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Hoje a nossa Trash 80′s faz nove anos. É difícil acreditar que chegamos a quase uma década mantendo os lemas “diversão garantida” e “preconceito não entra aqui” firmes e fortes! Das noites malucas no Bar d’Hotel Cambridge, ao “estágio” no Picasso e a consolidação no Caravaggio – depois batizado Clube Caravaggio – nos faz crer que acertamos na escolha da região. Estávamos no momento certo, na hora certa.

A ideia de marcar o aniversário desse que escreve num lugar que tivesse um clima decadente no centro de São Paulo porém com o glamour do passado, resume bem o que é a festa até hoje. Mundos diferentes em sinergia perfeita. Diversidade sexual, social, total. Enquanto muitos se colocam nos “trinques” para brilhar na noite, outros preferem arrasar nos drinques e no look casual.

A mãe leva a filha, que leva o namorado, que começa a namorar um outro namorado, que larga porque conheceu um menina linda. Casam. Somem da festa. Separam. Voltam a frequentar, reencontram a mãe, a filha e, agora – já que era uma festa matinê beneficente – conhecem a netinha que foi batizada de “bebe trasher”.

Quantas histórias como essas foram contadas? Micos fenomenais, lindas histórias de amor, “brigas” de torcidas uniformizadas pra eleger a Rainha da Trash, encontros intermináveis na conexão Ben Hur > Verdinho > Ben Hur, turmas que ficam de fora observando o zunzunzum pelas redes sociais… E esse casamento da Trash com a Internet vem dos tempos das listas do Yahoo, do ICQ, Fotolog, Geocities, blogs, orkut e, agora, Facebook e Twitter. O staff sempre se preocupou em levar a dinâmica da noite para o dia, trocando ideias, fortalecendo as relações.

Muitos ainda não conhecem a festa. Vem pela primeira, se apaixonam, ficam e trazem amigos. A faixa etária diminui. Gente que nasceu nos anos 1990 e que hoje tem 20 anos se joga na pista com aquela pérola que nunca tinha ouvido antes. Inexplicável mas totalmente compreensível. Todos buscam um lugar que não haja cobranças, que possam cantar músicas antigas e também agregar algumas novas, por que não?

Já fincamos bandeira na Vila Olímpia – Tenda, Spazio, Hype, Spazio, (ufa) Espaço Hype – com a mesma diversão do centro, com trashers acalorados que defendem seu território. “Orgulho de ser trasher VO”, claro! Cruzamos o mar, fomos ao Velho Mundo, à China, rodamos o Brasil todo. Novas festas surgiram, invadimos outros clubes de São Paulo. Continuamos todos juntos e bem misturados.

Hoje, nove anos. Se a chama apagar um dia, não queremos saudosismo. Apenas boas lembranças num contexto que traga felicidade.

Parabéns, Trash 80′s!

Em pouco menos de um ano, a festa já mostrava sinais de que ia longe. Procurando um espaço só seu, já no começo de 2003 ela atravessou a rua e casou-se, em uma relação que dura até hoje, com o Clube Caravaggio.

E logo viria o primeiro carnaval. Além de uma festa no Caravaggio, a Trash realizou a primeira edição fora de seus domínios. O Teatro Oficina foi o local como umas noites mais bacanas desses sete anos.
Depois disso, a Trash pegou a estrada e viajou o Brasil.

Também desfilou como convidada na Parada do Orgulho Gay e deu pinta no Mercado Central.

Em maio, a brincadeira completaria um ano e o grupo convidado veio de acordo com que o kitsch pede. Genghis Khan, em roupas à Mad Max, apareceu e não deixou de cantar “Comer, Comer”.

Um noite só era pouco. Assim, em junho as sextas também eram dia de Trash 80′s. O sucesso foi imediato.

O termo “trasher” apareceu. A assiduidade fazia com que certos frequentadores ganhassem a titulação. E eles participavam ativamente: organizaram a primeira edição da Trash Bene – que foi um estouro -, divulgavam a festa que virou mania nos blogs e fotologs da vida e deram a cara das performances. Uma das primeironas foi a do “Cassino do Chacrina”, com Rico Suave, Cris Mariposa, Dani Bonani, Chico, Alisson…

Quem já dava pinta pela festa, todo caricato, era o querido Darwin Demarch e a sua comedida(!) Tanchinha. Outra figura era a Super Janeyde, interpretada pelo hoje televisivo – e talentoso – Evandro Santo.

Antes de se despedir de 2003, uma festa em dezembro faria uma retrospectiva do que aconteceu no ano, uma espécie de “Melhores da Noite”. A Trash 80′s estava prestes a romper o mundo virtual e cair no conhecimento da mídia e da grande massa. Mas isso fica para o próximo capítulo.