Por Lígia Helena para Trash 80´s

Os Inimigos do Rei, que se apresentam neste sábado na Trash 80’s Vila Olímpia, tem uma longa carreira intimamente ligada ao rock, à MPB “clássica”, ao teatro e pela irreverência – que foi exatamente o traço mais marcante da carreira deles.
Em uma rápida conversa com a equipe da Trash 80’s, o guitarrista e compositor Marcus Lyrio contou sobre a nova fase da banda, sua história, e, claro, por que o nome é Inimigos do Rei. Confira!

Trash: Como nasceu o Inimigos do Rei?
Marcus Lyrio:
Havia um conjunto vocal no Rio chamado Garganta Profunda, formado por 11 pessoas. Além dos cantores, havia uma banda que acompanhava o grupo, e eu era o guitarrista. Foi no Garganta Profunda que conheci Paulinho Moska, Luiz Nicolau e Luiz Guilherme, que além de cantar, eram atores, tinham uma verve teatral muito forte. Nos reunimos e formamos um sub-grupo, oriundo do Garganta Profunda, que veio a ser o Inimigos do Rei.
Nossos shows abusavam da irreverência e de performances teatrais. Tínhamos um pouquinho de Blitz, um pouquinho de Asdrúbal Trouxe o Trombone, fazíamos sátiras às MPBs da época. Isso era em 86, 87…

Trash: A pergunta é clichê, mas a curiosidade é maior: por que o nome Inimigos do Rei?
Marcus Lyrio: Ah, a história é interessante: ainda na época do Garganta Profunda, em 86, fomos convidados a fazer um show do Paço Imperial do Rio de Janeiro. E o Paço Imperial é como um museu, com várias salas, nós tocaríamos na sala do trono. O Garganta era um grupo vocal, mas os shows eram animados, em determinadas partes da apresentação as pessoas levantavam pra dançar, e por isso a organização ficou com medo de que acontecesse algum incidente, que o chão da sala do trono cedesse ou algo assim.
O episódio foi engraçado, no fim das contas todo mundo dançou e não houve incidente nenhum. Mas o fato de termos ameaçado a segurança da sala do trono acabou nos caracterizando como os Inimigos do Rei. Depois o nome adquiriu outra conotação, que a gente gosta bastante: somos inimigos de quem tem o rei na barriga.

Trash: Dos anos 80 até hoje, o que rolou com o Inimigos?
Marcus Lyrio: Bom, nós lançamos dois discos, o Inimigos do Rei, em 89, que teve 4 grandes sucessos, e o Amantes da Rainha, em 90, que teve como destaque a “Carne, Osso e Silicone”. Em 1991 o Paulinho Moska saiu da banda, mas continuamos até 1996 fazendo shows e trabalhando. Aí resolvemos que não dava mais, que deveríamos parar.
Só que em 2001 alguns amigos produtores resolveram convidar a banda para fazer um show no Ballroom, no Rio. Resolvemos nos reunir e lançar o projeto Inimix. Lançamos um single este ano, “Kátia Flávia”, e no primeiro semestre de 2005 deve sair nosso novo disco em estúdio. Talvez façamos um DVD ao vivo também.

Trash: O que podemos esperar para o show de sábado, na Trash 80’s Vila Olímpia?
Marcus Lyrio: Com o projeto Inimix passamos a fazer novas leituras para antigos sucessos, tanto os nossos, como Jesse James, Uma Barata Chamada Kafka, Mamãe Viajandona e Adelaide, quanto sucessos de pessoas e bandas que admiramos, como Titãs, Jorge Benjor, Mutantes, Fausto Fawcett e muitos outros. Hoje nosso som está mais rock, continua divertido, irreverente e dançante, mas tem mais peso.

Trash: E a que se deve toda essa mudança?
Marcus Lyrio: Bom, passaram-se quase vinte anos, né? Nós pensamos diferente, natural que façamos coisas diferentes também. Além disso, no meu caso particularmente, o tempo que passei trabalhando na EMI serviu para que eu tivesse contato com alguns tipos de música que eu não tinha antes. Hoje em dia sofro influências de Rage Against the Machine, Audioslave, Velvet Revolver e principalmente Red Hot Chilli Peppers. Então o som anda mais pesado, com mais guitarras. Mas continua dançante e divertido, vale a pena conferir o Inimix.

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Um comentário
  1. Vem kafka comigo…
    Somente pela rima ou alguma ligação com Franz Kafka?

    dialog

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