Arquivo do mês: maio 2007

Depois de tantas comemorações, tantas festas especiais, tanta surpresa, tanta emoção, os 5 anos foram concretizados.

O mês das comemorações começou em grande estilo e as festas que virão prometem ainda mais energia e coisas boas.

São três dias para recuperar o fôlego, hein?! ;)

Há exatamente 5 anos, em 4 de maio de 2002, nascia a Trash 80´s.

Quem foi ontem na festa do Hotel Cambridge relembrou os momentos mais importantes dessa história e sentiu o clima que tomou conta das comemorações.

Esse espírito de alegria continua hoje, com a festa infantil no Clube Caravaggio. Muitas comidinhas, brincadeiras, Jorge Danel nos picapes…

Mas atenção: é importante chegar cedo, porque algumas surpresas serão exclusivas para os adiantadinhos.

Sex – 4/5 – Trash 80′s – Festa da Criança
no Clube Caravaggio
Já tem 5 anos mas continua levada. Bolo e guaraná
muitos doces pra vocês
DJs: Eneas, Tonyy, Wander, Catatau,
Omar e Nico
DJ convidado: Jorge Danel
(Brazilian Genghis Khan)
Host: Cris Carvalho
Onde: Clube Caravaggio – Rua Álvaro de Carvalho, 40,
Centro – São Paulo
Quanto: R$ 20. Com reserva ou flyer impresso do site, R$ 17
Quando: Sexta, 4/5, a partir de 23h30
Informações: (11) 3262-4881 / 3237-0908 ou contato@trash80s.com.br
Para reservas, envie e-mail para reserva@trash80s.com.br. As reservas são aceitas apenas por e-mail e recebidas até as 16h do dia da festa (ou da véspera, no caso das festas que acontecem aos sábados e feriados oficiais). Reservas sujeitas a disponibilidade
Flyers impressos do site e reservas têm validade até a 1h

Por Carlos Emílio Faraco para Trash 80′s

TRAVESSIA

Carlos Emílio Faraco



“ Caía a tarde feito um viaduto

E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos
A lua, tal qual a dona de um bordel
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel
E nuvens, lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas
Que sufoco
Louco, o bêbado de chapéu –coco

Fazia irreverências mil
Pra noite do Brasil…
Meu Brasil…
Que sonha,
Com a volta do irmão do Henfil,
Com tanta gente que partiu
Num rabo de foguete….
Chora a nossa pátria, mãe-gentil…
……………………………………………..”

(O Bêbado e a Equilibrista, 1979)

Só louco mesmo, ou bêbado, pra fazer qualquer irreverência à “noite” — leia-se ditadura — que tinha se instalado no Brasil em 31 de março de 1964.
Quando Elis gravou a música, já fazia quinze anos que o povo brasileiro sonhava alto. Sonhava com a volta de Betinho – o irmão do Henfil – e tantos outros que se exilaram fugindo da perseguição política que não arrefecia. A mordaça do governo militar apertava cada vez mais. Fechadas as janelas para qualquer brisa democrática, só havia uma saída: as frestas. Foi por essas frestas, manejando com maestria as palavras, que nossos artistas procuravam traçar poeticamente um mapa do Brasil.
Vivíamos num país de entrelinhas; compositores e cantores mais que nunca viraram intérpretes de uma identidade coletiva amedrontada, que se queria livre.
“Dois homens fumando juntos pode ser muito arriscado”, cantava Raul Seixas, em “Metrô 743”….
Num festival da canção, Jair Rodrigues era porta-voz do protesto:
“… porque gado a gente marca
Tange, ferra, engorda e mata,
Mas com gente é diferente…”

Os Mutantes acompanharam um Caetano exaltado e não-compreendido:
“É proibido proibir
É proibido proibir
É proibido proibir”

Em 1969, Elis Regina, em turnê européia, disse que o país era governado por “gorilas”. Cana nela? Não! Uma “convocação” para cantar nas Olimpíadas do Exército, na comemoração do Sesquicentenário da Independência (1972). Era aceitar ou… aceitar.
E assim como acontecia na música, dezenas de contos, romances, peças de teatro foram sendo censuradas… Até a novela Roque Santeiro, de 1975, teve de esperar dez anos para estrear.
O tempo foi-se escoando entre canções engajadas, canções bajulatórias, canções descompromissadas… E sucediam-se os ditadores militares.
Em 1984, o povo se mobilizou pela aprovação da emenda Dante de Oliveira, que propunha eleições diretas para a Presidência da República. Grandes comícios em todo o país, culminando com o de São Paulo, que reuniu um milhão e quinhentas mil pessoas.
A cantora Simone trouxe à tona de novo a música de Vandré:
“Há soldados armados, amados ou não
Quase todos perdidos de armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam uma antiga lição
De morrer pela pátria e viver sem razão
Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Somos todos soldados armados ou não
Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais braços dados ou não… “

O auge, no entanto, deu-se quando Fafá de Belém mostrou que tinha peito e voz para cantar o Hino Nacional.
Pra quem estava ali, parecia que era a hora do “ou vai ou racha”. Tinha-se a sensação de que o país ia explodir se não houvesse as diretas…
Uma trilha sonora costurava a movimentação da gente.

Milton liricamente dizia:
“De quem é essa ira santa
Essa saúde civil
Que tocando na ferida
Redescobre o Brasil?”

Chico desejava, como todos nós:
”Vai passar
Nessa avenida um samba popular
Cada paralelepípedo
Da velha cidade
Essa noite vai
Se arrepiar.(…)”

Entre o comício e a data marcada para a votação da emenda, dia 25, as manifestações continuaram, mesmo em Brasília, apesar da proibição do então Presidente João Figueiredo.

Chico Buarque descreve assim o estado do país:

“Quando vi todo mundo na rua de blusa amarela
Eu achei que era ela puxando um cordão
Dão oito horas e danço de blusa amarela
Minha cabeça talvez faça as pazes assim
Quando ouvi a cidade de noite batendo as panelas
Eu pensei que era ela voltando pra mim….”

(Pelas Tabelas)

A ira santa não adiantou. O panelaço não funcionou. A coisa não passou e a “página infeliz da nossa história” não foi virada de vez. A emenda Dante de Oliveira não foi aprovada pelo Congresso. A euforia deu lugar à decepção.
Mais uma vez a música seria nossa porta-voz. Agora, expressava a morte da esperança.

“Quero falar de uma coisa,
Adivinha onde ela anda?
Deve estar dentro do peito
Ou caminha pelo ar.
Pode estar aqui do lado
Bem mais perto que pensamos
A folha da juventude
É o nome certo desse amor
Já podaram seus momentos
Desviaram seu destino
Seu sorriso de menino
Quantas vezes se escondeu…”

No entanto, uma faísca riscava o tom sombrio da música:

“Mas renova-se a esperança
Nova aurora a cada dia
E há que se cuidar do broto
Pra que a vida nos dê flor e fruto…”

Os frutos vieram. Apesar de as eleições serem indiretas, o povo saiu vitorioso: Tancredo Neves foi eleito pelo Colégio Eleitoral, derrotando o candidato da situação – Paulo Maluf.
A ditadura tinha sido derrubada. Sem o estrondo esperado, mas estava vencida.
Iniciava-se o processo de abertura política. A posse de Tancredo estava marcada para 15 de março. Na véspera, o quase-presidente foi internado, com fortes dores abdominais. Depois de 7 cirurgias, morreu de infecção generalizada. Para acentuar a tragédia, Tancredo morreu em 21 de abril, uma das datas mais cultuadas do calendário cívico brasileiro.
No mesmo dia assumiu o vice, José Sarney, que governaria até 1989, quando ocorreu a eleição por voto direto, depois de 25 anos de ditadura militar.
Fernando Collor de Melo era Presidente da República.

“E nestes dias tão estranhos
Fica poeira se escondendo pelos cantos
Este é o nosso mundo: o que é demais nunca é o bastante
E a primeira vez é sempre a última chance.
Ninguém vê onde chegamos:
Os assassinos estão livres, nós não estamos
Vamos sair – mas não temos mais dinheiro
Os meus amigos todos estão procurando emprego
Voltamos a viver como há dez anos atrás
E a cada hora que passa
Envelhecemos dez semanas”

(Teatro dos Vampiros. Legião Urbana)

*
Quem examina as capas de VEJA do ano de 1992, depara com figuras como Jesus Cristo, Madonna, um pedófilo assassino e, numa edição extraordinária, com o rosto cabisbaixo de Fernando Collor de Melo encimando uma legenda curta e grossa: “Caiu”.
O Presidente da República tinha sofrido impeachment. Motivo: corrupção.
Haja espanador!

O clima de euforia invadiu o escritório desde semana passada. A festa à fantasia que comemorou o aniversário coletivo dos taurinos foi o estopim. Festa bacana com gente divertida vinda de várias gerações da Trash 80′s. Agora só se fala nas festividades dos cinco anos, começando por quinta que deve ser puro luxo mesmo.

Minha intenção é começar os agradecimentos por tanto carinho e companheirismo. Esses anos têm sido ótimos principalmente por conhecer e trabalhar com tanta gente bacana. Muitos já passaram, outros estão chegando  mas a consideração que tenho por cada um não muda.

Tenho muito prazer em trabalhar com o que eu gosto, com gente que merece todo meu respeito e para um público que entende isso.

Obrigado.

Poxa!!! Fui convidado para escrever no Trasher da Semana…

De imediato achei um lisonjeio imenso, porque sempre enxerguei a casa como um lugar muito especial e perfeito. Exatamente isso, porque não caberiam todos os adjetivos para um lugar em que todos se sentem bem, um ambiente sempre familiar. Posso acertar em cheio ao levar meus amigos e saber que eles não se decepcionaram com o lugar, com o público sempre interagindo um com o outro, músicas que agradam e encantam a todos os gêneros, coreografias únicas que não existem em nenhum outro lugar, funcionários que fazem questão de tratar bem e saber se estão todos se divertindo 100% – praticamente pessoas que eu poderia dizer que “zelam” pela nossa diversão -, quando os DJ’s atendem nossos pedidos exaustivamente e tudo fazem com um sorriso no rosto por nossa vontade.

E, pelo pouco que vejo, sei o quanto é árduo o que essas pessoas do staff fazem além das noites e matinês para agradar ao público: um lugar sempre em evolução quando se fala em entretenimento na noite paulista.

É tão bom ver todas as pessoas ficarem deslumbradas desde a entrada, sendo tratadas bem pelos doors e hostess da casa, os seguranças, os DJs tocando hinos infantis e músicas que marcaram os gloriosos anos oitenta… Eneas e Tonyy sempre uns fofos, com a simpatia e carisma que só eles têm.

É um lugar em que consigo esquecer todos os meus problemas, ser eu mesmo e nem preciso me preocupar com o que as pessoas acham de mim. É aquele local que você acertará sempre em dizer que esteve no lugar certo, na hora certa e no momento exato de sua vida.

Minha história com a Trash 80′s é a seguinte:
Conheci através de indicação de amigos que diziam de uma balada em São Paulo que tocava Xuxa, Paquitas e todos os ídolos infantis que permanecem na memória de todos.
Quando entrei, tocavam hits do Balão Mágico, e aí veio Trem da Alegria, Xuxa, todas que nós freqüentadores sabemos que fazem a Trash se tornar mais que uma balada!
A partir desse dia não deu outra: querendo ir toda semana, fico ansiosamente esperando passarem os dias pra eu ir. Enfim, tinha surgido um lugar que me fazia ficar elétrico até a última música, por volta das 6h30 da manhã. Fora a sensação boa que temos quando saímos, chegando leves em casa, não ficamos “moídos” no dia seguinte. Você fica com a sensação de que não foi um dia de perda, pelo contrário: um dia de vitória por você mesmo ter contribuído ao ir a um lugar em que a tristeza e depressão praticamente nem passam perto.

Essas e outras coisas tornam a Trash 80′s a melhor balada. Aliás, o melhor lugar do mundo, em todos os tempos.