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O tecladista Yann (primeiro à esq.), Dany (primeiro à dir.), Zavié (ao lado de Dany), Alec (ao lado de Yann) e Virginie (ao centro).

O grupo Metrô estourou na década de 80 com um som que misturava influências de tecnopop e new wave com letras ingênuas cantadas num português levemente carregado de sotaque.

“Tudo Pode Mudar”, um dos hits da banda, chegou à música mais executada depois de “We Are The World” na época em que estavam no auge do sucesso, realizando até seis shows por semana. Outras que embalaram as pistas da década foram “Johnny Love”, “Sândalo de Dandi”, “Ti Ti Ti” e “Beat Acelerado”.

Vinte e cinco anos se passaram e cada integrante seguiu seu caminho, mas Virginie afirmou em entrevista concedida ao site “Vírgula” que está “longe, mas sempre pronta”, caso o grupo decida fazer um revival. A cantora, que já foi namoradinha do Brasil, ao saber que suas músicas são tocadas em festas “trash”, esbanja bom humor e carisma ao dar sua opinião sobre o assunto: “Muito legal que continuemos a divertir e festejar juntos!”

É bacana ver que existem artistas que entendem e levam na esportiva sentido da palavra “trash” nas festas que remetem à década de 80. ;-)

Clique aqui e confira a entrevista de Virginie na íntegra.


Por Vivi Griswold

.Coração ligaduuuu

Há duas décadas, enquanto o mundo cedia aos encantos de Madonna e Cyndi Lauper, nós aqui no Brasil
suspirávamos pela nossa própria pop star.

Ela não devia nadinha às concorrentes internacionais. Também lançava moda por onde andava, tinha um timbre de voz agradabilíssimo, esbanjava charme e talento. E era bem “pra frente” – mas do seu modo, sem criar polêmica à toa só para aparecer.

Virginie foi a princesa do pop rock nacional e os anos 80 foram o seu reinado. Não havia uma garota sequer que não queria ser como ela: magrinha, com cabelo bem enrolado e um jeito sapeca.

Se a vocalista da banda Metrô aparecesse na TV usando camisa branca com ombreiras e gravata fininha, pode apostar que o próximo baile de garagem estaria cheio de meninas vestidas do mesmo modo.

Quando eu aposentei minha vitrolinha vermelha de infância e passei a ligar o aparelho de som lá de casa, era o Metrô que me fazia companhia. Pensando bem, pode ter sido em uma daquelas tardes que eu me iniciei na arte da dublagem.

Bastava colocar a Virginie para cantar que o show estava pronto. E como cantei (e continuo cantando, graças a um
super CD que encontrei em promoção na Internet) os versos “Minha mãe me falou que eu preciso casar/ Pois eu já fiquei mocinha”, do hit “Beat Acelerado” (na versão escolar, “Bife Acebolado”).

Minha favorita até hoje é “Tudo Pode Mudar” e o desespero da moça ao interpretar “E dentro do meu peito não tem jeito bate paixão/ São dez pra ficar louca, daqui a pouco posso pirar”. Também tinha a balada “Johnny Love” (“Chamo o seu nome/ Johnny Love love love”).

A voz de Virginie merece um parágrafo à parte. Bem parecida com a de Rita Lee, porém um pouquinho mais esganiçada – e sempre afinadíssima. Lembro-me de ter lido em algum lugar que a vocalista adora bossa nova, então não me espanta o fato de que ela às vezes soava um tanto Nara Leão. Bem new wave, claro.

Por tudo isso é que achamos que algo anda bem errado quando celebram continuamente a Paula Toller como musa dos anos 80. Pelo menos o voto deste site que vos fala vai para outra pessoa. E você já sabe para quem.

OBS: Viviana Griswold cedeu este texto gentilmente ao nosso site. Ela é jornalista e escreve a coluna “Garotas que Dizem Ni” para a Revista Época junto com a Clarissa Passos, Flavia Pegorin e o site http://www.garotasquedizemni.com – vale a pena conferir.