Mocinho, vilão… machos da televisão
Por Roberta Ribeiro para Trash 80´s
Quem disse que machos não podem gostar de novelas? Num país em que grande parte da população tem em sua memória os rocambolescos roteiros das 18h, das 19h e das 21h, é normal encontrar aqui e ali homens noveleiros. Até porque alguns dos personagens mais marcantes dos folhetins foram “cabras” que muito telespectador adoraria imitar.
Em 1984, entra no ar a novela “Rabo de Saia”. O personagem principal, Seu Quequé, vivido por Ney Latorraca, é um caixeiro-viajante trígamo. Isso mesmo! Casado com três mulheres, uma em cada cidade onde costuma parar em suas viagens. Ama as três e é amado por elas. Até que as esposas descobrem as outras famílias dele! O desfecho da história? Quequé consegue ludibriar as três e continuar sua vida com três famílias. Nem Gilberto Freyre, famoso antropólogo que tinha permissão da esposa para traí-la, faria melhor!
Um ano depois, em Roque Santeiro, uma das novelas-símbolo da década ao lado de “Vale Tudo”, Sinhozinho Malta (numa interpretação memorável de Lima Duarte) desbancou o galã Roque Santeiro, vivido por José Wilker, e terminou a novela com a disputada viúva Porcina (Regina Duarte). Isso depois de ela ter ficado indecisa entre os dois e ainda ter tido um caso com o personagem de Fábio Júnior! Ganhou o machão, aquele que só de olhar impunha medo. Mas que, no fundo, não conseguiria viver sem o amor da nada nobre dama.
Renato Villar era o personagem de Tarcísio Meira em “Roda de Fogo”, que foi ao ar em 1986. Típico vilão que vira mocinho ao descobrir que sua vida está por um fio, Renato se apaixonou pela juíza que ia julgar seus crimes, Lúcia Brandão, vivida por Bruna Lombardi. A atriz era considerada um ícone de beleza na época, por isso não causava espanto que, na ficção, conseguisse até transformar um mau-caráter em candidato a santo.
Outro machão grosseirão e que acabou levando a melhor foi Tony Carrado (Nuno Leal Maia), em “Mandala”, de 1987. Foi ele quem curou o coração partido da “Deusa” Jocasta (Vera Fischer) quando esta descobriu que o homem que amava era seu próprio filho, Édipo (Felipe Camargo). Carrado era mais velho e bem menos atraente que Édipo. Mas venceu pela insistência e levou o “peixão” pra casa. Já na vida real, Felipe Camargo deixou de lado a diferença de idade entre ele e Vera e casou com sua mãe ficcional.
Agora, o último personagem macho de dar inveja em qualquer marmanjo não esteve em novelas da Rede Globo. Em 1989, a Manchete levou ao ar “Kananga do Japão”, novela passada na década de 30. Alex, personagem de Raul Gazolla, fazia Dora (Christiane Torloni) babar, as espectadoras suspirarem e os homens quererem aprender a dançar como forma de seduzir melhor e exporem mais sua sensibilidade. Isso sem deixarem de ser másculos!
Os machos das novelas inspiraram, sim, muitos machos noveleiros durante a década de 80. Mocinhos ou vilões, alavancaram audiências e conquistaram multidões. E alguém ainda duvida que novela também seja coisa de homem?



Provavelmente as mulheres nunca serão capazes de entender o fascínio que esportes violentos como o boxe causam nos homens. A graça de ver dois sujeitos se surrando sem piedade é algo que não é compreensível para o sexo “frágil” e de estômago sensível. Mas não dá pra ignorar o quanto o ringue atraía público para a frente da televisão, no Brasil da década de 80.
“E ontem, o que eu encontrei me deixou mais triste / Um pedacinho dela que existe / Um fio de cabelo no meu paletó…” ou “Ainda ontem chorei de saudade / Relendo a carta, sentindo o perfume…”. Quem nunca ouviu uma dessas pérolas que atire a primeira viola! E não adianta negar: por mais que não se goste, é praticamente impossível não decorar pelo menos o refrão logo na primeira vez que se ouve. E até mesmo a Trash 80’s vez por outra se rende às letras melosas e ao “erre” dito caipira, tão comum no interior do Brasil.
Até meados da década de 80, os programas humorísticos televisivos no Brasil seguiam um padrão comum. Eram formados por esquetes curtos e alguns quadros fixos. Bons exemplos são “Chico City” e “Viva o Gordo”, de Chico Anysio e Jô Soares, respectivamente.
Pra falar de Rê Bordosa, é bom falar de Angeli. E vice-versa. O cartunista que deu vida à personagem vê na profissão uma forma de diálogo com o público. Por isso mesmo, prefere falar sobre sexo, drogas e rock’n’roll do que sobre assuntos que podem ser considerados polêmicos, mas que não o interessam particularmente.
Dificilmente existe alguém que tenha vivido a infância na década de 80 não conhece o palhaço Bozo. O programa que levava esse nome estreou na antiga TVS (atual SBT) em 1980, mas a história da marca vem de muito antes.
Nem todos os programas infantis da década de 80 dependiam da boa vontade de uma loura de botas para existir. Com uma proposta mais educativa, Daniel Azulay alegrava o dia da criançada e tinha um perfil nada comum para apresentadores: usava óculos, gravata borboleta e suspensório e tinha como assistentes a Turma do Lambe-Lambe, que dava nome ao programa.
“Brincadeira de criança, como é bom…”. A música pode até não ser dos anos 80, mas serve para fazer lembrar de bons momentos vividos na infância. Um bom momento para colocar em prática todos os jogos e passatempos possíveis era a hora do recreio da escola.Para os meninos, o mais comum era aproveitar o tempo para jogar futebol. Como nem sempre havia bola, o jeito era improvisar. Até latinha de refrigerante servia, mas o mais comum eram as bolas de meia, feitas com no mínimo três pares do vestuário. As lancheiras (que depois de uma certa idade eram abolidas e causavam vergonha) serviam como traves, depois de devidamente esvaziadas, é claro. E a pelada, sem juiz, afinal todos queriam jogar, ia longe. O problema eram as “invasões de campo”, pois o pátio não podia ser dominado por apenas um grupo de amigos.
Há quem diga que as grandes divas só existiram nos anos 50. Sem muito esforço é possível perceber que isso não é verdade. A década de 80 também foi pródiga em número e qualidade de musas.
Em 9 de agosto de 1963 nascia em Newark, New Jersey, Whitney Elizabeth Houston, filha de Cissy e John Houston. A mãe, também cantora, não pôde ficar em casa para cuidar da filha. Amiga de nomes como Aretha Franklin, Cissy chegou a ter discos gravados e tão logo se recuperou do parto voltou para a estrada, numa turnê, deixando a pequena sob os cuidados do pai. Daí dá para saber de onde vem o talento da menina para a música.