Por Paulo Simas para Trash 80′s
02/03/07

Já tentaram nomeá-lo de diversas maneiras: literatura cor-de-rosa, livrinhos água-com-açúcar, romances em série. Mas esse tipo de ficção é conhecido mesmo por seus nomes próprios, como Sabrina, Júlia, Bianca e Jéssica.

Vendidos em bancas de jornal de todo o país, esses livretos têm em comum as histórias de amor açucaradas, os casais apaixonados na capa e os preços populares. Apesar de repetitiva, essa fórmula de quase 30 anos é o xodó de muitas brasileiras. Muitas mesmo. A pioneira Nova Cultural, maior editora do gênero, vende cerca de 2 milhões de exemplares por ano. Um livro best-seller, como O Código da Vinci, não alcança nem metade desse número.

Os campeões de venda são os da série Sabrina, primeira a ser publicada no Brasil, em 1978. Foi criada para “modernizar” a coleção Biblioteca das Moças, sucesso entre as moçoilas recatadas da primeira metade do século passado. Desses livrinhos bem comportados, os da Nova Cultural só herdaram os finais felizes. Eles foram se adaptando às mudanças dos costumes, procurando atender às expectativas das leitoras. Hoje, por um preço a partir de R$ 5,90, é possível ler histórias com personagens desquitados e descrições detalhadas de cenas de sexo – mas nunca explícitas demais. Quando apareceu a palavra “pau”, por exemplo, muita gente reclamou.

E como as leitoras reclamam! Por mês, a editora recebe 1,2 mil cartas e e-mails comentando os textos. Elas criticam, por exemplo, quando o final feliz não é tão feliz assim ou quando o casal protagonista não precisa fazer muito esforço para ficar junto. Com base nessa comunicação e em pesquisas detalhadas, as editoras traçaram um perfil desse público: são mulheres de classe média na faixa dos 20 aos 40 anos de idade que compram, em média, 3 livrinhos por mês. A maioria, cerca de 80%, trabalha.

Esses levantamentos também identificaram algumas preferências do público (leia mais abaixo). Homens sem camisa na capa, por exemplo, alavancam as vendas. Outro ponto crucial para o sucesso é quem escreve o texto: algumas autoras são mais lidas do que outras (Barbara Cartland, avó da princesa Diana, é uma das favoritas). Aliás, todas as escritoras são mulheres e a esmagadora maioria é estrangeira. Na realidade, a Nova Cultural importa histórias da editora Kensington, dos Estados Unidos. E sua maior concorrente, a Harlequin Books Brasil, é uma filial da gigante canadense, líder mundial no segmento.

De olho nos vários tipos de mulher, as duas empresas segmentaram sua produção, dividindo-a em séries. Os títulos publicados sob o nome Sabrina, por exemplo, são destinados às independentes, porque se passam nos dias de hoje e abordam temas da atualidade. Jéssica é picante, com muito sexo. Já Bianca é dedicada às sonhadoras, porque conta histórias do passado. É o mesmo caso de Grandes Clássicos e Clássicos Históricos. Cada editora tem por volta de 7 ou 8 séries, com periodicidade variada: algumas são semanais, outras quinzenais ou mensais.

Independentemente do tipo de história que contam, esses livrinhos funcionam como escape para as leitoras. A maioria nunca vai viajar para os lugares descritos e muito menos viver uma paixão avassaladora com um homem rico e bonito como os dessas narrativas. E é exatamente isso que as cativa.

A receita para um bom romance de banca:

- O final tem que ser feliz;
- O casal deve superar muitos obstáculos antes de terminar junto;
- É obrigatório colocar homens musculosos na capa. Isso é tão importante que alguns modelos se tornaram famosos. É o caso de Stefan Andreas Schwarze e Mika Dale ;
- A imagem da capa tem que condizer com a história. Se a foto mostra uma loira, a história deve ser sobre uma loira;
- As histórias devem se passar em lugares distantes, como Austrália, ou em épocas passadas, como a Idade Média;
- As cenas de sexo devem ser contadas em detalhes, mas sem apelar para palavras chulas ou gírias. Elas têm que ser eróticas, e não pornográficas;
- O texto precisa estar recheado de declarações de amor de homens a suas amadas. Exemplo: “Voltarei para casa todas as noites e farei amor com você até que implore para que eu pare”.

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