| PARA
TRASHS DE TODAS AS IDADES
Correio Web 23/11/03
http://divirta-se.correioweb.com.br/links.htm?codigo=685
“Um sonho vindo na passarela”, “fica
comigo, meu mel” e “você é
luz” são apenas alguns dos inesquecíveis
versos que dominavam o dial há longínquos
vinte anos. As músicas de batida inconfundível,
ritmo dançante e letras às vezes ridículas
são marca registrada dos anos 80 no mesmo grau
que o new wave e a calça de boca fina.
Para quem sente saudades de Dominó, Marquinhos
Moura, Wando e outros ícones da “década
perdida” (também na música?) agora
tem um alento. Um link espalhado recentemente pela internet
brasileira mostra um trabalho árduo, que merece
reconhecimento de todo internauta trash que se preze.
Sim, porque não há como negar a vocação
brega da produção oitentista – e
do público, claro.
Num áudio player verde, simples e divertido,
dá para ouvir, em seqüência, repertório
que rádio nenhuma conseguiria reproduzir. Dividido
em seções, é possível relembrar
os anos 80 por épocas. A Infância Trash
reúne sucessos de Xuxa, Gilliard, Gugu, Mara
Maravilha, Trem da Alegria e Balão Mágico.
É de verter lágrimas.
Outra seção imperdível é
a Brega Brasil. Nela, além dos três ídolos
pop já citados, há pérolas de Gretchen,
Jane e Herondi, Magal, Odair José e, quem diria,
Silvio Santos (ou você nunca ouviu Ritmo de Festa?).
Mas não é só a indústria
fonográfica nacional que ganha destaque no radinho
virtual. Os gringos, que – justiça seja
feita – são imbatíveis no quesito
breguice (basta ver um, unzinho só, clipe da
Cindy Lauper), têm espaço garantido em
várias estações. Uma delas é
para fãs de sessão da tarde com pipoca.
Em Cinema Trash, temas de blockbusters como Top Gun,
Flashdance, Footlose, Grease e todos os outros filmes
com músicas bregas imagináveis estão
reunidos, numa seleção de clássicos
única.
O posudo Bon Jovi, os pintados do Kiss, o sumido Poison
e os gritantes do Scorpions estão reunidos em
Trash Poser. Para metaleiro com All Star nenhum botar
defeito. Até o estilo wave – o fashion
da época – é homenageado. Blitz,
B 52’s e a musa Cindy Lauper estão lá,
juntinhos, ao lado do agora comentarista de futebol
Léo Jaime.
Ainda dá para passear pela indefectível
seqüência GLS que tem todos os sucessos disco
e subseqüentes; pelo black trash; e pelo trash
caliente. Quem precisa de máquina do tempo com
uma seleção dessas?
Vocação escondida
O áudio é um plus do site Trash 80s. Como
eles mesmos dizem, é diversão garantida.
Na página pink há links para trasheiras
mil, desde cinema a desenhos animados; na seção
trashers há perfis de assumidos oitentistas;
e na seção festa, os criadores do site
e do evento, que agita São Paulo semanalmente,
dizem como tudo começou. Eneas Neto e o DJ Tonny,
figuras devidamente antenadas com o mundinho eletrônico
resolveram assumir, em 2001, sua veia brega (e de muita
gente).
- Na (festa) Trash a gente toca o "trash"
divertido, kitsch... Coisas que superaram o limite do
pop por terem sido executadas à exaustão...
Exageros... Coisas bregas... Mas raramente coisas totalmente
"ruins"ou de mau gosto no sentido pejorativo...
Como axé "sexista", "bunda"
music, sertanejo, etc... Esse tipo de música
nunca tocaríamos..., escrevem os organizadores.
Ainda bem que eles sabem o que é trash de verdade.
Karina Gomes Barbosa
Especial para o CorreioWeb
Link-o-grafia:
Trash 80s (http://www.trash80s.com.br)
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