Por Roberta Ribeiro para Trash 80’s

“Início dos anos 80. A ditadura militar já não se agüentava sobre as pernas. Riocentro, anistia, grandes greves: o país respirava. A tradicional família da MPB era uma réplica da própria ditadura, um bambolê sem swing” (Marcelo Dolabela, no livro ABZ do Rock Brasileiro). A afirmação sobre a MPB pode até não ser das melhores, afinal os grandes artistas do estilo continuaram a existir. Mas foi dessa maneira que nasceu o que hoje se conhece por rock brasuca. Bandas como Titãs, Ira! e Replicantes surgiram no começo da década e ganharam fãs por todo o país.

Um dos grandes celeiros do gênero foi um lugar que até então contava com pouca tradição musical e sobre o qual a maioria das pessoas só ouvira falar por ser a capital federal: Brasília. A aridez do cerrado felizmente não se refletiu na juventude da cidade, que foi o lar de “bandinhas” como Capital Inicial, Legião Urbana, Plebe Rude e Paralamas do Sucesso.

O Paralamas foi o primeiro a surgir, ainda em 1977, mas sua história tem um pé em Brasília e outro no Rio. Herbert Viana e Bi Ribeiro eram vizinhos na capital federal. Quando Herbert foi fazer colégio militar no Rio, reencontrou Bi e decidiram formar uma banda. Mas só se engajaram mesmo no projeto em 1981, o que resultou no estrondoso sucesso de “Vital e Sua Moto” em 1983 e numa carreira cheia de discos de ouro e platina.

As outras bandas citadas vieram do que ficou conhecido como a Turma da Colina, bairro brasiliense. E se a “tchurma” tinha nome, tinha também um aglutinador: Renato Russo, aquele que inventava festas e músicas para acabar com tédio da vida no meio do Planalto Central. Junto com Fê Lemos, Flávio Lemos e Ico Ouro Preto (irmão de Dinho), ele formou o Aborto Elétrico, banda de punk que, ao se desfazer, deu origem ao Legião Urbana e ao Capital Inicial. A Plebe também andava no mesmo grupo e se conservou no punk, ao contrário do que aconteceu com os ex-integrantes do Aborto, que optaram por um rock menos pesado e de protesto.

Com grande influência das bandas punks de Londres, como Stiff Little Fingers e Clash, a Plebe nasceu do encontro entre André Muller e Phillippe Seabra. O primeiro morou na capital da Inglaterra e de lá mandou fitas cassete com bandas punks para o irmão mais velho do segundo. Que se tornou fã do estilo musical e da estética pregada. Dessa união nasceram sucessos como “Até Quando Esperar”, “Brasília” e “Proteção”.

Enquanto isso, os irmãos Flávio e Fê Lemos se uniam a Loro Jones e formavam o Capital Inicial, com uma garota no vocal, logo substituída por Dinho Ouro Preto. (Ico tornou-se fotógrafo e foi morar em Paris). Do outro lado, Renato se uniu a Dado Villa-Lobos e Renato Rocha para formar o Legião Urbana. O que isso significa? Basta mencionar músicas como “Passageiro” e “Independência” — do Capital — ou “Faroeste Caboclo” e “Pais e Filhos” — do Legião — para que se entenda o significado e peso de Brasília para o que hoje conhecemos como rock brasileiro.

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3 comentários
  1. É uma pena que a juventude de Brasília deixou de produzir rock de moral e a última grande banda daqui foi Raimundos e nunca mais saiu disso. Brasília se tornou um lugar que quase não tem lugar pras poucas bandas se apresentarem e as poucas que tocam em sua maioria nem são autorais, e sim covers porcos de enlatados gringos de metal e punk. As que ainda se arriscam em fazer algo autoral não estão dando conta do recado, tem pouco a dizer e as que conseguem dizer alguma coisa estão mais pro lado do reggae. Os festivais e lugares que descobriram bandas nos anos 80 já não existem mais ou por falta de apoio ou por ter se tornado algo totalmente comercial e controlado por empresários famintos por dinheiro, como é o caso do Porão do Rock, que está completamente descaracterizado e se tornou lixo comercial. Lástima.

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  2. Amei esse site

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    Gabriela campos comentou em 1 de maio de 2010 às 11:41 Responder
  3. Nossa valeu pelo seu post
    era exata mente o que eu estava precisando
    para um Trabalho sobre o rock nacinal dos anos da
    Ditadura
    =)

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