Escrever e falar sobre trash 80´s já está ficando repetitivo e até mesmo redundante. As constatações são quase sempre as mesmas, as sensações também… Ou seja, não há ninguém “normal” que consiga aparecer naquele lugar sem se apaixonar na mesma hora. Comigo não foi diferente.

Conheci a Trash através do mundo dos blogs. Um certo DJ Tonyy costumava ir ao blog de um conhecido e deixar sempre ao final de cada comentário, um delicado: “morreeeeeee fulanoooooooo!!!!!!!”. Claro que com esta apelação desmedida eu não teria como não sentir curiosidade em conhecer o “tal” autor de tamanha sutilidade. Foi aí que eu cheguei ao “Banheron” do Tonyy e li a respeito da “festinha” que estava acontecendo havia algumas semanas no bar do Hotel Cambridge.

Eu morava em Curitiba e na primeira oportunidade, arrumei minhas malas e vim a São Paulo conhecer a festa que estava começando a se firmar. Levei um susto, claro. Apesar de já saber mais ou menos o que me esperava ali, eu não imaginava que poderia se tratar de algo tão diferente de tudo o que eu já havia visto nas “baladas” por aí à fora.

Eu simplesmente não acreditei ao adentrar o Crambridge e ver aquele monte de gente grande voltando a ser criança sem o menor constrangimento. Eu confesso que fiquei um tanto ressabiada e demorei uns bons trinta minutos olhando ao redor sem botar muita fé no que eu estava vendo. Claro que a “desconfiança” foi por água abaixo quando começou a tocar uma musiquinha que eu não ouvia desde os meus áureos tempos de infância: He-men. Todo mundo fez coro no refrão na mesma hora. Eu sem saber o que fazer, acompanhei, e não tive muita escolha por sinal. Daí em diante não parei mais de pular e gargalhava a cada pérola que saía da pick up dos DJs.

O que senti foi como se uma viagem no tempo fosse possível. Lembrei com nitidez de todas as minhas paixões de criança e de com eu adorava fazer as coreografias das musicas da Xuxa, Mara e companhia, na garagem de minha casa no interior.

Plageando um pouquinho e adaptando o Slogan dos Salgadinhos Elma Chips, que dizia: “é impossível comer um só”, eu digo que na Trash é impossível ir apenas uma vez e não querer voltar. Esta é a grande verdade.

Claro que também não posso deixar de citar aqui, que a Trash foi o cenário do nascimento de um grande amor. Foi aqui que eu conheci meu marido, a pessoa com quem pretendo ficar por todos os dias de minha vida.

Este é o único lugar no mundo onde podemos dançar e cantar “Menina Veneno” sem que as pessoas nos achem um ET. O único lugar onde é possível dançar agarradinho “Quatro semanas de amor” sem que ninguém ache estranho. O único lugar em que fazer “passinhos” do New Kids On The Block não é coisa de quem quer ser classificado no “Pop Stars” do SBT. Enfim, este é o lugar onde o tempo volta por algumas horas durante todos os finais de semana. O lugar pelo qual é impossível não se apaixonar e querer voltar sempre…

Eis meus artistas trash preferidos:

Cyndi Lauper: Na época em que ela reinava soberana apareceu a Madonna para acabar com a festa. Quem é que não se lembra das richas que havia entre os fãs de Cyndi e de Madonna? Era uma coisa séria. Ninguém poderia ser pego cantando “Like a Virgen” sem sofrer retaliações daqueles que não admitiam que Madonna estava roubando seu lugar. Bem, eu sempre preferi Cyndi Lauper. Ela era rebelde e desleixada enquanto Madonna atacava de mocinha de família (sim, no começo ele queria ser boazinha). E assisti Goonies umas cinco vezes somente para vê-la “gritando” aquela música do tema. Nada como a vozinha estridente da moçoila para espantar todos os males. Eu adoro!


Dominó: Enquanto os porto-riquenhos do grupo Menudo atrevessavam o mundo fazendo sucesso imediato por onde passavam, surgia no Brasil um grupinho tupiniquim sem grandes pretensões. Eles cantavam baladinhas ritmadas e eram todos mocinhos bonitos com cara de filhinhos da mamãe. O integrante que eu mais gostava era o Nil que agora virou pastor de igreja evangélica. Isso é trash o bastante ou não?

Simony: Na época em que ela era do Balão Mágico eu a odiava. Tinha inveja dela voando naquele balão enorme, cantando com o Djavan, namorando o Jairzinho… Depois que ela cresceu e começou a cantar sozinha eu passei a vê-la com outros olhos. Adorava ouvir “Primeiros Erros” cantada por ela.

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