Antes mesmo de pensar num festa extremamente pop e escrachada como a Trash 80′s, as músicas de Michael Jackson já faziam parte da minha vida. Lembro da minha irmã mais velha ensaiando passos com o soul/funk dos Jackson Five. Aquele garotinho que dançava e cantava muito era o destaque.

Um dos primeiros LPs que tive foi o “Off The Wall”, numa edição bacana que “abria” e trazia a foto de Michael como se fosse um poster. Isso foi em 79, eu tinha 12 anos. Possivelmente foi um dos últimos suspiros do pop na minha adoslecência prematura. Dali algum tempo, esqueceria tudo isso pra cair no mundo do rock pesado, do punk, pós-punk e tudo que fosse alternativo. De repente, o cara que eu curtia não fazia mais sentido pra mim.

Veio “Thriller” e lembro que na época já engantinhava no mundo dos picapes e me assustei quando Marquinhos MS tocou “Billy Jean” em pleno Madame Satã, templo da modernália da época, a turma que curtia apenas o lado B.

Já tinha ouvido, claro, em programas de rádio da época. Comecei a perceber que os mundos que eram tão divididos na época, começavam a ser derrubados. A explosão mundial do fenômeno Michael Jacksom, os clipes que passavamno Clip Trip, Som Pop e outros programas pré-MTV, eram um convite a se desprender de ideologias sectárias e agregar cada vez mais.

Comprei o disco.

Minha trilha continuou sendo música alternativa. Veio “Bad”. Torci o nariz, pois achei que a concessão era demasiada. Comprei também.

Não, não! “Dangerous” já era demais. “Black or White”, tentando amenizar o impacto de sua imagem que não parava de mudar? O que importa ser branco ou preto? A informação ainda vinha de veículos oficiais, ou seja, a mídia imprensa e televisiva me deixa a par do que tava acontecendo com aquele cara megalomaníaco, que sempre tive admiração.

A partir daí, um divórcio. A música já não me agradava. Sua imagem era patética, os escândalos desnecessários, ao menos pra mim.

Voltei ao encontro com Michael em 2002, quando eu e o Tonyy idealizamos a Trash 80′s. Gostar de Michael era trash. Tocar, então, só que quisesse realmeente se divertir sem pensar naquela música assumidamente pop. Nada mais condizente com o espírito da festa que estávamos propondo. “Billy Jean” foi a primeira música dele a tocar na estréia da Trash.

De lá pra cá – e já se foram 7 anos – não tem noite sem música dele. Ou melhor, até tem, mas quando o repertório é 100% nacional ou só de vozes femininas, o que já é uma outra história. Não tem como não ouvir os gritos de excitação vindos da pista com as batidas de “Billy Jean”, do baixo funkeando de “Don’t Stop ‘Til Get Enough”, das aberturas cheias de suspense de “Beat It” e “Thriller”.

Eu confesso que estava bem animado com essa tour nova que ele faria após 13 anos. Era difícil de acreditar que alguém com tantos rolos e problemas de saúde, se levantaria, sacodiria a poeira e caisse na avenida mais uma vez. Quando os shows foram anunciados, já imaginei que clones de Michael estariam no lugar dele. A histeria em torno do evento que seria a “última tour” de sua vida ceifou-se com a notícia de sua morte.

O “Rei do Pop” está morto. O espetáculo perdeu um pouco de sua graça. O show business não conseguiu escrever mais um capítulo das famosas histórias de reviravoltas de artistas que deixam dívidas e ostracismo, para colherem frutos dourados novamente.

Morre Michael Jackson, o humano. Sua música já está perpetuada.

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4 comentários
  1. Como adepto do metal e do punk-rock, posso dizer que foi o mais próximo que cheguei do mundo pop foi por causa desse cidadão, era muito pequeno e nem me considerava gente ainda, quando eu ouvi isso me deu vontade de bogar, pois homem dança, apenas bogá ,rsrsrs /www.youtube.com/watch?v=4_hz2am90Hk&feature=channel

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  2. Sugiro festa temática em homenagem ao Michael, q q vcs acham?

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  3. Não tem que se estender muito, você disse muito do que cabe a mim aí, e me emocionei muito com tudo.

    Hoje, ao pensar no 'pop' de 'lecopop', fiquei triste porque essa brincadeira vem de um universo que, ao menos para mim, MJ criou nos anos 80. Essas três letras de pop, bem pessoalmente mesmo, seriam a tríade Cyndi Lauper – Madonna – Michael Jackson. Pop para mim vem, primeiramente, desses três aí.

    Penso na ascensão e queda do ser humano, da infância fodida ao estrelato pleno e absoluto, e depois a piração.

    Lamentarei a morte de poucas figuras do showbusiness, como lamento profundamente a perda de MJ.

    De certa forma, saquei que seu canto do cisne aconteceu em 2002, com 'Invincible', porém no fundo acreditava em um retorno que aconteceria agora.

    Não aconteceu.

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  4. Me emocionei com seu texto.

    Realmente foi uma grande perda.

    beijos

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    Rita Pereira comentou em 26 de junho de 2009 às 11:20 Responder

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