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Mauricio na prancheta

Nos últimos oito anos eu entrevistei mais de 200 artistas, dos mais variados tipos e estilos. De todos estes “bate-papos”, o que mais me emocionou foi à conversa que tive com Mauricio de Sousa.

O mestre dos quadrinhos brasileiros, responsável pela criação Turma da Mônica, foi de uma educação e simpatia únicas e me conquistou de cara. Hoje (27), dia do aniversário do desenhista, você confere alguns trechos do material.

Bom, pra começar, quais dos personagens da Turma são os seus favoritos?
Mauricio de Sousa: De que filho eu gosto mais? (risos) Não existe isto, eu gosto de todos eles. Com alguns personagens você transmite algum tipo de mensagem, algum tipo de proposta e com outros, não pode fazer isto. Então, estes personagens com os quais você tem mais força, mais liberdade, ou até melhores condições gráficas, técnicas ou de texto, o pessoal imagina sempre que são os prediletos ou preferidos do autor, e não é assim. É que quando eu faço uma historinha do Bidu, tem que ser o Bidu, o cachorrinho, quando faço a Mônica é uma menininha, não posso sair disto, das características que a gente já criou. Agora, quando eu faço um animal como um elefante ou um dinossauro, principalmente o dinossauro, posso me espraiar mais, me abrir mais, colocar mais de mim, é como se fosse uma fábula, é por isto que os grandes fabulistas da história do mundo usaram e abusaram dos animais pra deitar e rolar em cima de críticas sociais, até de propostas de mudanças de hábitos e costumes, como Esopo, La Fontaine, Os Irmãos Grimm. Então muita gente acha que o Horácio é o meu preferido, mas não. É porque ele vive fora do tempo, é atemporal, é um bichinho que acham que é dinossauro, mas de repente não é, e ele pode falar tudo, porque ele não está dentro do perímetro urbano, não está na roça, não está cidadezinha… Então é por aí, o personagem pelo qual você mais pode falar é tachado como o preferido ou o principal.

A "verdadeira" Mônica de Sousa com seu coelhinho

Alguns personagens coadjuvantes recentemente ganharam destaque e alguns fãs, como o Xaveco e a Denise. Existiu algum motivo para a maior participação deles, algum planejamento?
MS: Absolutamente. Isto acontece. Eu não planejei a subida do Cebolinha que nasceu coadjuvante do Franjinha, eu não planejei a subida da Monica que nasceu coadjuvante da tiras do Cebolinha e continuamos surpreendidos pela performance de um personagem e às vezes pelo gosto do público que começa a comentar e exigir mais daquele personagem. Personagem é uma coisa viva. De vez em quando, temos problema de tema e a gente bota vários personagens na história e às vezes nós precisamos brecar um pouco eles senão a historia não acaba.

As histórias também ficaram mais realistas recentemente, e o Xaveco ganhou uma participação maior com a separação dos pais dele, este tema é um tema que já estava pra ser abordado faz tempo? Afinal é delicado, não?
MS: Sim, é delicado, é algo que pensei bastante e decidi colocar, pois algumas crianças, alguns leitores, colocavam “nossa a turma da Monica mora num universo, numa cidade, onde tudo é certinho, fora do normal, ninguém se divorcia, ninguém se separa” e me manquei que realmente faltava um pouco de realidade, então optei pelo Xaveco.

Mauricio com sua esposa Alice e os mascotes do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil

E a Denise também é um choque de realidade né? É uma garota moderna, bem diferente da turma…
MS: É, realmente é uma garota diferente, metida, que quer saber tudo, que quer aparecer, todo mundo conhece uma assim, todo mundo tem uma amiga assim. Além disso, nós estamos caprichando um pouco nas falas da Denise, ela fala diferente dos outros, tem um palavreado um pouco mais diferenciado. E isto pega o pessoal mais acomodado na fala, como a Mônica e a Magali, que estranham um pouco o jeito da Denise. Vamos dizer que alguns personagens conservadores estranham um pouco a descolagem da Denise.

As histórias também se tornaram mais politicamente corretas com os personagens colando cartazes no muro em vez de pichá-los e mesmo personagem com uma mensagem social como Dorinha e o Luca. Estas idéias nasceram como?
MS: Bem, no caso dos hábitos, de não grafitar e outros cuidados, são normais. São coisas que a gente está se habituando a realizar, adquirindo estes hábitos agora. Agora, quanto aos personagens de alcance social, é uma fase realmente da história. Já que eu tenho a Turma da Mônica, que é uma história com crianças que vivem num universo real, normal, que é o nosso universo aqui de fora, precisava ter algum tipo de criança com algum tipo de deficiência física. Como eu tive na minha infância, alguns amiguinhos com quem eu brincava que tinham deficiências físicas. E nós até brincávamos com isto, então isto é algo normal, toda criança tem um amigo assim. Estava faltando este toque de realidade nas nossas historinhas. Não é porque alguma ONG me obrigou ou porque a gente TEM que por. Realmente é porque é a realidade.

Mauricio de Sousa com Pelé na época da criação do Pelézinho

E recentemente teve um choque de realidade também com a morte do bichinho de estimação do Xaveco. Mas era um tabu a morte nas historinhas não é?
MS: Então, vivo com esta realidade também, não é? Morreu uma chinchila lá em casa e foi uma choradeira, morreu um cachorrinho também, foi uma choradeira… É um assunto pertinente, que acontece na vida. E não era tabu, é tabu ainda, mas eu quero enfrentar um pouquinho isto daí, e ainda vou fazer algumas coisas neste sentido. É que como nós temos vários roteiristas trabalhando, temos uma seqüência de histórias, e que são feitas com meses de antecedência. Um plano destes, um plano mórbido destes, tem que ser muito bem planejado, pro pessoal desligar a máquina de respiração ao mesmo tempo em todas as pranchetas, em todas as mesas. Dá um pouco de trabalho técnico aqui pro estúdio você mandar um personagem pra terra do Penadinho. E a chinchila do Xaveco morreu, porque as minhas morreram e foi muito triste lá em casa, até pra mim. Tão bonitinhas, delicadinhas, brincavam na sala, a gente soltava e ficavam pulando pra lá e pra cá.

A Turma da Tina ganhou destaque recentemente com revistas próprias e Almanaques. Ela foi uma das personagens que mais evoluíram, indo até parar na faculdade. E os fãs pedem no Orkut tramas mais adultas pra ela, existem planos uma revista com histórias falando de campanhas contra drogas, sexo seguro ou mesmo contra o preconceito homossexual com algum personagem gay amigo dela?
MS: Com a Tina nós vamos sofrer um “upgrade”, por causa da turma da Mônica Jovem. Ela vai ficar mais adulta realmente e tratar de assuntos mais adultos. Estamos estudando isto neste momento.

Então existe a possibilidade dos pedidos dos fãs por tramas mais adultas para ela e sua turma serem atendidos? Existe alguma data pra isto ocorrer?
MS: Olha não é só a pedido dos fãs, isto também, mas é a realidade, é a vida vivida, você tem que fazer alguma coisa com o que você está vivendo, senão você não está falando com a comunidade. Mas não temos data pra isto, veremos depois de terminarmos o projeto Mônica Jovem, já que estamos ainda acertando os ponteiros, principalmente na produção, pois é dureza fazer 120 páginas com aquele requinte todo, além de tudo que nós fazíamos, que já era uma calamidade. Então, estou contratando gente, aumentando nosso poderio de fogo aqui, contratando roteiristas. Acabando esta fase, que deve durar mais um mês e meio, nós vamos pensar em cima do novo projeto Tina.

O que seria da infância da maioria dos brasileiros sem a Turma da Mônica hein? Com certeza, Mônica, Cebolinha, Cascão e tantos outros personagens queridos criados por Maurício de Sousa fazem parte dos momentos mais divertidos de nossas vidas.

mauricio

Maurício completa hoje seus 74 anos, muitos destes totalmente dedicados à arte dos quadrinhos e desenhos. E a gente é claro não pode deixar essa data passar batida e tenta aqui prestar uma bela homenagem à ele! Parabéns, Maurício!

parabens da turma da monica!

Paralelo ao universo infantil, Maurício de Souza recriou os personagens da turminha mais amada do Brasil com traços jovens. Agora, além das aventuras deles com idade na faixa dos sete anos, o leitor poderá curtir as experiências dos adolescentes Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali.


A mais famosa criação de Mauricio de Souza ganha status de embaixadora do turismo brasileiro. Sim, é isso mesmo. A simpática Mônica foi anunciada ontem pela ministra Marta Suplicy como a responsável em divulgar a imagem do Brasil lá fora. Os amiguinhos Cebolinha, Cascão e Magali também participarão da campanha do governo. No evento, a ministra deu um conselho a novata: “Não pode falar bobagem, Mônica. Não pode falar bobagem. Mas a gente sabe que a Mônica não fala bobagem. A Mônica fala coisas de ensinamento”. A dica serviu como gancho para que os jornalistas relacionassem o fato ao episódio em que Marta soltou o “Relaxa e goza”, em ocasião à greve dos aeroportuários.