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VIBE É DOS ANOS 80
Folha de São Paulo - Pensata 06/08/2003
http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/ult512u137.shtml
A atual animação noturna de clubbers
e rockers encontra espelho nos anos 80, quando de dia
se discutia as performances no Atari, tentava-se sobreviver
no Pacman, melhorar no cubo mágico. Mas à
noite, vestindo uma calça Soft Machine, era a
vez de sair para a balada.
Se o número de opções de clubes
era menor e a busca de informação musical
era mais complicada, a vibração era a
mesma.
A correspondência é tanta que hoje, dentro
da cena eletrorock um forte revival dos anos 80 encontra
lugar para lotadas casas que tocam as músicas
de 20 anos atrás.
Isso explica o sucesso de noites como a Trash 80's (centro)
e do Projeto Autobahn (Pinheiros), e da recém-inaugurada
Discology (um resgate mais eletrônico, que chega
até os 70).
"A prova de que hoje está tão bom
para sair quanto nos anos 80 é a aceitação
do público de hoje ao som daquela época,
o que explica essa moda atual das músicas e bandas
que existiam há 20 anos", diz Kid Vinil.
"Se você for comparar, o público que
vai a essas casas de anos 80 hoje é praticamente
o mesmo que ouve coisas atuais e vai à Lov.e,
à Funhouse", analisa o radialista, que se
em 2003 discoteca no Trip Dancing Bar, já tocou
no Madame Satã dos 80.
Lá nos anos 80, no príncípio era
o Gallery. E o Victoria Pub.
E só. Depois veio a onda das danceterias, em
1983, com o Rose Bom-Bom, o Radar Tantã, o Rádio
Clube.
Com exceção do Rose Bom-Bom que era um
clube pequeno, os outros dois arrastavam multidões
para dançar. O Radar-Tantã abrigava shows
de bandas novas nos 80 e costumava levar 2.000 pessoas
em um sábado, para dançar e ver ao vivo
iniciantes como Lobão e os Ronaldos, Os Paralamas
do Sucesso.
"Era a época da new wave. Era tocar Devo,
B-52's, Police e Pretenders na pista e o lugar virava
uma loucura", lembra Kid Vinil.
Logo em seguida veio a segmentação e os
clubes mais específicos. O Madame Satã
para a vanguarda, o Napalm para os mais punks, e o Rose
Bom-Bom ia levando som moderno para gente mais abastada.
Como está acontecendo hoje, com o público
de rock mais aberto à eletrônica e vice-versa,
nos 80 era comum frequentar casas de estilos diferentes.
Nos anos 90, o rock era saboreado ao gosto do som alternativo
americano, da revolução grunge e do levante
indie inglês. Mas quem tirou mesmo os jovens de
casa foi a cena eletrônica. Agora não só.
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