Arquivo para maio, 2006


Trash 80’s, ano 3 – Temas, shows e afirmação

Por Roberta Ribeiro para Trash 80’s

Até 2004, cada festa tinha um nome e um tema diferente. A partir de março de seu ano 3, a Trash passou a contar também com a tematização mensal. Porém, antes que março se tornasse o mês das mulheres e desse início ao novo ciclo, muita coisa aconteceu.

Janeiro contou com edição especial GLS no espaço Calamus. Também teve a SuperTrash Bahia, com distribuição de tapioca e performances cheias de axé.
No mês seguinte, além do já tradicional Carnaval Kitsch, realizado na Lega Itálica, o público pôde soltar o gogó no karaokê da festa, no Sunset Bar, e ainda assistir ao show de Atchim & Espirro na SuperTrash Circo.

Como março foi dedicado todo às meninas, quem comandou as cabines durante todo o mês foram as trashers. Figurinhas carimbadas como Ana Andreoni, Carol Lorack e a atual produtora da festa, Chiara, fizeram suas estréias nos picapes com muito sucesso.

O cinema ganhou seu mês em abril. Filmes que marcaram a infância e adolescência de muita gente veio para a Trash. E os “pais” da festa, Eneas e Tonyy, surgiram num imenso cartaz cinematográfico, vestidos como os ícones de grandes produtoras, pendurado no palquinho. Também no quarto mês do ano, os trashers puderam reviver o começo de tudo, na Trash D’Hotel, que durou até junho.

Maio, no entanto, não foi considerado o mês de aniversário. A idéia daquele ano era fazer uma homenagem aos cartoons. E numa das festas, um truque que quase todos que conhecem a festa lembram: no flyer, uma imagem de Jem, personagem que teve uma noite com seu nome e a promessa de uma performance em sua homenagem. Só que ficou só na promessa mesmo…

A Parada GLBT teve semana especial na festa, em junho. Foi a primeira vez que o caminhão da Trash 80’s foi para a Paulista e muitos se lembram do dia como um dos melhores da história da festa. No meio do mês, Perla encantou o público com sua música e simpatia. E na última festa do mês, a eleição da primeira Miss Trash. Deu Dedéia Andrade na cabeça, com uma torcida imensa. Em segundo, Lulu Alencar, seguida por Dani Bonani.

Shows não faltaram: Markinhos Moura, Charlie Massó e Afonso Nigro são só alguns exemplos de quem passou pelo Centro no período. E ainda houve mais apresentações no palco da Vila Olímpia, que foi inaugurado em setembro.

Coleções foi o tema que permeou a programação da Trash em julho. Figurinhas, gibis, bonecos, cada mimo teve sua noite. No fim do mês, Mil Bichos invadiram o cortiço e as Gatas Garotas deram um show com a performance “A História de uma Gata”, que você pode conferir na TV Trash.

O mês dos machos trouxe ainda mais coisas novas para a festa. Logo de cara, num tributo a George Michael, um DJ misterioso era anunciado no flyer, deixando todo mundo com a pulga atrás da orelha. Quando o tal “moço” subiu ao palco, surpresa! A assessora de imprensa e fã incondicional do cantor, Ligia Helena, pôs um cavanhaque fake e tocou suas músicas preferidas. Quem também fez sua estréia no comando foi Rafinha Bastos, que, junto com Wander Yukio, inaugurou a Pop Trash no mesmo mês. Que ainda contou com a final do primeiro Mister Trash, uma disputa acirradíssima entre duas figuras famosas da festa: Catatau e Gus Vieira. Com uma torcida enorme, com direito a santinhos e faixas, o segundo saiu coroado. Mas, como foi embora para a Espanha, quem reinou mesmo foi o DJ.

Em setembro, mês das artes, duas novidades importantes: o primeiro Orkontro, com Mauro K. e Nauê (muito antes de sonhar em ser Mister) na cabine. E a Matinê, que, em sua primeira edição, foi Benê e ajudou o Grupo de Incentivo à Vida (GIV).
O mês das crianças foi instituído em outubro e teve como principais atrações Fofão, logo no dia primeiro e Gigi Anheli, na Trash Bambalalão. Vários marmanjos cantaram junto com ela. Aliás, na SuperTrash Xuper Xou du Tréxi de outubro também não faltou emoção. Larinha encarnou a rainha dos baixinhos e levou o público ao delírio, na festa que foi considerada a melhor do ano. No dia seguinte, fantasias e bizarrices: foi dia de Halloween no Hotel.

Para fechar um ano brilhante, novembro viu a diversidade sexual e o respeito serem o “alvo” da Trash e dezembro vingou como mês de retrospectiva, para que todos os fatos e festas mais importantes fossem recordados, num ano em que a Trash 80’s se firmou como sinônimo de diversão garantida e festa boa para São Paulo. E pensa que parou por aí? De jeito nenhum! Espera só pra ver 2005.


Escrito em 27 de maio de 2006 por felipe em Cultura Trash, QG da Comunicação | No Comments »

“Easter eggs”: surpresas quase imperceptíveis no cinema

Por Roberta Ribeiro, com colaboração de Elisa Priedols, para Trash 80’s

Grande parte dos filmes a que assistimos no cinema ou mesmo que passam na TV e que alugamos tem o que ficou conhecido como “easter egg”. A tradução ao pé da letra é “ovo de Páscoa”. Porém, esses “ovos” são, na verdade, pequenos detalhes colocados propositalmente pelos diretores ou produtores do filme. Surpresas que, para um espectador menos atento, passam despercebidas.

Aí vão alguns exemplos:

- Em “Alien, o Resgate”, segundo filme da série, quem ficou no cinema até o fim dos créditos pôde ter a certeza de que haveria mais uma das gosmentas películas. Isso porque é possível ouvir o som de um ovo do monstro se rompendo quando a trilha musical termina. O interessante é que “Alien 3” só seria filmado seis anos depois. Mas fica a prova de que já era imaginado bem antes.

- Quando Marty McFly entra na loja onde compra o Almanaque que causará várias confusões em “De Volta para o Futuro II”, é possível ver um boneco de Roger Rabbit numa prateleira. Isso se explica porque Robert Zemeckis é o diretor tanto da famosa trilogia “De Volta para o Futuro” quanto de “Uma Cilada para Roger Rabbit”, que foi lançado um ano antes da segunda parte da aventura futurista.

- Nem os filmes “cult” escapam. Quando assistir a Blade Runner, preste muita atenção quando a personagem de Harrison Ford levar o casal asiático para um passeio pela cidade em seu carro voador: um dos prédios por que passam é a nave do imperador de “Star Wars”. Filme do qual, aliás, Ford também participou.

- No cinema da cidade onde os “Gremlins” atacam, dois filmes estão em cartaz. Um chama-se “A Boy’s Life” e o outro “Watch the Skies”. Nomes, respectivamente, de “E.T – O Extraterrestre” e “Contatos Imediatos de Terceiro Grau”, quando ainda estavam em produção.

- Falando em “E.T.”, Steven Spielberg não se contentou em ser apenas diretor. Quando o simpático alienígena sofre uma parada cardíaca, fique de olho nos médicos que o socorrem. Um deles é Spielberg, com máscara no rosto.

- Outro diretor que gosta de ser lembrado em seus próprios filmes é John Hughes. Em “Curtindo a Vida Adoidado”, as placas dos carros dos personagens remetem a outros filmes dele. Assim, o carro de Jeanie, irmã de Ferris, é TBC. Iniciais de “The Breakfast Club”, título original de “Clube dos Cinco”. O do pai dele, Tom, tem a placa MMOM, em referência à “Mr. Mom”, que no Brasil ficou conhecido como “Dona de Casa por Acaso”.

Esses são apenas alguns dos milhares de “easter eggs” encontrados em filmes 80’s. Para quem quiser conhecer outros, vale acessar o site http://www.eeggs.com, em inglês, que tem surpresas de filmes de todos os tempos. Depois de conhecer algumas desses “ovos”, provavelmente algumas pessoas se tornarão espectadores mais atentos.

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Escrito em 19 de maio de 2006 por Alessandro em Cultura Trash, QG da Comunicação | No Comments »

“Armação Ilimitada” – palavra-chave: modernidade

Por Roberta Ribeiro para Trash 80´s

Linguagem de videoclipe, recursos gráficos avançados e um roteiro por vezes non-sense eram os principais ingredientes de uma das séries com cara de verão mais acentuada entre as já produzidas no Brasil. “Armação Ilimitada” foi exibida pela primeira vez em 17 de maio de 1985 e teve seu último capítulo levado ao ar três anos depois, em 8 de dezembro de 1988.

A história gira em torno de Juba e Lula, dois surfistas que também amam outros esportes radicais e montam uma empresa, que dá nome à série. No mesmo apartamento em que eles moram, vivem também Zelda Scott e o garoto Bacana. A primeira é uma jornalista, filha de ex-exilados políticos e fã de Simone de Beauvoir. Tem como melhor amiga a tresloucada Ronalda Cristina e obedece a um chefe ranzinza. É clássico o episódio em que ela pensa que ele está uma flor e o chefe aparece com pétalas gigantes em torno do pescoço.

Já Bacana é um menino órfão que o trio adota e que serve como secretário da empresa, que realiza tarefas no céu, na terra e na água. O pequeno era o mais centrado da estranha família. Era ele quem tinha “juízo” e trazia os adultos para terra firme quando necessário.

Além de todas essas novidades, “Armação Ilimitada” também contava com temas muito à frente dos 80. Para começo de conversa, o par romântico era, na verdade, um triângulo amoroso. Zelda nunca conseguiu definir se queria namorar Juba ou seu sócio. Então, mantinha o relacionamento com os dois, que, mesmo sabendo disso, continuavam amigos.

Também muito antes da chamada “geração saúde”, os personagens centrais da trama já tinham preocupações como se alimentar de forma saudável e praticar esportes sempre.

E, se voltarmos à estrutura do programa, não há como não se impressionar com Black Boy, a narradora que contava a história usando o rap como base.

Num país recém-saído da ditadura militar como o Brasil de 1985, “Armação Ilimitada” veio como um tapa de modernidade nas narrativas de televisão. Com muita ação e poucas falas, a série mostrou que era possível produzir para jovens sem infantilizá-los. Receita que, posteriormente, foi utilizada com a “TV Pirata”, que já teve seu espaço aqui no Cultura.

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Escrito em 19 de maio de 2006 por Alessandro em Cultura Trash, QG da Comunicação | No Comments »

Bruna Ramachiotti

A primeira vez que eu apareci na Trash, em um dia de agosto de 2004, prometi que não voltaria mais. Achei tudo muito estranho. O lugar lotado, quente. Saí antes das 2h, bem irritada. Mas passado uns dois meses, de tanto ouvir alguns amigos falarem que lá era um lugar mágico, assim como um mundo paralelo, não resisti e voltei.

Ao chegar lá pela segunda vez, parece que meus olhos viram uma outra festa. Um DJ de óculos escuros e algumas pessoas que faziam coreografias naquele palquinho me encantaram, não conseguia tirar os olhos daquele lugar. E, passado algum tempo eu já estava surtando na pista com o Chico e a Dani Bonani, que eu acabara de conhecer.

Desde então minha vida não foi mais a mesma, precisava sempre daquele lugar, em que eu entrava e parecia que tudo de ruim era deixado do lado de fora, necessitava sentir aquela energia.

Passei então a freqüentar os flogs dos trashers e acabei descobrindo mais pessoas maravilhosas. Já não conseguia mais aparecer somente uma ou duas vezes por mês, e, à medida que comecei a conhecer mais pessoas, passei a ir sozinha, porque sabia que chegando lá ia encontrar pessoas que já faziam parte da minha vida.

A partir de então me tornei freqüentadora assídua, assim como um “trasher de carteirinha”, e hoje, mais do que isso, compreendo que nesse mundo dos sonhos, também faço parte.

Espero sempre ansiosamente pela quinta feira, porque sei que vou chegar lá e ter o abraço de pessoas que se tornaram tão importantes para mim, algumas das quais tenho a certeza de que levarei para sempre. Encontrei pessoas tão distintas, mas que me mostraram que mesmo na diferença é possível ter muitas afinidades e isso me encanta.

O mais fantástico da Trash é que as pessoas vão lá apenas para se divertir, sem nenhum tipo de preconceito, e o clima de uma festinha de amigos, que não se encontra em nenhum outro lugar. Resumindo, a Trash é a melhor festa da cidade, onde se encontra a melhor energia e as melhores pessoas.

Sei que é clichê, mas é inevitável agradecer a todos que de alguma maneira fazem da Trash um lugar tão mágico, que colocou pessoas tão maravilhosas na minha vida e que se tornou a minha segunda casa.

Três coisas que eu mais gosto na Trash:
1) Saber que toda vez que eu entro lá, posso conhecer alguém que vai se tornar um grande amigo.
2) O clima da festa que te contagia logo na entrada, não há como ficar triste na Trash.
3) Surtar com as músicas que só tocam lá.


Escrito em 19 de maio de 2006 por felipe em QG da Comunicação, Trasher da Semana | No Comments »
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