O roqueiro oitentista Ritchie não poupou cuidados ao relançar a edição comemorativa dos 25 anos de seu principal disco, “Voo de Coração”, um marco do pop nacional. O esmero foi tanto que ele não aliviou nem para a dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano, que em 1995 regravou o principal hit do álbum: “Menina Veneno”.

“Voo de Coração” é considerado por muitos um dos álbuns mais importantes do rock feito no Brasil por ter sido lançado em 1983, um período em que pouca gente acreditava que era possível gravar um bom disco do gênero em língua portuguesa, e que Raul Seixas e os Os Mutantes eram as exceções que confirmavam a regra.

Para o próprio Ritchie –um britânico radicado no Brasil– sua origem foi crucial para que o disco tivesse êxito e vendesse cerca de 1 milhão de cópias no país.

“Acho que é um disco que mistura influências das duas culturas, a inglesa e a brasileira, e traz outras influências, como a música sacra anglicana, música progressiva, os formatos pop dos anos 60 e uma forte dose de eletrônica da safra dos anos 80″, afirmou o músico à Folha Online.

Insatisfeito com o relançamento do álbum em 2000, Ritchie encarregou Carlos de Andrade, o produtor do disco original, para restaurar as primeiras fitas, que quase se perderam em uma enchente no final dos anos 80.

“O CD traz quatro faixas bônus, inclusive uma regravação acústica, feita em 2008, da faixa título”, afirmou Ritchie. “Fora isso, há um livreto de 20 páginas com muitas fotos inéditas da época, comentários faixa por faixa em uma edição digipack de luxo.”

O cuidado com a nova edição foi tanta que sobrou até para a dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano. Questionado sobre a regravação feita por eles para o maior sucesso do disco, “Menina Veneno”, Ritchie afirmou que a versão foi decepcionante.

“É uma homenagem bacana, mas prefiro a versão original. Eu também esperava algo mais original da dupla. A versão deles é praticamente uma cover do original, o arranjo e até o solo de sax são iguaizinhos” disse.

Para o músico, as vozes dos cantores também não combinaram com a canção. “Acho que aquelas vozes agudas com vibrato não combinam muito com o clima sensual da música. Mas o importante é que ela caiu na boca do povo. Esta é a minha meta como compositor.”

Queens of the Stone Age

Apesar do estrondoso sucesso de “Voo de Coração” na época, Ritchie não conseguiu repetir o êxito nos álbuns seguintes. Para o músico, a culpa foi do conservadorismo da indústria musical. “Eu quis evoluir musicalmente, mas muita gente, inclusive da minha gravadora, me cobrava mais do mesmo. Não me arrependo de ter escolhido o caminho mais árduo, arriscado”, diz.

A busca por novidades no rock aparece nas bandas que ele vem ouvindo nos últimos tempos. “Eu gosto de muita coisa e de todas as épocas, seria uma lista interminável [...] Das atuais gosto de Binário [banda carioca], Nine Inch Nails, Queens of the Stone Age, Kings of Leon, Peter Gabriel, David Gray.”

Apesar da atenção dispensada ao rock feito nos anos 2000, Ritchie diz que tudo o que é feito hoje tem um pé no passado. “Os tempos já são outros, as preocupações dos jovens, idem. Mas o rock de hoje ainda bebe fundo na fonte dos anos 60, 70 e 80.”

Futuro

Apesar de distante das paradas, Ritchie tem muitos planos para 2009. Esta semana ele entrou em estúdio para gravar seu primeiro DVD no formato “ao vivo no estúdio”. “Traz –além de sucessos, releituras e lados B– três músicas inéditas, parcerias com Fausto Nilo e Arnaldo Antunes.”

O DVD deve sair em abril ou maio com direito à exibição no Canal Brasil. Mas a principal missão de Ritchie no ano é lançar um disco novo. “No final do segundo semestre de 2009 pretendo gravar um CD só de inéditas para lançamento em 2010.”

Fonte: Folha Online

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