Por Alessandro Fiocco para Trash 80′s

Cena 1: Praias paradisíacas, contornadas por dunas quase infinitas. Nelas, um corpo sensual passeia, coberto por uma canga esvoaçante.

Cena 2 : Cidade urbana, verão. Tops, minissaias e homens sem camisa. A sensualidade é latente e beijos ardentes logo irão acontecer e, com ele, uma paixão impossível irá pintar.

Cena 3: Rio de Janeiro, praia de Ipanema. Jovens bronzeados são o pano de fundo para as mazelas e conflitos que afligem os personagens principais.

O verão brasileiro, nosso principal chamariz para atrair turistas, é um dos ingredientes das telenovelas. Assim, títulos sugestivos, aberturas tropicais e músicas que enfatizam o clima e a sensualidade nativa estão lá. Anualmente, pelo menos um dos folhetins que estréiam em nossas telinhas agregam esses artifícios.

Os anos 80 abriram consideravelmente as portas para a incorporação destes elementos. Diferentemente da década anterior, em que adaptações literárias e uma maior ênfase aos crescimentos das metrópoles eram o gancho, aqui os corpos e a sensualidade passaram a ser cantados e retratados.

Abaixo, as cinco novelas que colocaram em destaque, de uma forma ou outra, o clima do Brasil. Clique nos links do YouTube e aprecie as aberturas das obras.

Água Viva – 1980 – Novela de Gilberto Braga, enfatizava a disputa de dois irmãos pelo amor de uma mesma mulher e o drama da pequena Maria Helena, vivida por Isabela Garcia, com oito anos na época. Na abertura, Baby Consuelo cantava os versos: “Menino do Rio, calor que provoca arrepio, dragão tatuado no braço, calção corpo aberto no espaço…”. O mais engraçado é que, alinhavado aos versos, são mostrados mais corpos femininos do que masculinos!
http://www.youtube.com/watch?v=O1vgMpEmu-g

Sol de Verão – 1982 – A abertura da novela é uma aula de moda-praia e, certamente, uma das que mais fazem referências aos anos 80. Além de exibir vários modelitos, são evidenciados corpos bronzeadíssimos, decorados com gotículas de suor e maquiagem em tons nada discretos. O trabalho é a cara do designer e criador da abertura, Hans Donner. Tudo é acompanhado pela voz potente da cantora Simone e a sua canção “Tô Que Tô”.
http://www.youtube.com/watch?v=GZf3GjyK3_c

Vereda Tropical – 1984 – Abusando do grafismo, a abertura de “Vereda Tropical” exibia coquetéis ornamentados, mulheres e cangas, animais silvestres e um belo sol avermelhado. Somado a isso, os personagens da trama de Carlos Lombardi, supervisionada por Silvio de Abreu, divertiam os telespectadores com os seus entrechos cômicos. Paralelo à novela, os long-plays lançados traziam na capa modelos tomando água-de-coco e sustentando araras no ombro.
http://www.youtube.com/watch?v=3oOisaUziWs

Sassaricando – 1987 – Quem disse que São Paulo também não retrata o calor dos trópicos? Ambientada na paulicéia, a novela é uma chanchada bem à Silvio de Abreu, autor do trabalho que enalteceu o talento cômico de Cláudia Raia. Aqui ela era a feirante Tancinha, cuja marca eram os vestidos ousados, o corte de cabelo selvagem e frases como “Meus melões são os mais docinhos”, ou “Nossa, tá me dando uma quentura”. Junto com os personagens Apolo e Theo, ela vivia tórridas cenas de amor.
http://www.youtube.com/watch?v=ikLzUocSErI

Tieta – 1989 – Enquanto Luiz Caldas entoava a canção, uma Isadora Ribeiro nua passeava o corpo entre troncos de árvores, folhas e pedras. A estória tinha como cenário Santana do Agreste, cidade localizada no Nordeste brasileiro. O verão predominou em todos os capítulos da novela, que contava ainda com as “rolinhas”, ninfetas criadas por um coronel linha dura.
http://www.youtube.com/watch?v=QbsNc0l-YHk

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