Trash 80’s, ano 3 – Temas, shows e afirmação
Por Roberta Ribeiro para Trash 80’s
Até 2004, cada festa tinha um nome e um tema diferente. A partir de março de seu ano 3, a Trash passou a contar também com a tematização mensal. Porém, antes que março se tornasse o mês das mulheres e desse início ao novo ciclo, muita coisa aconteceu.
Janeiro contou com edição especial GLS no espaço Calamus. Também teve a SuperTrash Bahia, com distribuição de tapioca e performances cheias de axé.
No mês seguinte, além do já tradicional Carnaval Kitsch, realizado na Lega Itálica, o público pôde soltar o gogó no karaokê da festa, no Sunset Bar, e ainda assistir ao show de Atchim & Espirro na SuperTrash Circo.
Como março foi dedicado todo às meninas, quem comandou as cabines durante todo o mês foram as trashers. Figurinhas carimbadas como Ana Andreoni, Carol Lorack e a atual produtora da festa, Chiara, fizeram suas estréias nos picapes com muito sucesso.
O cinema ganhou seu mês em abril. Filmes que marcaram a infância e adolescência de muita gente veio para a Trash. E os “pais” da festa, Eneas e Tonyy, surgiram num imenso cartaz cinematográfico, vestidos como os ícones de grandes produtoras, pendurado no palquinho. Também no quarto mês do ano, os trashers puderam reviver o começo de tudo, na Trash D’Hotel, que durou até junho.
Maio, no entanto, não foi considerado o mês de aniversário. A idéia daquele ano era fazer uma homenagem aos cartoons. E numa das festas, um truque que quase todos que conhecem a festa lembram: no flyer, uma imagem de Jem, personagem que teve uma noite com seu nome e a promessa de uma performance em sua homenagem. Só que ficou só na promessa mesmo…
A Parada GLBT teve semana especial na festa, em junho. Foi a primeira vez que o caminhão da Trash 80’s foi para a Paulista e muitos se lembram do dia como um dos melhores da história da festa. No meio do mês, Perla encantou o público com sua música e simpatia. E na última festa do mês, a eleição da primeira Miss Trash. Deu Dedéia Andrade na cabeça, com uma torcida imensa. Em segundo, Lulu Alencar, seguida por Dani Bonani.
Shows não faltaram: Markinhos Moura, Charlie Massó e Afonso Nigro são só alguns exemplos de quem passou pelo Centro no período. E ainda houve mais apresentações no palco da Vila Olímpia, que foi inaugurado em setembro.
Coleções foi o tema que permeou a programação da Trash em julho. Figurinhas, gibis, bonecos, cada mimo teve sua noite. No fim do mês, Mil Bichos invadiram o cortiço e as Gatas Garotas deram um show com a performance “A História de uma Gata”, que você pode conferir na TV Trash.
O mês dos machos trouxe ainda mais coisas novas para a festa. Logo de cara, num tributo a George Michael, um DJ misterioso era anunciado no flyer, deixando todo mundo com a pulga atrás da orelha. Quando o tal “moço” subiu ao palco, surpresa! A assessora de imprensa e fã incondicional do cantor, Ligia Helena, pôs um cavanhaque fake e tocou suas músicas preferidas. Quem também fez sua estréia no comando foi Rafinha Bastos, que, junto com Wander Yukio, inaugurou a Pop Trash no mesmo mês. Que ainda contou com a final do primeiro Mister Trash, uma disputa acirradíssima entre duas figuras famosas da festa: Catatau e Gus Vieira. Com uma torcida enorme, com direito a santinhos e faixas, o segundo saiu coroado. Mas, como foi embora para a Espanha, quem reinou mesmo foi o DJ.
Em setembro, mês das artes, duas novidades importantes: o primeiro Orkontro, com Mauro K. e Nauê (muito antes de sonhar em ser Mister) na cabine. E a Matinê, que, em sua primeira edição, foi Benê e ajudou o Grupo de Incentivo à Vida (GIV).
O mês das crianças foi instituído em outubro e teve como principais atrações Fofão, logo no dia primeiro e Gigi Anheli, na Trash Bambalalão. Vários marmanjos cantaram junto com ela. Aliás, na SuperTrash Xuper Xou du Tréxi de outubro também não faltou emoção. Larinha encarnou a rainha dos baixinhos e levou o público ao delírio, na festa que foi considerada a melhor do ano. No dia seguinte, fantasias e bizarrices: foi dia de Halloween no Hotel.
Para fechar um ano brilhante, novembro viu a diversidade sexual e o respeito serem o “alvo” da Trash e dezembro vingou como mês de retrospectiva, para que todos os fatos e festas mais importantes fossem recordados, num ano em que a Trash 80’s se firmou como sinônimo de diversão garantida e festa boa para São Paulo. E pensa que parou por aí? De jeito nenhum! Espera só pra ver 2005.



Grande parte dos filmes a que assistimos no cinema ou mesmo que passam na TV e que alugamos tem o que ficou conhecido como “easter egg”. A tradução ao pé da letra é “ovo de Páscoa”. Porém, esses “ovos” são, na verdade, pequenos detalhes colocados propositalmente pelos diretores ou produtores do filme. Surpresas que, para um espectador menos atento, passam despercebidas.
Linguagem de videoclipe, recursos gráficos avançados e um roteiro por vezes non-sense eram os principais ingredientes de uma das séries com cara de verão mais acentuada entre as já produzidas no Brasil. “Armação Ilimitada” foi exibida pela primeira vez em 17 de maio de 1985 e teve seu último capítulo levado ao ar três anos depois, em 8 de dezembro de 1988.
A primeira vez que eu apareci na Trash, em um dia de agosto de 2004, prometi que não voltaria mais. Achei tudo muito estranho. O lugar lotado, quente. Saí antes das 2h, bem irritada. Mas passado uns dois meses, de tanto ouvir alguns amigos falarem que lá era um lugar mágico, assim como um mundo paralelo, não resisti e voltei.