Arquivo para janeiro, 2005


Mocinho, vilão… machos da televisão

Por Roberta Ribeiro para Trash 80´s

Quem disse que machos não podem gostar de novelas? Num país em que grande parte da população tem em sua memória os rocambolescos roteiros das 18h, das 19h e das 21h, é normal encontrar aqui e ali homens noveleiros. Até porque alguns dos personagens mais marcantes dos folhetins foram “cabras” que muito telespectador adoraria imitar.

Em 1984, entra no ar a novela “Rabo de Saia”. O personagem principal, Seu Quequé, vivido por Ney Latorraca, é um caixeiro-viajante trígamo. Isso mesmo! Casado com três mulheres, uma em cada cidade onde costuma parar em suas viagens. Ama as três e é amado por elas. Até que as esposas descobrem as outras famílias dele! O desfecho da história? Quequé consegue ludibriar as três e continuar sua vida com três famílias. Nem Gilberto Freyre, famoso antropólogo que tinha permissão da esposa para traí-la, faria melhor!

Um ano depois, em Roque Santeiro, uma das novelas-símbolo da década ao lado de “Vale Tudo”, Sinhozinho Malta (numa interpretação memorável de Lima Duarte) desbancou o galã Roque Santeiro, vivido por José Wilker, e terminou a novela com a disputada viúva Porcina (Regina Duarte). Isso depois de ela ter ficado indecisa entre os dois e ainda ter tido um caso com o personagem de Fábio Júnior! Ganhou o machão, aquele que só de olhar impunha medo. Mas que, no fundo, não conseguiria viver sem o amor da nada nobre dama.

Renato Villar era o personagem de Tarcísio Meira em “Roda de Fogo”, que foi ao ar em 1986. Típico vilão que vira mocinho ao descobrir que sua vida está por um fio, Renato se apaixonou pela juíza que ia julgar seus crimes, Lúcia Brandão, vivida por Bruna Lombardi. A atriz era considerada um ícone de beleza na época, por isso não causava espanto que, na ficção, conseguisse até transformar um mau-caráter em candidato a santo.

Outro machão grosseirão e que acabou levando a melhor foi Tony Carrado (Nuno Leal Maia), em “Mandala”, de 1987. Foi ele quem curou o coração partido da “Deusa” Jocasta (Vera Fischer) quando esta descobriu que o homem que amava era seu próprio filho, Édipo (Felipe Camargo). Carrado era mais velho e bem menos atraente que Édipo. Mas venceu pela insistência e levou o “peixão” pra casa. Já na vida real, Felipe Camargo deixou de lado a diferença de idade entre ele e Vera e casou com sua mãe ficcional.

Agora, o último personagem macho de dar inveja em qualquer marmanjo não esteve em novelas da Rede Globo. Em 1989, a Manchete levou ao ar “Kananga do Japão”, novela passada na década de 30. Alex, personagem de Raul Gazolla, fazia Dora (Christiane Torloni) babar, as espectadoras suspirarem e os homens quererem aprender a dançar como forma de seduzir melhor e exporem mais sua sensibilidade. Isso sem deixarem de ser másculos!

Os machos das novelas inspiraram, sim, muitos machos noveleiros durante a década de 80. Mocinhos ou vilões, alavancaram audiências e conquistaram multidões. E alguém ainda duvida que novela também seja coisa de homem?


Escrito em 27 de janeiro de 2005 por felipe em Cultura Trash, QG da Comunicação | No Comments »

Maguila e o boxe no Brasil

Por Roberta Ribeiro para Trash 80´s

Provavelmente as mulheres nunca serão capazes de entender o fascínio que esportes violentos como o boxe causam nos homens. A graça de ver dois sujeitos se surrando sem piedade é algo que não é compreensível para o sexo “frágil” e de estômago sensível. Mas não dá pra ignorar o quanto o ringue atraía público para a frente da televisão, no Brasil da década de 80.

Um dos motivos mais fortes para tanta popularidade residia no fato de o país ter visto Éder Jofre sagrar-se campeão ainda na década de 60 e, logo no começo dos 80, surgir aquele que seria um dos mais representativos boxeadores do país em todos os tempos: Adilson Rodrigues, o Maguila.

Sergipano de Aracaju, o pugilista veio de uma família muito pobre e seu pai já mostrava uma característica que também o filho carregaria: ser um atrapalhado. Tanto que, ao invés de registrar cada um dos vinte filhos quando estes nasciam, esperava juntar uma “boa quantidade” e só então ia ao cartório. Claro que ele se confundia com as datas e os filhos: Adilson acabou por ser registrado como se tivesse nascido em junho de 1958, quando nasceu mesmo em julho. Ainda jovem, iniciou-se em outra profissão: a de pedreiro. Mas não tinha jeito, seu lugar era mesmo em cima dos ringues.

Logo no início da década de 80, a TV Bandeirantes, por meio de seu diretor de esportes, Luciano do Valle, decidiu investir pesado para transformar o boxe em espetáculo. Apesar de já ter um público interessado, só o que se viam eram lutadores de categorias como peso pena e peso galo. Na categoria mais famosa, havia pouquíssimos representantes brasileiros. Maguila era um deles.

Com 1.86 m, cem quilos, uma direita demolidora e muita valentia, não era de surpreender que rapidamente ele se tornasse um ídolo do esporte no Brasil. E ele correspondeu! Afinal, chegou a ser o segundo no ranking da Associação Mundial de Boxe e lutou com grandes nomes da época, menos um: o temido Mike Tyson. Tudo porque, em lutas que poderiam garantir a disputa posterior com Tyson, Maguila acabou por perder. Foi derrotado por Evander Holyfield e por George Foreman. Depois disso, a mídia o deixou de lado (a essa altura, a Rede Globo havia comprado os direitos de transmissão das lutas), e ele foi obrigado a dar outro rumo à vida.

Mesmo não sendo considerado o melhor lutador brasileiro de todos os tempos (título que pertence, merecidamente, a Eder Jofre), Maguila é uma marco do pugilismo no país. E um exemplo de brasileiro que optou por mudar sua vida, indo atrás do sonho de ser boxeador. Mais que adotar o esporte como profissão, Adilson Maguila Rodrigues escolheu combater a pobreza com os punhos cerrados.

Literalmente.


Escrito em 27 de janeiro de 2005 por felipe em Cultura Trash, QG da Comunicação | No Comments »

Force no “R” e solte a voz: música sertaneja

Por Roberta Ribeiro para Trash 80´s

“E ontem, o que eu encontrei me deixou mais triste / Um pedacinho dela que existe / Um fio de cabelo no meu paletó…” ou “Ainda ontem chorei de saudade / Relendo a carta, sentindo o perfume…”. Quem nunca ouviu uma dessas pérolas que atire a primeira viola! E não adianta negar: por mais que não se goste, é praticamente impossível não decorar pelo menos o refrão logo na primeira vez que se ouve. E até mesmo a Trash 80’s vez por outra se rende às letras melosas e ao “erre” dito caipira, tão comum no interior do Brasil.

Todo fã de sertanejo sabe: o que mostram nas novelas por aí nada tem a ver com as canções que realmente são trilha sonora nos rincões brasileiros. Para começar, muito do que as pessoas ouvem é uma mistura de música pop com o country norte-americano, quer dizer, música que já sofreu influência do exterior, além de ter um pé na cidade. O ultra-romantismo, que muitos chamam de dor de corno, é outro diferencial. Logicamente que no sertanejo “de raiz” também há canções amorosas. Mas a terra, o interior e seus costumes têm seu espaço garantido em primeiro lugar.

Daí, percebe-se que é possível separar “sertanejo” de “caipira de raiz”. Mas onde entram os anos 80 nisso? Obviamente a música sertaneja tem toda uma história anterior à “década perdida”, mas nos anos 80 o “cancioneiro violado” atingiu níveis de popularidade nunca antes vistos! Nem que fosse só para atirar pedras, a crítica foi obrigada a prestar atenção pela primeira vez e trouxe à tona duplas como Milionário e José Rico, Pena Branca e Xavantinho e até mesmo Chitãozinho e Xororó, que pouca gente sabe, mas tem discos lançados desde a década de 70.

Boa ou ruim? Não há como julgar. A música caipira deve ser respeitada por ser uma manifestação cultural realmente brasileira, cuja origem está longe dos grandes centros e megalópoles do país. É difícil pensar num repertório brasileiro sem mencionar a importância deste estilo.


Escrito em 27 de janeiro de 2005 por felipe em Cultura Trash, QG da Comunicação | No Comments »

“TV Pirata”: piadas para refletir

Por Roberta Ribeiro para Trash 80´s

Até meados da década de 80, os programas humorísticos televisivos no Brasil seguiam um padrão comum. Eram formados por esquetes curtos e alguns quadros fixos. Bons exemplos são “Chico City” e “Viva o Gordo”, de Chico Anysio e Jô Soares, respectivamente.

Isso começou a mudar quando, em junho de 1988, entrou no ar a “TV Pirata”. Dirigido por Guel Arraes, o programa contava com um elenco estrelado e com roteiristas como Mauro Rasi e os então desconhecidos membros do Casseta & Planeta. A intenção era, a princípio, metalingüística: fazer uma crítica bem-humorada à televisão no país e, coisa inédita, à própria emissora que levava a atração ao ar, a Rede Globo.

A originalidade começava pelo nome, roubado dos próprios ladrões da TV daquela época. Explica-se: nos anos 80, era comum para o telespectador estar sintonizado num canal e, em pleno horário nobre, ter seu aparelho “invadido” por emissoras ilegais que usavam as ondas das emissoras devidamente registradas para chamar o público. Pirateamento de transmissão, que a Globo cansou de ver acontecer, às vezes em pleno “Jornal Nacional”. Situação revertida a favor da emissora quando a mesma utilizou o nome “TV Pirata” para um programa de humor.

Um exemplo de paródia muito lembrada por quem assistiu ao humorístico foi “Fogo no Rabo”, que satirizava a novela “Roda de Fogo”. O diferencial do quadro era exatamente “pegar no pé” de outro sucesso da grade da emissora carioca, que sempre se orgulhou de produzir folhetins de qualidade e que, com “TV Pirata”, via todos os erros e canastrices de sua principal atração serem satirizados.

A realidade do país também virou alvo do programa, que fazia rir e, ao mesmo tempo, refletir. Nesse sentido, o melhor exemplo talvez seja o quadro “As Presidiárias”. O cotidiano de uma carceragem hilária, onde as presas discutiam as condições em que viviam e onde Tonhão, personagem lésbica de Claudia Raia, aprontava das suas, levava o público a pensar tanto na sexualidade dos presos como na violência que ocorria nos presídios. Mais ainda: surgia a reflexão a respeito da possibilidade de alguém melhorar naquele ambiente… Tudo isso com muitas risadas e leveza.

No universo televisivo, onde a máxima do “nada se cria, tudo se copia” impera, a “TV Pirata” veio ser exceção à regra. Com tiradas inteligentes, que faziam rir de assuntos sérios, divertindo o público com as falhas de uma sociedade de que todos faziam parte, a série semanal conseguiu fazer pensar muito mais que muitas outras atrações não-cômicas que pretendiam provocar a reflexão. Proeza de uma equipe que, em sua maioria, ainda hoje utiliza-se da fórmula ali aplicada para conseguir o mesmo efeito.


Escrito em 27 de janeiro de 2005 por felipe em Cultura Trash, QG da Comunicação | No Comments »

Rê Bordosa: um ícone junkie da década perdida

Por Roberta Ribeiro para Trash 80´s

Pra falar de Rê Bordosa, é bom falar de Angeli. E vice-versa. O cartunista que deu vida à personagem vê na profissão uma forma de diálogo com o público. Por isso mesmo, prefere falar sobre sexo, drogas e rock’n’roll do que sobre assuntos que podem ser considerados polêmicos, mas que não o interessam particularmente.

Rê, por exemplo, é uma mulher paulistana dos anos 80, período em que foi criada. Aquela que bebia demais, fazia as piores misturas, usava as drogas mais pesadas, fazia sexo casual sempre e depois sentia culpa e se curava, de ressaca, numa banheira. Aquela que até queria levar uma vida “normal”, mas que não resistia às tentações junkies que apareciam durante o percurso.

Em entrevista para a revista eletrônica Top Magazine, Angeli conta dois fatos curiosos que o ajudaram a compor o personagem. Primeiro, ao entrar num banheiro masculino às quatro da manhã, dar de cara com uma moça usando o mictório e ficar pasmo, afirma tê-la ouvido dizer que, àquela hora da madrugada, era capaz de coisas que até Deus duvidava. Depois, em um bar com o amigo Mario Prata, assistiu duas moças e um rapaz se atracarem, enquanto o filho de uma delas dormia, tranqüilamente, em duas cadeiras. Rê Bordosa é a essência superlativa das duas cenas. Da mulher que tem atitude, mas tenta se explicar por isso.

Com tiras que contavam uma história completa por dia, Rê foi o personagem que elevou Angeli ao Olimpo dos cartunistas brasileiros. Se Chiclete com Banana, Wood & Stock e Bob Cuspe, entre tantas outras criações do cartunista, fizeram sucesso, Rê Bordosa foi aquela que o tornou conhecido por todo o país. Os homens gostam dela por não se preocupar tanto com sua feminilidade. E as mulheres a amam por fazer questionamentos que, ainda hoje, toda mulher faz um dia, mas não em público!

Aliás, tudo o que se refere à Rê deveria ser dito no passado, já que ela morreu de tédio há um bom tempo. Ainda assim, é tão popular que, vez ou outra, Angeli a faz aparecer (como lembrança ou fantasma). No fundo, a personagem que retrata tão bem uma geração, tornou-se um mito que nem a morte, imposta por seu criador, conseguiu apagar.


Escrito em 27 de janeiro de 2005 por felipe em Cultura Trash, QG da Comunicação | No Comments »

Bozo: o palhaço de todos nós

Por Roberta Ribeiro para Trash 80´s

Dificilmente existe alguém que tenha vivido a infância na década de 80 não conhece o palhaço Bozo. O programa que levava esse nome estreou na antiga TVS (atual SBT) em 1980, mas a história da marca vem de muito antes.

Bozo foi criado em 1946 pela Capitol Records, gravadora norte-americana. Apenas três anos depois, em 1949, com a popularização da TV nos Estados Unidos, o palhaço ganhou seu primeiro programa. Foi então que Larry Harmon, um dos primeiros a incorporar a figura de roupa azul e cabelo vermelho espetado na horizontal, comprou os direitos da personagem e a transformou em franquia, vendida para 240 estações de televisão em mais de 40 países.

Assim, Silvio Santos resolveu colocar no ar o programa. Bozo foi interpretado por vários atores. O primeiro deles foi Wandeko Pipoca, aprovado por Larry Harmon. Depois vieram Arlindo Barreto, Décio Roberto e Luís Ricardo. Sim, o atual garoto propaganda do Baú da Felicidade foi um dos que vestiram a roupa do palhaço. Outra curiosidade? Arlindo atualmente é pastor da igreja batista e, entre seus projetos estava o de um programa na MTV.

Nada porém seria igual ao Bozo 80’s no SBT. Afinal, o programa contava com participações especiais de outras personagens divertidas como Vovó Mafalda, Papai Papudo e Bozolina. E com brincadeiras como o Bozo Memória e a corrida de cavalos (você não tinha a impressão de que o cavalo malhado ganhava sempre?).

Dá vontade de voltar praqueles tempos só para ficar em frente à TV vendo o programa de novo. “Ah, que peninha que a vida passa tão rápido!”


Escrito em 27 de janeiro de 2005 por felipe em Cultura Trash, QG da Comunicação | 1 Comment »

Daniel Azulay: apresentador e educador de programa infantil

Por Roberta Ribeiro para Trash 80´s

Nem todos os programas infantis da década de 80 dependiam da boa vontade de uma loura de botas para existir. Com uma proposta mais educativa, Daniel Azulay alegrava o dia da criançada e tinha um perfil nada comum para apresentadores: usava óculos, gravata borboleta e suspensório e tinha como assistentes a Turma do Lambe-Lambe, que dava nome ao programa.

O grande atrativo eram as aulas de desenho, nas quais Daniel ensinava técnicas de ilustração para os telespectadores. Para isso, contava com a ajuda das personagens da Turma: Ritinha, uma menina que sonhava se tornar uma grande empresária; Damiana, arteira e a rainha de arrumar confusões; a vaca Gilda, cantora, que queria sempre estar no auge da moda, mas acabava cafona; Pita, um mágico tagarela e seus inseparáveis amigos Tristinho, malabarista, e Piparote, aprendiz de domador; e também Xicória, uma galinha cozinheira que servia, por vezes, de cobaia aos experimentos do grande cientista Professor Pirajá. Todos criações de Azulay, que chegou a lançar revistas em quadrinhos, álbuns de figurinhas e livros para colorir da trupe.

Outra área em que o desenhista se arriscou foi na fonográfica: lançou discos que até fizeram um certo sucesso à época. “Algodão Doce”, uma das canções que tocavam no programa, fez tanto sucesso que, quase 25 anos depois, ganhou uma homenagem da apresentadora Eliana.

Atualmente, Daniel cuida das oficinas de desenho franqueadas que levam seu nome por todo o país e de um projeto social que visa à inclusão de menores pelas artes, auxiliados por voluntários.

Sem ser maçante, Daniel Azulay conseguia prender a atenção das crianças e lhes ensinava lições úteis. Trabalho educativo que raramente se vê na televisão brasileira e que faz muita falta.


Escrito em 27 de janeiro de 2005 por felipe em Cultura Trash, QG da Comunicação | No Comments »

Hora do recreio, hora de brincar

Por Roberta Ribeiro para Trash 80´s

“Brincadeira de criança, como é bom…”. A música pode até não ser dos anos 80, mas serve para fazer lembrar de bons momentos vividos na infância. Um bom momento para colocar em prática todos os jogos e passatempos possíveis era a hora do recreio da escola.Para os meninos, o mais comum era aproveitar o tempo para jogar futebol. Como nem sempre havia bola, o jeito era improvisar. Até latinha de refrigerante servia, mas o mais comum eram as bolas de meia, feitas com no mínimo três pares do vestuário. As lancheiras (que depois de uma certa idade eram abolidas e causavam vergonha) serviam como traves, depois de devidamente esvaziadas, é claro. E a pelada, sem juiz, afinal todos queriam jogar, ia longe. O problema eram as “invasões de campo”, pois o pátio não podia ser dominado por apenas um grupo de amigos.

Quando as salas, mesmo de séries diferentes, eram bastante unidas, dava até para organizar campeonatos (e aí se resolvia parcialmente o problema de dividir espaço). E não só o futebol tinha vez. Jogar “queimada” com as bolas improvisadas também fazia a alegria das turmas. A melhor parte: times mistos permitiam às meninas participar do jogo.

Sem bola, a primeira alternativa, que colocava os bedéis em polvorosa, era brincar de pega-pega. Controlar a correria e impedir que os pequenos rachassem a cabeça em quinas ou se machucassem ao dar um tropeção era tarefa quase impossível. Para evitar este tipo de trauma, muitos optavam por sugerir outras brincadeira, como o vivo-ou-morto (vivo = em pé, morto = agachado, saía quem não respeitasse o comando da maneira certa), duro-ou-mole (duro = ficar parado no lugar, mole = correr de um perseguidor) ou esconde-esconde.

Já as meninas, quando decidiam fazer o clube da Luluzinha, davam preferência a passatempos como as cantigas e palmas, como Adoleta e várias outras que nem sempre faziam sentido, mas que divertiam muito. Pular elástico também era certeza de risadas e alegria.

Com tanta farra, a energia acumulada em horas sentados numa carteira era parcialmente gasta. Assim, os professores podiam seguir com as aulas com seus “anjinhos” um pouco mais calmos (e cansados!) que antes do sinal bater.


Escrito em 27 de janeiro de 2005 por felipe em Cultura Trash, QG da Comunicação | No Comments »

Mês das Divas: Madonna

Por Roberta Ribeiro para Trash 80´s

Há quem diga que as grandes divas só existiram nos anos 50. Sem muito esforço é possível perceber que isso não é verdade. A década de 80 também foi pródiga em número e qualidade de musas.

A maior delas, que já esteve anteriormente num Cultura Trash sobre moda, atende pelo nome de Madonna. Assim como outros grandes nomes femininos do meio artístico dos anos de néon, que serão aqui retratados, a material girl atravessou mais de vinte anos servindo de modelo de rebeldia e vanguarda para um público sempre ávido por novidades.

Nascida Madonna Louise Ciccone, com uma infância triste (perdeu a mãe aos cinco anos de idade), a super estrela saiu ainda jovem da casa do pai para fazer faculdade de dança no Michigan. Sem terminar o curso, seguiu para Nova Iorque com apenas 35 dólares no bolso, em 1979, e passou a freqüentar cursos de dança e posar nua para estudantes de fotografia, para sobreviver. Cantar só seria uma atividade de Madonna a partir de 1980, quando faz backing vocal para Patrick Hernandez (“Born To Be Alive”), durante três meses. Então, volta à Big Apple e grava seu primeiro filme. Sim, ela estreou antes na telona, que nas rádios, com “Um Certo Sacrifício”.

Depois de tentar com duas bandas, finalmente, em setembro de 1983, sai o álbum “Madonna”, com sucessos como “Borderline”, “Lucky Star” e “Holiday”. Aparecia para o mundo aquela que seria a cantora a mais vender discos em todos os tempos. Ainda no final de 1984, vive a primeira de uma série de polêmicas: lança “Like a Virgin” e aparece vestida de noiva no MTV Awards. Três filmes, três LPs e um casamento fracassado com o ator Sean Penn depois, Madonna termina a década de 80 pondo fogo – literalmente – no show business. Beija um santo e incendeia uma cruz no clipe de “Like a Prayer”. E, não contente, começa a mostrar seu lado sado-masoquista e bissexual com o vídeo de “Justify My Love”, além de gerar o mega sucesso “Vogue”, ambos do LP “Immaculate Collection”. Isso tudo em apenas sete anos de estrada.

O que veio depois, já nos anos 90 e na década atual, foi sempre uma busca incessante por se manter sincronizada com as novas tendências musicais. Assim, não é de surpreender que o mais recente álbum da cantora – “Confessions On a Dance Floor” – tenha pitadas de electro e toques de r&b estilizados.

Seu envolvimento com a moda e com grandes estilistas também ajudaram bastante a formar a imagem de maior diva pop dos últimos vinte e poucos anos.

Mas, afinal, o que faz Madonna ser musa depois de tanto tempo? E o que a elevou a esse status? Começando pelo óbvio, ela é linda. Sempre se cuidou para que nada estragasse sua imagem, que pode sim ser considerada fabricada, porém não deixa de ser bela. O comportamento sem muitos freios e a coragem de arriscar-se em outras áreas da produção cultural também ajudam bastante. Por fim, a já citada atualidade das produções faz com que ela nunca deixe de estar em voga. De fazer o coração dos fãs palpitarem mais forte apenas em imaginar o que mais possa vir numa carreira tão extraordinária. Como a de toda boa diva.


Escrito em 27 de janeiro de 2005 por felipe em Cultura Trash, QG da Comunicação | No Comments »

Mês das Divas: Whitney Houston

Por Roberta Ribeiro para Trash 80´s

Em 9 de agosto de 1963 nascia em Newark, New Jersey, Whitney Elizabeth Houston, filha de Cissy e John Houston. A mãe, também cantora, não pôde ficar em casa para cuidar da filha. Amiga de nomes como Aretha Franklin, Cissy chegou a ter discos gravados e tão logo se recuperou do parto voltou para a estrada, numa turnê, deixando a pequena sob os cuidados do pai. Daí dá para saber de onde vem o talento da menina para a música.

Com apenas 11 anos, Whitney fez seu primeiro solo, na igreja batista que sua família freqüentava. Fixou os olhos num relógio, no fundo da capela e cantou “Guide Me, O Thou Great Jehovav”. Quando acabou, os fiéis aplaudiram e choraram com o que haviam presenciado. Começava assim uma carreira de muito sucesso.

Antes de gravar um disco, Whitney chegou a ser modelo. Fez capas de revistas famosas nos Estados Unidos, como “Cosmopolitan”, “Glamour” e “Seventeen”.

Mas não era por sua aparência que ela ficaria conhecida. Ainda em 1983, Clive Davis, presidente da Arista Records, assistiu a uma apresentação dela num bar nova-iorquino. Impressionado, resolveu contratá-la. Porém, com medo de que sua juventude e inexperiência a fizessem ser cantora de um hit só, decidiu montar uma grande operação para produzir o primeiro álbum da cantora. “Whitney Houston” só chegou às lojas em fevereiro de 1985. Só nos Estados Unidos foram vendidas 14 milhões de cópias e o LP se tornou o maior sucesso de uma artista negra em todos os tempos.

Sucesso que cresceu ainda mais com outros álbuns: “Whitney”, de 1987 e “I’m Your Baby Tonight”, de 1990”. Músicas como “Greatest Love of All”, “Saving All My Love for You”, “So Emotional” e “All the Man that I Need” são desses três primeiros discos.

Contudo, o maior sucesso da carreira da diva só viria no começo da década de 90, com o filme “O Guarda-Costas”. Ao lado do então badalado Kevin Costner, Whitney interpretou uma cantora-atriz que se envolvia com seu guarda-costas. A trilha sonora da película, com seis músicas de Houston, bateu recordes de venda e ultrapassou os 200 milhões de cópias.

Mesmo tendo casado com um rapper com fama de violento (Bobby Brown) e se envolvido em escândalos pelo uso de drogas, Whitney Houston manteve-se no topo das paradas mais importantes nos últimos vinte anos. E soube contornar, com tranqüilidade, todos os desafios impostos pela vida. Como as maiores musas sabem fazer.


Escrito em 27 de janeiro de 2005 por felipe em Cultura Trash, QG da Comunicação | No Comments »
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