Seis anos. Mais de mil festas por aí e só agora chegou minha vez de escrever aqui como “Trasher da Semana”. Escolhi a data por vários motivos. Em breve fico mais velho e, claro, isso me deixa um tanto emotivo e preocupado ao mesmo tempo. Hoje em dia não existe mais aquele descompromisso de outrora, já que a “família” é numerosa e com várias bocas pra alimentar.
Mas o Eneas daqui é diferente e tenta relatar como foi sua experiência como trasher.
A festa surgiu como comemoração do meu aniversário. Em 2002, o Tonyy trabalhava comigo no FiberOnline e juntos cuidávamos de alguns eventos para empresas, sempre focados em música eletrônica. Quando eu fui para o UOL, ele ficou no escritório-base (minha casa). Sim, ele trabalhava naquela época! Em constantes conversas pelo ICQ, a gente desencavava hits ultrapops dos anos 80.
Apesar de nossa vivência como DJs ter se iniciado na década perdida, sempre mantivemos uma visão alternativa. Dessa “tortura” de troca de arquivos e links, decidi que queria uma festa diferente pra comemorar meu aniversário. Mas tínhamos que achar o lugar. Deveria ser kitsch com um ar saudosista e decadente.
Caímos no Bar d’Hotel Cambridge, no centro de São Paulo.
Ao visitar o lugar, tive certeza de que aquele aniversário seria inesquecível. Lembro que não havia nenhuma intenção de transformar aquilo numa festa regular, mas quando o nome “Trash 80’s” veio à mente, já visualizamos de outra maneira. É um nome forte, que permite diversas interpretações. Parecia que a gente estava cuspindo em nosso passado, que os anos 80 foram um lixo, mas não era nada disso. A idéia era fortalecer a descartabilidade de uma série de artistas que, apesar de terem como objetivo as paradas de sucessos, fracassaram em suas intenções e se tornaram pérolas cult. O distanciamento de quase duas décadas começou a fazer sentido para uma nova geração. Muita gente nem lembrava do Righeira ou mesmo do Tremendo. Aquilo tinha sabor de novidade. Uma doce e brega lembrança que acabou se transformando em trilha sonora para uma nova geração.

Deixando um pouco de lado a história, o que conta aqui é como me sinto sendo um trasher. Então, responderei às perguntas que o povo da comunicação sempre manda pras pessoas. Vamos lá:

Há quanto tempo você freqüenta a festa?
Seis anos

Conte um pouco sobre como conheceu a Trash 80’s.
Acho que agora nem precisa, né? Tá tudo aí em cima.

Nesse tempo todo, qual foi a sua festa inesquecível?
Isso é bem difícil, mas inesquecível para mim nem sempre é pelo lado positivo. Nesse caso, eu citaria o Halloween Trash de 2004. Foi excelente em termos de produção, público, clima, mas fiquei numa tensão tamanha, tentando resolver problemas no backstage, que realmente me broxou muito. É o tipo de coisa que não esqueço. Infelizmente.

Cite as 5 coisas de que mais gosta na Trash.
- Possibilidade de fazer amizades, o que pra mim sempre foi muito difícil.
- A diversidade, num sentido amplo da palavra. Poder dizer não a qualquer tipo de preconceito não tem preço.
- Clima de “festa na garagem”.
- Saber que se alguma coisa der errado, alguém sempre sorrirá pra você.
- Experimentar num repertório extremamente popular. Reverter o conceito do que é alternativo.

Todo mundo já pagou um “micão” na Trash 80’s. Qual foi o seu?
Bom, tenho vários na minha história, mas com certeza não largar o microfone quando estou muito bêbado é o mais corrente.

Resuma a Trash 80’s em 1 palavra!
Essência.

Pra você, quais as músicas mais legais da Trash 80’s ?
Sou suspeito pra falar, pois como DJ fica complicado ter isenção. Tenho predileção pelas músicas mais emotivas, não necessariamente românticas. Tocar uma música e perceber a entrega do público é demais. E não falo de hits óbvios da Trash. Outro segmento de que gosto é o étnico. Preciosidades dos anos 80 (e algumas exceções) que fogem do pop/rock, trazendo as raízes e características de um povo, como Raí, flamenco, salsa, lambada e por aí vai… O importante é que elas tenham uma conexão com o universo pop e estejam bem longe do tradicionalismo de cada um dos gêneros.

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