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A GRANDE FESTA BREGA
Diário de São Paulo 14/5/2003
http://www.diariosp.com.br/cadernorevista/default.asp?editoria=15&id=255240

Surgiu como uma mera brincadeira entre amigos, mas hoje é a festa mais comentada de São Paulo. Que o digam as 53 noites de sábado (e uma na terça-feira do último Carnaval) que fizeram a história do primeiro ano da Trash 80’s — a balada que semanalmente põe centenas de pessoas para dançar ao som de hits cafonas (ou no limite da cafonice), a maior parte dos anos 1980, e que não dá sinais de que vá esfriar.

Muito pelo contrário: para comemorar o aniversário (a nº 1 foi em 4 de maio de 2002), esta semana tem festa extra, sexta-feira, no Caravaggio — boate no Centro da Capital e atual sede da Trash 80’s.
A atração será um show do lendário grupo Brazilian Genghis Khan, aquele mesmo de “Comer, Comer”. No sábado acontece a edição normal. A fidelidade dos “trashers” garante a dose dupla.

A Trash 80’s é uma criação dos DJs Tonyy e Eneas Neto, de 39 e 36 anos, especialistas em música eletrônica alternativa. Em 2001, quando trabalhavam juntos, para se divertir no escritório “torturavam” um ao outro com canções de Air Supply e Ritchie — até descobrirem que aquilo era divertido. Então, planejaram a festa.

A estréia foi no bar do Hotel Cambridge, no Centro, lugar antigo e com o ar de decadência elegante que a Trash (lixo, em inglês) pedia. Foram dezenas de noites embalando um público entre 20 e 35 anos — criança ou adolescente nos anos 80 — com três eixos musicais: o brega de Rosana (“O Amor e o Poder”), Luan e Vanessa (“Quatro Semanas de Amor”) e Gretchen; o pop divertido de Madonna, Cindy Lauper, Erasure e de bandas nacionais como Metrô e Rádio Táxi; e canções infantis — de Balão Mágico a Xuxa, passando pelo hit da Trash, o tema de “He-Man”, com o Trem da Alegria. Todo mundo esquece os pudores da vida adulta e se joga no clima de festinha de aniversário.

GLS
Desde a primeira noite, o cartão de visitas da Trash 80’s é o seu host, Alisson Gothz. Caprichando no figurino e na maquiagem, ele impõe o tom GLS (de gays, lésbicas e simpatizantes): o público é majoritariamente heterossexual, mas quem se incomoda com beijos entre pessoas do mesmo sexo deve procurar outro lugar. E Gothz se diverte também: “Aqui eu me desligo de tudo e me imagino em ‘Xanadu’ patinando com a Olivia Newton-John”, delira.
Desde fevereiro a festa está no Caravaggio. O local é bem maior, e acomoda 400 pessoas nas noites mais lotadas (quase todas). “A mudança para o Caravaggio suportou o aumento de público, mas ainda quero ver a Trash 80’s num local 100% adequado”, diz Tonyy.
De fato, o calor e o aperto às vezes são excessivos. Mas ninguém liga: até as 7h30 dos domingos ainda há gente dançando na pista e no palquinho ao lado dos DJs.

Um ‘trasher’ puxa outros
O constante crescimento de público na Trash 80’s deve muito à divulgação boca-a-boca. Quem vai à festa e gosta geralmente volta, e levando os amigos. Muitos viram habitués — e “trashers”.
No último dia 10, a analista de mercado Juliana Sawaia, de 25 anos, era um exemplo disso. Sua primeira Trash foi no final de abril, acompanhando uma amiga. Sábado passado ela retornou à frente de um grupo de 10 pessoas, todas estreantes na festa.
“Aqui é como voltar a ter 15 anos, mas com a experiência de 25”, filosofava Juliana. Seus amigos aprovaram — em minutos estavam todos “fervendo” na pista.
Há também os que foram fisgados pela Trash 80’s logo no começo. O webdesigner Eduardo Silva, de 26 anos, foi o número 3 na lista de presença da primeira Trash. “Todas as festas com o tema ‘anos 80’ eram iguais, e por isso resolvi conhecer a Trash”, recorda-se. “Fiz amigos de verdade aqui, e ainda não encontrei, em São Paulo, outra festa com essa energia.”
Os blogs (diários virtuais) e a lista de discussão na Internet também são importantes na divulgação da Trash e ajudam a enturmar os novatos no círculo mais íntimo de freqüentadores.


Serviço
Trash 80’s — aos sábados, às 23h, no Caravaggio (Rua Álvaro de Carvalho, 40, Centro). Ingressos: R$ 10 de entrada e R$ 10 de consumação. Trash 80’s Especial de 1 Ano — somente nesta sexta, às 23h, no Caravaggio. Ingressos, limitados, ao preço único de R$ 15. Reservas e informações: 3253-6625 e 9503-2849

Caderno Viver - Por Claúdio de Souza

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