Por essa ninguém esperava: “Armação ilimitada”, a série de grande sucesso da TV Globo entre os anos de 1985 e 1988, vai virar filme em 2012. Ao que tudo indica, a produção vai contar a história de como a dupla aventureira Juba e Lula (vividos por André di Biase e Kadu Moliterno) estão hoje em dia, depois de passarem boa parte da década de 80 entre ondas e esportes radicais.

Segundo o jornal “Extra”, a atriz Andréa Beltrão, que interpretava a esquisitona Zelda Scott, estava quase desistindo de aceitar a proposta mas acabou voltando atrás. Jonas Torres, o “Bacana”, também deve estar no elenco. Segundo Kadu Moliterno, a proposta do filme é fazer com que uma nova geração de adolescentes conheça a série e se interesse pela vida fora das telas do computador.
Será que vai pegar?
A atriz Andréa Beltrão marcou época nos anos 80 participando de programas que continuam na memória de muita gente que viveu naquele período. Com certeza, seu papel de maior destaque foi mesmo o de Zelda Scott no seriado Armação Ilimitada, que estreou em 1985 e ficou no ar até 1988, se tornando um verdadeiro clássico da televisão dos anos 80. Hoje ela completa 47 anos… parabéns!!!!

Além desse, ela também interpretou a personagem Radical Chic no gameshow de mesmo nome que foi ao ar em 1993 e era apresentado pela Maria Paula. Andréa também fez bonito nas novelas, participando de grandes produções como “A Rainha da Sucata” (1990), “Pedra Sobre Pedra” (1992), “Mulheres de Areia” (1993) e “A Viagem” (1994).

No começo dos anos 2000, Andréa decidiu focar seu trabalho mais no cinema e no teatro, se tornando uma atriz ganhadora de vários prêmios de bastante prestígio, com algumas poucas e esparsas participações em especiais de TV e minisséries. Mas apesar de estar afastada dos holofotes, ela continua firme e forte: seu último trabalho na telinha foi na série “A Grande Família”, em 2009.

Nascida em Nilópolis, no dia 13 de julho de 1959, a atriz Catarina Abdala iniciou sua carreira na televisão com a pesada roupa da Cuca (1981-1986) do “Sítio do Picapau Amarelo” (Rede Globo), onde também fazia a voz da personagem.
Mas foi com Ronalda Cristina, a melhor amiga de Zelda Scott (Andréa Beltrão), que ela ganhou fama no seriado “Armação Ilimitada” (1985). Ronalda era avançada para seu tempo e chegou a fazer um ‘topless’ ao lado de Zelda.
Nas novelas Catarina ficou famosa com a lésbica Vieira de “A Indomada” (de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares – Rede Globo) que ia todas as noites “fazer a contabilidade” do bordeu (Centro Noturno de Lazer) de Zenilda (Renata Sorrah). Seu último trabalho na TV foi como Margareth de “Chamas da Vida” (Rede Record – 2008).
Este é o ano de Catarina nos cinemas. Primeiro ocorreu o reencontro entre ela e Andréa Beltrão no filme “Salve Geral”, representante brasileiro para o Oscar 2010. Catarina interpreta a agente penitenciária que revista Lucia (personagem de Andréa), quando ela vai visitar o filho na prisão.
Catarina também está no elenco de “Elvis & Madona”, um dos destaques do Festival MixBrasil deste ano. O longa-metragem de Marcelo Laffite conta a história de amor entre um travesti e uma lésbica. No elenco destacam-se ainda Simone Spoladore e Maitê Proença.
Quem acompanha a novela “Os Mutantes” da Rede Record notou que o ator Jonas Torres assumiu o papel do vilão Eléctron na trama.
Para quem não lembra, Jonas Torres era o Bacana, o menor abandonado que aprontava todas na Armação Ilimitada. Ele estava fora das telinhas há quase dez anos quando se mudou para os Estados Unidos.
Em 2006, deu uma entrevista para o site G1 e falou um pouco sobre o seu marcante personagem da década de 80. Confiram aqui.
Por Paulo Simas para Trash 80′s
Nos anos 70, o jovem Petit era a personificação do estereótipo do garotão carioca, aquele tipo despreocupado e amante da natureza. Ele, que passava os dias em meio às ondas e mulheres de Ipanema, serviu de inspiração para Caetano Veloso compor “Menino do Rio”. O surfista era um resumo tão preciso daquela turma de rebeldes bon vivants que, quando ele se suicidou, em 1989, alguns pensaram que toda uma geração tinha chegado ao fim. Bobagem. O jeito Petit de ser já tinha conquistado seu lugar na cultura popular. E uma pessoa em especial se empenhou em apresentá-lo à massa: o ator André di Biase.
Apesar de ter nascido no Espírito Santo, Biase tinha tudo o que era preciso para ser um típico menino do Rio: era praticante do surfe, tinha o corpo em cima, o cabelo longo e descolorido pelo sol, e um charme que mesclava cafajestagem com romantismo juvenil. Sua estréia no cinema, portanto, não poderia ser em outro papel: em Nos embalos de Ipanema (1978), ele vivia um surfista de subúrbio que, ao se apaixonar por uma moça rica, buscava ascensão financeira por meio da prostituição.
O filme é festejado até hoje, tanto pela crônica social que faz quanto por levar temas novos ao universo da pornochanchada. Mas a novidade mesmo viria em Menino do Rio (1981), também do diretor Antônio Calmon. Foi o primeiro “filme para jovens” do nosso cinema e, talvez por isso, um sucesso de público. Baseado na música de Caetano, era protagonizado pelo personagem de André di Biase, um surfista de vida
simples que vai para a Zona Sul e se apaixona por uma modelo da Fiorucci. Embaladas pela trilha sonora, que tinha “De repente, Califórnia”, de Lulu Santos e “Garota Dourada”, do Rádio Táxi, as platéias esqueciam que estavam numa sala de cinema e cantavam música por música.
Diante dessa euforia, nada mais natural do que uma continuação, exibida três anos depois. Garota Dourada tinha praticamente o mesmo elenco do filme anterior e trazia o personagem de Biase disputando com outro surfista o amor de uma mulher, interpretada por Andréa Beltrão. Até que aquela mesma modelo de Menino do Rio reaparecia para confundir tudo. Resultado: outro sucesso de bilheteria.
Depois dos três filmes, a dupla Calmon-Biase não tinha mais dúvidas de que histórias de amor e de surfe eram um filão a ser explorado. Em 1985, quando levaram essa idéia para a televisão, poderiam ter produzido uma minissérie teen sobre praias e azaração sem grande relevância. Mas a ditadura militar tinha acabado de cair e, de repente, o país tinha sido tomado por uma euforia não só política, mas artística
também. Todos queriam experimentar novas linguagens e liberar as idéias que haviam sido reprimidas. Com esse espírito, o ator e o diretor se juntaram a nomes como Guel Arraes, Nelson Motta, Daniel Filho e, a peça-chave, Kadu Moliterno. Nascia, assim, a série Armação Ilimitada, que foi ao ar de 1985 a 1988.
Pioneira em usar referências de histórias em quadrinhos e do surrealismo, a história era audaz por si só: falava de dois amigos amantes dos esportes, Juba (Moliterno) e Lula (Biase), que viviam um triângulo amoroso consensual com Zelda (Andréa Beltrão). Os dois rapazes eram donos de uma empresa, a tal Armação Ilimitada, que resolvia qualquer problema que os clientes tivessem. A dupla cativou os espectadores de tal maneira que sobreviveu mesmo depois do fim da série.
Em 89, e durante menos de dois meses, Juba e Lula deram nome a um programa infantil de jogos e aventura. As equipes competiam em labirintos, pistas de skate e tudo o mais que parecesse radical. Os apresentadores também se esforçavam para transmitir mensagens ecológicas. A fórmula, como se vê, não tinha nada de nova. Os fãs do antigo seriado se decepcionaram e as crianças não embarcaram na onda. A
atração foi cancelada e a dupla, que a essa altura já tinha gravado disco e virado personagem de gibi, deixou órfã toda uma geração de jovens.
Os dois atores voltaram a se encontrar somente muitos anos mais tarde, na temporada 2002 de Malhação. Mas quem assistiu a André di Biase como o coadjuvante engenheiro Vinícius deve sentir uma saudade danada de seus tempos de garotão praiano. O problema é que as pessoas crescem e os tempos mudam. Os meninos do Rio definitivamente não vivem para sempre.





