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Por Alessandro Fiocco

Por muitos anos o formato apresentador+platéia+ brincadeiras dominou as manhãs e as tardes de nosso eletrodoméstico preferido, a televisão. Hoje, a maioria dos programas infantis limita-se apenas aos canais a cabo e a fórmula do auditório se esvaiu com o tempo. Mas não tem nada não. O sucesso deles foi tanto que, além de permanecer na cabeça de quem os assistiu, merecem um capítulo à parte na história da TV brasileira. Mas por que fizeram tanto sucesso? Com ingredientes simples e deixando de lado o didatismo oferecido por produtos anteriores – mesmo que a canção “Abecedário da Xuxa” tenha sido o primeiro contato com o alfabeto para muitos – o lance era a algazarra e a diversão pura. Reveja os segredinhos dessa receita.

Chegada triunfal
Nada de aparecer sem grande estardalhaço. Nos infantis, as apresentadoras sempre começavam o programa em grande estilo, depois de criar muita expectativa e deixar todos ansiosos por suas aparições. Como? Veja passo a passo:
Take 1: crianças gritando.
Take 2: muita fumaça e música alta.
Take 3: um meio de locomoção aproxima-se. Xuxa vinha de nave, Angélica de dirigível – não, nada de táxi – e Mara, mais simplesinha, vinha de trem mesmo!

Café da Manhã da Xuxa
Após aterrissar sua nave e dar o seu estridente “Bom Diaaaaaaaaaaaa!”, Xuxa deliciava-se com um variado e invejado café-da-manhã. Os outros programas não imitaram a idéia, já que o quadro foi muito criticado, justamente por estarmos num país na época chamado de “país de terceiro mundo”, etc. e tal. Ainda hoje muitos se lembram do momento com nostalgia; já outra turma tem raiva mesmo por nunca ter saboreado uma bandeja tão farta.

Brincadeiras que davam para fazer em casa
Sem grandes segredos, algumas brincadeiras eram vistas na TV e feitas pelas crianças em casa. Em algumas era preciso ter algum objeto específico para que a farra começasse. O bacana era que as brincadeiras viravam febre e a molecada brincava o dia todo até enjoar e partir para outra. Relembre algumas das preferidas:

Disquinho – Em alguns programas eles usavam pratos de plástico, mas na falta deles no armário de casa o lance era improvisar com os vinis velhos, aqueles riscados ou que ninguém mais ouvia. Um jogador lançava para o outro a uma distância estabelecida. A dupla ganhadora era a que empilhava mais discos em tempo previamente determinado.

Dança da Laranja: Simples: uma laranja separando a sua testa e a de seu amigo. Lembrou? Para a brincadeira ficar mais emocionante, tinha que rolar músicas variadas, da lenta até o samba. O segredo era não deixar a laranja cair.

Sapato: Todas as crianças tiravam o calçado e colocavam em um saco. Distantes, observavam alguém chacoalhá-lo e esparramar os sapatos no chão. Para dificultar a brincadeira, era válido chutá-los para bem longe. Ganhava quem conseguisse pegar os pares do seu e calçá-los primeiro.

Silabas
Essa era bem difícil, por isso mesmo muito legal. Consistia em adivinhar que palavra os amigos diziam. Vamos usar como exemplo a palavra “boneca”. Como é uma palavra trissílaba, era preciso de três anunciadores. O primeiro dizia BO, o segundo NE e o terceiro CA, todos ao mesmo tempo. Era permitido repetir a palavra três vezes para o jogador adivinhar.

Corda: A famosa musiquinha “Um homem bateu em minha porta…” era brincadeira nos programas mais populares. No vídeo, é possível acompanhar a disputa.

Desenhos Inesquecíveis
Diga rapidamente cinco desenhos que marcaram a sua infância. Fácil, né? Até hoje eles são vistos e revistos e uma boa parte já virou DVD. Se o He-Man estreou no Balão, Xuxa apresentou a She-Ra. Já a Mara tinha e Jem e as Hologramas, Pole Position e Silver Hawks.

Artistas que as crianças adoravam
Todo dia os programas tinham uma atração musical. Além disso, aos sábados alguns viravam um especial só com cantores. Quem não se recorda do “Paradão dos Baxinhos”, do “Xou da Xuxa”? Já Angélica vinha com o seu “Milk Shake”. Mara, por ter programa a tarde, não tinha edição nos finais de semana, já que o SBT usava o horário para a sua linha de shows.

Hits que ouvimos até hoje

Agregado aos programas, muitos hits. Era música de chegada, música para terminar o bloco, música para as brincadeiras. Com isso, as canções logo viravam sucesso e grudavam como cola. Vai dizer que não sobrou nem um vinilzinho da Xuxa ou da Mara escondido naquele quartinho da bagunça?

A moda das apresentadoras
Se Xuxa lançou a moda das xuquinhas e botas, Sérgio Mallandro pregava o boné de lado, além da bermuda, suspensório e tênis, cada pé com uma cor diferente. Era comum ver na rua ou em alguma festinha, crianças vestidas como os ídolos da TV.

Beijinhos, muitos beijinhos

Beijo era o que não faltava. De marquinhas até o “beijo pra minha mãe, pro meu pai e pra você”, o negócio era fazer média com todo mundo e, algumas crianças sem noção – sim, crianças – inventava de mandar beijo para todos da sala de aula, um a um. Haja paciência!

Tchauuuu!
Muitos choravam nessa hora. Outros nem ligavam, pois sabiam que no outro dia tinha mais. Após uma mensagem positiva, era o momento das apresentadoras pegarem a sua nave/balão/trem ou sei lá o quê e seguirem adiante. No outro dia, com um figurino novo, o meio de transporte as traria novamente para novas peraltices e brincadeiras.

Por Alessandro Fiocco para Trash 80′s
29/10/07

Acompanhe ano a ano a trajetória do Trem da Alegria, um dos grupos infantis mais populares do Brasil

Durante oito anos, crianças do Brasil inteiro cantaram as músicas do grupo infantil mais famoso dos anos 80. Sem ter por trás um programa, como era o caso do Balão Mágico, o Trem tinha o diferencial de cantar temas que faziam a cabeça da gurizada. Assim, brincadeiras infantis e ídolos como Batman, He-Man, ThunderCats e Xuxa eram fontes de inspiração para eles extravasarem. Sempre trajados com roupas coloridas e de grifes infantis — as mais bacanas da década — , o grupo criado pelo produtor Michael Sullivan virou mania, vendeu milhões e é referência quando o tema é musica infantil. Confira a trajetória do trio, que virou quarteto, e depois voltou a ser trio, ano a ano.

1984 – É lançado o LP Clube da Criança – programa apresentado por Xuxa Meneghel na Rede Manchete. No disco, além da apresentadora, estavam convidados como Sérgio Mallandro, Pelé e Absyntho. Uma das músicas de maior destaque foi “É de Chocolate”, cantado por Patrícia e Luciano. A letra, que dizia que o amor é feito de chocolate, logo se tornou a principal música do LP.

1985 – Após o sucesso com o “Clube”, o produtor Michael Sullivan resolveu apostar na dupla e inseri-la em um grupo. O terceiro integrante seria Juninho Bill, que havia ganhado a terceira colocação em um programa de crianças talentosas no SBT. O novo trabalho rendeu, além de boa visibilidade, os sucessos “Uni Duni Te” e “Dona Felicidade”, com participação de Lucinha Lins. Ainda neste trabalho, Menudo cantava a canção “Coqui”.

1986 – O ano foi marcado pela entrada de Vanessa no grupo. Juntos, gravaram o hit “He-Man”, indo a praticamente todos os programas de televisão. A vendagem do disco passou a marca de 1 milhão de cópias. Constavam ainda do trabalho as músicas “Fera Neném” e “Tic Tac do Amor”.

1987 – Este foi o último trabalho da Patrícia com o grupo. A gatinha ainda participou do mega-sucesso “ThunderCats”. Era a época do boom infantil, em que vários artistas direcionavam o seu trabalho a esse público. Neste ano, o grupo vendeu 850 mil cópias do disco, que contava com a participação de Xuxa em dois outros sucessos: “Piuí Abacaxi” e “Dança do Canguru”. Ainda vale a lembrança para “Orquestra dos Bichos”. Uma curiosidade: neste trabalho, a menina Fabíola, que aparece na contracapa, fez participação em algumas músicas e simplesmente sumiu do grupo.

1988 – Com a saída de Patrícia, faltava uma menina ao Trem. Os integrantes já estavam em processo de gravação quando Amanda entrou. Na voz da menina, o hit “Pra Ver Se Cola”, foi um dos mais tocados. Já pré-adolescentes, Vanessa e Luciano fizeram um dueto em “Pique-Pega, Pique-Esconde”. Xuxa aparecia mais uma vez participando da faixa “Iô Iô” e ganhou uma homenagem com “Xa Xe Xi Xo Xuxa”.

1989 – Já grandinhos para embarcar no vagão, Luciano e Vanessa deram adeus ao mundo da fantasia. Assim, Rubinho foi convidado, formando um belo trio ao lado de Amanda e Juninho. Nada de dois pares. Agora Amanda era a única menina do grupo. Os sucessos do ano foram “Jaspion, Changeman” e “Pula Corda”, com a participação da apresentadora Xuxa, que sempre dava um impulso ao grupo, já que eles batiam ponto no programa dela.

1990 – A lambada havia tomado conta do Brasil e dela o grupo infantil mais famoso do país não podia ficar de fora. “Lambada da Alegria” e “Lambada Danada” estavam no disco. A primeira foi um sucesso e contou com a participação da loira global. Ainda no disco, participações de Gugu e Roupa Nova.

1991 – Dizem que este era para ser o último trabalho do grupo, mas isso não aconteceu. Curiosamente, um integrante, considerado não-oficial e apenas participativo, deu as caras. Era o menino Rick Bueno, um dos intépretes da música “O Lobisomem”. Ainda neste disco, destaque para “Tartarugas Ninjas”.

1992 – No último dia do ano, quem sintonizou e assistiu o último “Xou da Xuxa”, pôde também assistir ao anúncio do fim do grupo. Coincidência ou não, ali, junto com o fim do programa, terminou uma era. Neste ano, uma coletânea foi lançada contendo, além dos sucessos antigos, quatro músicas inéditas. Entre elas “Alguém do Céu”, tema da novela “De Corpo e Alma”, que estourou nas rádios. Assim, com chave de ouro, o Trem da Alegria fez a sua última viagem.