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Se estivesse vivo, o saudoso ator Lauro Corona completaria hoje 53 anos. Lauro foi um dos grandes galãs das novelas da Globo no início dos anos 80, um daqueles que faziam as garotas colarem os olhinhos na telas cada vez que ele aparecia. Além disso, era um dos talentos mais promissores do canal.

Sua primeira novela foi a clássica “Dancin’ Days” (1978) e a partir daí ele estrelou vários outros grandes sucessos da emissora, como “Baila Comigo” (1981), “Elas por Elas” (1982), “Louco Amor” (1983), “Vereda Tropical” (1984), “Corpo a Corpo” (1984), “Direito de Amar” (1987) e “Vida Nova” (1988). No cinema, ele atuou em “O Sonho Não Acabou” (1982) e “Bete Balanço” (1984).

Ele também fez sucesso como cantor, lançando hits como “Não Vivo Sem Meu Rock” e “Tem Que Provar”, e também como apresentador do programa Globo de Ouro. Lauro faleceu em 1989, vítima de complicações decorrentes da AIDS, doença que foi escondida durante muito tempo até mesmo após sua morte devido ao grau de preconceito existente na época.

Com o fim dos anos 70 e a ditadura militar pegando pesado, o começo dos anos 1980 marcou o começo da decadência da pornochachada nos cinemas brasileiros. Quem saiu lucrando com isso foi a criançada da época, que ganhou grandes produções no período com Xuxa, Os Trapalhões e A Turma da Mônica.

Para comemorar a data de hoje, nossa equipe de comunicação listou alguns dos filmes mais importantes dos anos 80. Confira!

Super Xuxa contra o Baixo Astral

Os Sete Gatinhos – Neville d’Almeida (1980)
A frase “Me chama de contínuo” ficou imortalizada neste filme, inspirado na obra de Nelson Rodrigues, que tinha no elenco nomes de peso como Lima Duarte, Antônio Fagundes, Telma Reston e Regina Casé.

Pixote, a Lei do Mais Fraco – Hector Babenco (1981)
A grande obra prima de Babenco (“Carandiru”) já é importante por mostrar a realidade nas ruas de São Paulo, com um mundo de crimes, prostituição e violência. Para completar, o menino Fernando Ramos da Silva, protagonista do longa, foi assassinado por policiais em 1987. A grande estrela da produção era Marília Pêra.

Os Saltimbancos Trapalhões – J. B. Tanko (1981)
A peça teatral de Sergio Bardotti, Luis Enríquez Bacalov e Chico Buarque, tornou-se um clássico dos cinemas nas mãos dos inesquecíveis Trapalhões. O quarteto interpretava os artistas do circo Bartolo e levaram alegria para as telonas. A música “História de uma Gata” ficou eternizada na voz de Lucinha Lins.

As Aventuras da Turma da Mônica – Maurício de Sousa (1982)
Primeiro longa-metragem da turminha do bairro do limoeiro. O projeto era audacioso e arriscado, fazer uma animação no Brasil. E deu certo. Contando com quatro historinhas, a produção foi até parar na televisão, em 1984, na “Sessão da Tarde” (Globo).

"As Aventuras da Turma da Mônica"

Aluga-se Moças – Deni Cavalcanti (1982)
Este longa é importante porque reunia Gretchen com algumas chacretes da época, como Rita Cadillac, Índia Amazonense, Lia Holywood, dentre outras. Foi uma das mais famosas pornochanchadas da década, ficando mais de um ano em cartaz.

Amor Estranho Amor – Walter Hugo Khouri (1982)
O “filme proibido” da carreira de Xuxa, que atualmente só pode ser encontrado no país em cópias piratas de camelôs. Proibido de ser vendido no Brasil, em 1993, pelos advogados da apresentadora; o longa foi lançado oficialmente em DVD nos Estados Unidos em 2005. No elenco constam estrelas como Vera Fischer e Tarcísio Meira.

Os Trapalhões na Serra Pelada – J. B. Tanko (1982)
Grande sucesso da carreira dos Trapalhões, o longa teve uma bilheteria de cinco milhões de espectadores na época de seu lançamento, sendo até hoje uma das maiores da história do cinema brasileiro. Também foi vendido para outros países como Moçambique e Angola.

A Princesa e o Robô – Maurício de Sousa (1983)
Considerado o melhor longa-metragem da Turma da Mônica, conta com uma trama bem elaborada de 90 minutos e bateu recordes de bilheteria para uma animação nacional. Recentemente ganhou uma adaptação, em formato mangá, nas revistas “Turma da Mônica Jovem”, números 6 a 8.

"Os Saltimbancos Trapalhões"

Atrapalhando a Suate – Victor Lustosa e Dedé Santana (1983)
Depois de brigarem com Didi, os demais Trapalhões resolveram lançar este filme sozinhos, enquanto o colega estrelou “O Trapalhão na Arca de Noé”. Como ambos os filmes não fizeram o sucesso desejado, a separação dos humoristas durou apenas seis meses e houve o retorno do quarteto no ano seguinte.

Gabriela, Cravo e Canela – Bruno Barreto (1983)
Junto com “Dona Flor e Seus dois Maridos” (1976) é considerado a obra máxima da carreira de Sônia Braga, que divide a cena com o astro Marcello Mastroianni. Inspirado no livro de Jorge Amado, também é considerado um dos melhores trabalhos de Barreto.

Os Trapalhões e o Mágico de Oróz – Victor Lustosa e Dedé Santana (1984)
Junto com “Os Trabalhões no Auto da Compadecida” (1987) é avaliado por muitos críticos como “o melhor filme dos Trapalhões”. Possui cenas fantásticas com Dedé na pele do Leão, Mussum como o Homem-de-Lata e Zacarias vivendo o Espantalho.

Bete Balanço – Lael Rodrigues (1984)
A trilha sonora composta por Cazuza – e gravada pelo grupo Barão Vermelho – virou um hino para toda uma geração. Para completar, Débora Bloch brilhou na pele da protagonista, Beth, e ganhou o Prêmio Air France de Cinema.

"As Sete Vampiras"

As Aventuras de Sérgio Mallandro – Erasmo Filho (1985)
Se Xuxa, Os Trapalhões e até o Fofão tiveram filmes nos anos 80, por que Sérgio Mallandro ficaria de fora? Bem antes de estrelar “Lua de cristal” (Tizuka Yamasaki, 1990), o apresentador viveu um super-herói que tinha como vilão o ‘feio’ Dom Pedro, interpretado por Pedro de Lara.

A Hora da Estrela – Suzana Amaral (1985)
A obra máxima de Clarice Linspector ganhou vida nas telas pelas mãos de uma das mais talentosas diretoras brasileiras. Ganhou o prêmio de melhor atriz no Festival de Berlim para sua protagonista, a atriz Marcélia Cartaxo.

Eu Sei que Vou Te Amar – Arnaldo Jabor (1986)
Fernanda Torres e Thales Pan Chacon estrelam este longa que contou com a direção de fotografia de Lauro Escorel Filho, os figurinos de Glória Kalil e como cenário, uma casa projetada por Oscar Niemeyer.

As Sete Vampiras – Ivan Cardoso (1986)
Aqui nós precisamos contar a história do filme. Depois de ver seu marido ser devorado por uma planta carnívora, a professora de dança Silvia (Nicole Puzzi) se isola de todos em sua casa de campo. Só que a dama é convencia por um velho amigo para trabalhar numa boate, montando um balé intitulado “As Sete Vampiras”. Mas, o sucesso do espetáculo é interrompido por estranhos assassinatos. Clássico total do nosso cinema, que conta com Nuno Leal Maia e Andréa Beltrão no elenco. Filmaço capaz de deixar “Matadores de Vampiras Lésbicas” no chinelo.

"Pixote, a Lei do Mais Fraco"

Leila Diniz – Luiz Carlos Lacerda (1987)
O filme retrata a vida da atriz brasileira Leila Diniz, vivida aqui por Louise Cardoso, morta num acidente de avião. Só por este motivo já merece figurar nesta lista. Leila foi um marco pro cinema brasileiro e merece todo tipo de lembrança e homenagem.

Ele, o Boto – Walter Lima Jr. (1987)
O talentoso Walter Lima Jr. (de “Os Desafinados”), aproveita uma história de Lima Barreto e Vanja Orico para contar a lenda amazônica do boto, que supostamente seduz e engravida mulheres. No elenco Carlos Alberto Riccelli, Cássia Kiss, Ney Latorraca e – a então novata – Dira Paes.

Eternamente Pagu – Norma Benguell (1988)
A escritora e jornalista modernista Patrícia Galvão (Pagu) é outra mulher brasileira que merece todo tipo de homenagens. Para completar ela foi vivida pela belíssima Carla Camurati e o longa foi dirigido pela respeitada atriz de teatro Norma Benguell, a Dona Deise de “Toma Lá, Dá Cá”.

Super Xuxa contra Baixo Astral – Anna Penido e David Sonneschein (1988)
Xuxa pode ser lembrada pelos filmes que fez com os Trapalhões, mas seu grande clássico sempre será esta produção, em que ela luta contra a energia negativa do Baixo Astral, vivido por Guilherme Karan. A trilha sonora também ajudou a fazer a fama do longa, emplacando ‘hits’ como “Arco-Íris” no imaginário popular.

Festa – Ugo Giorgetti (1989)
Impossível deixar um filme de Ugo Giorgetti (“Boleiros” e “Sábado”) de fora desta lista. O cineasta que sempre destaca seu amor por São Paulo nos seus filmes, fechou a década com “chave de ouro”, premiando os cinéfilos com um longa todo rodado em um único cenário e que recebeu o prêmio de Melhor Filme no Festival de Gramado.

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O vídeo do dia acompanha o post logo aí embaixo sobre os quatorze anos do filme nacional “Bete Balanço”. É claro que estamos nos referindo ao video do cantor Cazuza arrasando com a faixa tema do filme de Lael Rodrigues.

cazuza

Por incrível que pareça, este video não inclui cenas do filme, mas sim material totalmente inédito estrelado por Claudia Magno – atriz de sucesso no cinema, teatro e TV dos anos 80 e falecida em 1994 em decorrência do vírus da AIDS aos 36 anos.

O vídeo é lotado de referências da moda da época, incluindo os óculos que hoje em dia são a marca registrada do rapper americano Kanye West. Um luxo!

“Bete Balanço” foi um dos mais importantes filmes nacionais da década de 80, e continua até hoje com seu valor histórico intacto. Dirigido por Lael Rodrigues e tendo a atriz Débora Bloch no papel principal, o filme conta a história de Bete, uma garota carioca que sonha em fazer sucesso no mundo da música. Entre sexo, drogas e rock’n'roll, Bete sofre com as desilusões da indústria fonográfica nacional, amores mal sucedidos e a busca pelo seu sonho.

bete

O filme é um verdadeiro documento sobre o rock brasileiro dos anos 80, contando com a participação das principais bandas da época: Barão Vermelho, Lobão e seus Ronaldos, Titãs, Banda Brylho, Manhas e Manias, Celso Blues Boy, Metralhadora Txeca e Azul 29, além de, é claro, Cazuza – que também tinha um personagem próprio no filme. Paula Toller, que na época era vocalista do Kid Abelha e os Abóboras Selvagens, foi convidada a fazer o papel principal mas recusou.

O restante do elenco também era composto por nomes que marcaram a Geração 80 nos cinemas e na televisão, como Lauro Corona, Diogo Vilela, Maria Zilda Bethlem, Hugo Carvana e Andréa Beltrão. “Bete Balanço” foi o primeiro filme da chamada “trilogia de Rock dos Anos 80″ que era formada por outro dois filmes também dirigidos por Lael Rodrigues (falecido em 1989) chamados “Rock Estrela” (1986) e “Rádio Pirata” (1987). Foi também o último filme estrelado por Lauro Corona, que morreria em 1989 de complicações ligadas à AIDS.


Infelizmente “Bete Balanço” ainda não foi lançado em DVD, mas é constantemente reprisado na tv em canais como o Canal Brasil. Vale a pena dar uma procurada!!!