
deprimentes vendo a Isadora Ribeiro sair da água, foram a base da
pessoa que eu sou hoje, foram as coisas que me educaram.

Eu tenho a teoria de que as crianças estão exercitando o que vão ser
no futuro quando brincam. Então se você, por exemplo, gostava muito de
brincar de esconde-esconde, você poderá ser um bom fugitivo da justiça
um dia.

Eu poderia falar de uma infinidade de brincadeiras típicas da nossa
época. Mas quero falar sobre brinquedos. Ai tem uma porção de
brinquedos que eu posso falar. Resolvi falar apenas dos bonecos. Ainda
os bonecos são muitos, então eu vou apenas pincelar um pouco da
história de alguns que eu julguei como principais a partir de um
critério super científico: o que me veio na cabeça primeiro.

Barbie:

Essa boneca Barbie, cuja cabeça eu arranquei tantas vezes na
tentativa de irritar minha irmã, foi criada por uma moça chamada Ruth
Handler. Observando sua filha Bárbara brincar com bonecas de papel em
que se imaginava adulta, Ruth sacou que talvez as meninas não quisessem
brincar só de mamãe, já que as bonecas geralmente eram bebês.

Então, trocando em miúdos: Ruth percebeu que sua filha não tinha
vocação para a família, que queria casar com um playboy malhado (que
inicialmente se chamava Bob, e mais tarde se chamaria Ken) que estaria
disponível para romance a qualquer hora do dia e, ainda assim, teria
dinheiro para lhe comprar uma infinidade de vestidos, móveis para
guardar tranqueiras e uma coleção dantesca de diferentes banheiras,
todas capazes de produzir bolhas de sabão e deixar as mães putas da
vida com a sujeira que o brinquedo fazia. Estava então inventada a
boneca que serviria de modelo para delinear um mundo de luxo e glamour,
o mundo de Barbie, que para ser uma festa de artistas de Hollywood só
falta um pouco de cocaína e algum personagem dotado de genitália.

Ruth criou a boneca em 1956, mas só em 59 ela ganharia o nome de
Barbie, que era o apelido de sua filha Bárbara. Ruth fundou com seu
marido a Mattel, que produziu comercialmente a boneca a partir de 1959,
sendo vendida inicialmente ao preço de US$ 3,00 e a tia Ruth tem até
biografia publicada: chama-se Dream Doll, the Ruth Handler Story.

Comandos em Ação:

Esses machões, de nome original G.I. Joe (que significa recruta em
inglês), começaram a ser desenvolvidos em 1964 por uma fabricante de
brinquedos chamada Habro. Inicialmente o projeto foi visto com
reservas, já que de certa forma, a sugestão era a de que meninos
passassem a brincar de bonecas. Mesmo assim foram 3 anos de
desenvolvimento em que os projetistas da Habro chegaram a, inclusive,
usar projetos de armas do exército dos Estados Unidos. Inicialmente
estes bonecos tinham por volta de 30 cm e foi nesse formato que os
bonecos Falcon fizeram grande sucesso aqui no Brasil, mesmo ninguém
conseguindo entender por onde que o Torak respirava (vamos acreditar,
em nome da nossa memória, que ele era um robô ou algo do tipo).

No fim dos anos 80, por razões comerciais, os bonecos tiveram seu
tamanho drasticamente reduzidos. Suas roupas e seus cabelos passaram a
ser molduras de plástico pintadas. Foi dessa forma que nós conhecemos
os Comandos em Ação e foi por causa desses tampinhas que nós passávamos
as tardes inteiras montando cenários de guerra e deixávamos de fazer
lição de casa e tomar banho, criando tramas bizarras em que uma legião
do mal fazia o mal simplesmente porque gostava de fazer o mal. E quem
nunca pegou 2 ou 3 bonecos quebrados e fez “cirurgias” para constituir
um novo boneco inteiro (de repente até com a ajuda da ambulância do Dr.
Sara-Tudo). Eu acho que esses bonecos foram o que ditaram o conceito de
ser macho para a nossa geração: se eu trabalhasse na Estrela hoje, eu
projetaria um boneco massudo, de camiseta regata, que vem equipado com
uma tigela de açaí. Pickup S10 com pitbull na caçamba vendida
separadamente.

Hoje em dia os bonecos Falcon são cultuados no Brasil e existem
colecionadores que se rastejam em busca de bonecos em bom estado de
conservação. Lá fora, quando as vendas dos bonecos entraram em crise,
foi lançada uma revista em quadrinhos dos G.I. Joe e, logo na
seqüência, o desenho animado, que com certeza foi assistido por muita
gente que está lendo este texto. Durante o desenvolvimento dos trajes
primeiros bonecos, foram utilizados bonecos Ken (sim, aquele mesmo da
Barbie), o que nos leva a crer que os Comandos em Ação tem origem
suspeita e que eu nem quero saber o que rola no dormitório deles
enquanto eles estão em campanhas militares.

Playmobil:

Esses carinhas não tem uma história muito interessante, na verdade.
Uma empresa alemã chamada Metallwarenfabrik Georg Branstatter, tão
especializada em brinquedos que, no seu portfólio de produtos haviam
telefones e caixas registradoras. O primeiro protótipo do boneco cabeça
oca menos articulado do mundo data de 1958, mas só alguns anos mais
tarde é que ele foi devidamente explorado.

Se a Barbie é o modelo da perua, e os Comandos em Ação o modelo do
machão oitentista, acho que o Playmobil é a coisa mais indefinida
possível: a diferença entre os meninos e as meninas se resumia a um
corte de cabelo, não havendo seios ou quadril para ser analisado. Todos
eles tinham igual facilidade para ficar de quatro, o que quer dizer que
todo mundo tinha a opção de cumprir diversos papéis. Isso acaba se
expandindo socialmente no sentindo de que um playmobil podia ter
qualquer profissão: de astronauta a índio apache (e que ninguém me
questione se “índio apache” pode ser considerado uma profissão).