“Estamos diante de um novo impasse religioso, sacerdotes e adeptos da comunidade Afro-religiosa, se sentem incomodados, com mais um evento e consideram abuso e roubo de identidade religiosa.” (sic)

Com esse parágrafo inicial, o Portal SOSNI nos enviou um texto para comentar seu repúdio a uma festa programada para o próximo sábado (dia 2 de fevereiro) na Trash 80′s, o “Pré-carnaval – Odoya Yemanjá”.

O texto resulta de uma pseudo-entrevista feita por telefone com nossa produtora, Ana Scap, em que o repórter, mesmo antes de conhecer os parâmetros da festa – preconceituosamente, portanto – , se revelava
indignado com o evento. Ana relatou que o objetivo da festa é a divulgação de uma cultura riquíssima, vítima frequente de preconceitos, porém o objetivo do “entrevistador”, longe de ser o de esclarecer, era posicionar-se terminantemente contra a festa, utilizando inclusive uma sintaxe ardilosa para tentar surpreender a “entrevistada”. Em determinado momento, questiona o entrevistador até sobre o possível lucro obtido graças ao “uso” de uma imagem religiosa e da dinâmica da festa – que desconhecia e não procurou conhecer com seriedade.

Quem conhece a Trash 80′s sabe que desde sempre o lema da festa é “preconceito não entra aqui”- princípio assumido com toda a abrangência que o termo abriga: de gênero, de raça, linguístico, entre outros, e o RELIGIOSO. Sustentado por esse emblema, a Trash80′s tem-se preocupado ao longo de sua existência em criar equilíbrio entre diversão e cultura.

A festa em questão, que homenageava aquela manifestação cultural, tinha como objetivo evidenciar traços da cultura afro que povoam a realidade de quase todos os brasileiros, oferecendo ao público mais uma interface da nossa singular diversidade, num clima de esperança, alegria, respeito e cidadania. Tão somente isso.

Cumpre esclarecer ainda que não faz parte do espírito da festa recorrer a símbolos religiosos ou se “apossar” de quaisquer culturas para obter lucros.

Entristeceu-nos bastante a reação negativa à festa, mas por respeito ao espaço e às crenças de todos – mais uma vez honrando nosso lema –, retiramos da festa de sábado a menção e todas as homenagens programadas para festejar a divindade.

Preferimos, por uma questão de princípio, ser censurados a passar por censuradores do direito de expressão.

A Trash 80′s não nasceu para criar desavenças ou impor posições político-religiosas. As homenagens que tangenciam esses temas são sempre feitas de formas respeitosas e com acompanhamento de pessoas inseridas nesses contextos.

Lamentamos que pessoas que não conhecem a festa se precipitem em construir “exércitos” de pseudo-resistência para impor seus conceitos, preferindo essa solução ao diálogo realmente consistente, assentado em interlocução efetiva, que certamente geraria bons dividendos culturais.

Preferimos, ainda, que vingue, agora e sempre, nosso “presente de cravos e rosas” (como quer Caymmi, em sua bela canção que homenageia Yemanjá) ao de espinhos.

Para entender melhor, leiam o artigo escrito por Erick Wolff8 no Portal Sosni

http://www.sosni.com.br/sistema1/afrobrasil/1090-carnatrash-2013,-odoy%C3%A1-yemanj%C3%A1.html

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6 comentários
  1. Gente que absurdo, como macumbeiro feito na umbanda a mais de 7 anos sou obrigado a discordar desse ser que só vê maldade nas coisas, a cultura afro antes de religião é cultura, ela envolve o imaginário popular de todo brasileiro, inclusive dos que não são iniciados nem na umbanda e nem no candomblé, uma besteira, besteira em grande nível, eu enquanto umbandista me senti ofendido pelo posicionamento desse cidadão, que apenas quer utilizar do seu poder como agente de mídia para acabar com a felicidade alheia. Yemonjá é a deusa suprema dos mares, das praias, da maternidade, ela é a mãe de TODOS, na umbanda e de muitos no candomblé, ela não é propriedade privada, ela não pertence a nenhum grupo escolhido, ela é de TODOS ! Muito axé pra trash80 que nessa atitude trás um pouco da cultura ancestral afro brasileira.

    dialog

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