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HOTEL CAMBRIDGE: OS EMBALOS DE SÁBADO À NOITE
Jornal da Tarde São Paulo (08/06/2002)

Três DJs garimpam o que de pior o pop produziu nos anos 80 para compor a trilha sonora do Bar do Hotel. Olivia Newton-John, Ronaldo Resedá, Ritchie e o grupo Absyntho integram o repertório. O público vai ao delírio


Se você procura por um lugar com música boa e sofisticada, esqueça. A vibração quando a introdução de 'Ursinho Blau-Blau', hit do Absyntho, sai das caixas de som do bar do hotel Cambridge já avisa que a noite vai ser longa. E divertida, se for o caso.

Em um hotel decadente, no bom e velho centrão, dois DJs com mais de 35 anos e outro mais novo (22 anos) escolhem o que de pior existiu na chamada década perdida. Com a ajuda do público, claro - gente com idade suficiente para ter brincado de cubo mágico e ter dado passos como os de Michael Jackson em 'Thriller'.

"Na primeira noite, colocamos só o nosso acervo pessoal. Daí, começaram os pedidos - 'toca Ronaldo Resedá!' - de músicas que nem lembrávamos", explica Antonio Luís Mota Moreira, 38 anos, conhecido há 15 anos na noite paulistana como o DJ Tonyy.

Tanto tempo de estrada fez Tonyy e outro dos DJs residentes - o ex-dono da gravadora de música eletrônica Cri Du Chat, Enéas Neto - a conhecerem os dois lados de um sucesso: da última moda a clássicos bregas. "Fui um dos primeiros a tocar Information Society no Madame Satã", lembra Tonyy.

Nem tudo de ruim serve para a pista

Caçar bobagens sempre foi um passatempo para os dois. A idéia da noite temática aos sábados, inclusive, surgiu dessa fixação por algo tosco, exagerado, até consciente da bobagem gravada. Como a "Menina Veneno" de Ritchie, escolhida por eles como a melhor música ruim de todos os tempos ("foi o ápice do bregapop nacional").

Mas calma: nem tudo de ruim que surgiu nos 80 serve para a pista. U2 e RPM, que consideram como de péssimo gosto, não entram no set list. Por quê? "Não toca porque não é bom e não merece. Só tocamos o que é ruim e divertido", responde Tonyy.

Por ruim e divertido entenda o 'new romantic', estilo que catapultou as carreiras do Duran Duran e da Soft Cell. O host Alisson Gothz, de cara, é uma cópia de Boy George, o ex-Culture Club que chacoalha a festa com 'Do You Really Want To Hurt Me?'. Tanto que o espaço entre o balcão e as cadeiras do bar do hotel Cambrigde vira pista de dança - mais da metade ocupada por garotas que só querem diversão, diria Cindy Lauper.

Em busca de um penteado como o de Chitãozinho

Os DJS até preferem tocar em um lugar apertado como o hotel. "A gente pode até fazer algo especial em um lugar maior. Mas acho que como está, com a lotação estipulada em 150 pessoas, deixa a festa mais legal, com todo mundo se conhecendo", diz Rubens Miguel Teixeira, 22 anos, o Binho, caçula dos DJs.

As primeiras três noites - com lotação esgotada - deixaram os três felizes.

Houve até uma festa temática para a atriz e cantora australiana Olivia Newton John, que contou com distribuição de bandanas de oncinha no melhor estilo 'Physical', um de seus últimos filmes. A hora mais disputada da noite é a do baile da vassoura, tempo de arrastar o par para dançar de rosto colado a 'lenta'.

Mas um detalhe tirou o sorriso do rosto dos DJs: ainda não apareceu ninguém usando um mullet (corte de cabelo tipo 'Chitãozinho e Xororó' que fez sucesso nos 80). "Mas se aparecer, tem 50% de desconto na entrada", avisa Tonyy.

por Marcos Sérgio Da Silva, especial para o JT

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