Por Paulo Simas para Trash 80′s
18/06/07

Em 1985, comentava-se que a razão de ser do Rock in Rio era o show do Queen. James Taylor, AC/DC, Ozzy Osbourne e todo os outros astros seriam meros coadjuvantes das duas apresentações da banda inglesa. Talvez Freddie Mercury soubesse disso quando chegou aos camarins da Cidade do Rock. Afinal, ao ver figurões da MPB e do rock nacional esperando para recebê-lo, desdenhou: “Quem são eles?”.

Com a resposta de que eram grandes nomes da música brasileira, pessoas do mesmo gabarito que ele, retrucou: “Impossível! Porque eles me conhecem, mas eu não os conheço”. E exigiu que todo mundo entrasse nos seus respectivos camarins. Os brasileiros fizeram isso, mas deixaram as portas abertas e, enquanto o líder do Queen passava, gritavam: “Viado!”. Mercury não sabia direito o que diziam, mas notou o tom ofensivo. Trancou-se e, ao sair, disse: “Acabou de passar um furacão por aqui”. Foi para o palco deixando para trás o camarim completamente destruído.

A natureza explosiva do cantor não era novidade. Certa vez, explicou que gostava de levar uma vida de extremos: “É a minha natureza. Ninguém me diz o que eu devo fazer ou deixar de fazer”. Ele, de fato, fez o que quis. Na segunda metade da década de 80, por exemplo, conciliou a liderança do Queen com uma bem sucedida carreira solo. Entre os desejos realizados por esse fã de balé e de ópera, está a gravação de um CD com a cantora lírica Montserrat Caballé. Da parceria, o fruto mais famoso é “Barcelona”, que foi escolhido como tema oficial das Olimpíadas de 1992.

Menos de um ano antes dos Jogos Olímpicos, Freddie Mercury havia divulgado uma carta à imprensa para esclarecer alguns boatos. “Eu sou HIV positivo e venho lutando contra essa doença há alguns anos. Espero que daqui pra frente todos se conscientizem e se unam para enfrentar esse terrível mal”, escreveu. Ele morreu dias depois, em 24 de novembro de 1991, vítima de pneumonia. Estava em casa, em Londres, na companhia do namorado Jim Hutton, com quem viveu por oito anos.

Muitos tributos se seguiram à morte do artista, entre eles um concerto com a presença de David Bowie, Elton John, Axl Rose, Bob Geldof, entre outros. Eles se uniram aos outros membros do Queen num show para arrecadar fundos às pesquisas contra a Aids. Outra homenagem importante foi a construção de uma estátua em Montreux, cidade suíça onde a banda se encontrou durante os anos da doença do vocalista.

Mas em 2006, quando se comemoraram os 60 anos de nascimento de Freddie Mercury, um tributo teve de ser cancelado. Fundamentalistas islâmicos vetaram as comemorações na ilha de Zanzibar, alegando que o cantor (bissexual) fazia apologia à homossexualidade. Esse pequeno território no Oceano Índico é a terra natal de Mercury, nascido com o nome de Farrokh Bommi Bulsara. Depois de estudar na Índia, onde desenvolveu gosto por esportes (era campeão de tênis de mesa) e por piano, se mudou com a família para Londres.

Durante a faculdade de Arte e Design na Ealing College of Art, ele conheceu seus parceiros de Queen. Com a banda, desenvolveu habilidades que o tornariam um rockstar carismático como poucos. “Sou tão poderoso quando estou num palco que parece que criei um monstro”, disse certa vez. De fato, sua voz em falsete e suas performances eram capazes de arrebatar estádios inteiros, como aconteceu durante o Live Aid, em 1985, e ao longo de toda a turnê sul-americana do Queen.

No Brasil, Mercury experimentou duas respostas bem distintas a essa postura. No estádio do Morumbi, em 1981, emocionou-se com o coro de mais de 200 mil vozes cantando “Love of my life”. Mas, no Rock in Rio, chorou depois que metaleiros hostilizaram sua performance efeminada, com direito a seios postiços, em “I want to break free”. Amistosa ou agressiva, não havia platéia que ficasse indiferente à apoteose de Freddie Mercury.

Para saber mais:
www.queennet.com.br
www.queenonline.com/fmercury.html
en.wikipedia.org/wiki/Freddie_Mercury
whiplash.net/materias/bandas/freddiemercury.html

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