Por Paulo Simas para Trash 80′s
15/02/07

Em 12 de outubro de 2005, o jornal britânico The Independent estampou no alto de duas páginas: “Rei do Carnaval: a morte de uma lenda”. A notícia era sobre Clóvis Bornay, morto três dias antes, aos 89 anos. “O festival de hedonismo do Rio nunca mais será o mesmo”, sentenciava o diário.

De fato, a festa mais popular do país havia perdido um de seus símbolos. Desde que Bornay se apresentou pela primeira vez, em 1937, tornou-se referência para a estética carnavalesca. Ele tinha 17 anos e convenceu o diretor do Teatro Municipal do Rio de Janeiro a organizar um concurso de fantasias junto com o tradicional baile de Carnaval. Como era menor de idade, não pôde se inscrever. Mas sua produção “O Príncipe Hindu” arrebatou o júri, que o declarou vitorioso. Nas décadas seguintes, entre tantas outras disputas, Clóvis Bornay foi elevado a sinônimo de luxo e extravagância. Para alguns, de certo mau gosto também.

Mas, gostando ou não do exagero de suas roupas, não há como negar que ele tenha criado um estilo de se fantasiar. Quem mais pode se gabar de ter usado tanto lamê, brocado, paetês, cristais, plumas e glitter? Nos anos 80, nas transmissões que a extinta TV Manchete fazia dos desfiles do Hotel Glória, a graça era descobrir quem ganharia no quesito originalidade – porque em luxo só dava Clóvis Bornay. Entre tantas fantasias de nomes esquisitos, ele era apresentado como eminência. E era mesmo. No concurso do Municipal, por exemplo, participava como hors concours: desfilava fora de competição para os adversários não reclamarem de concorrência desleal.

Veja alguns looks de Clóvis Bornay e descubra por que ele botava medo nos outros fantasiados:

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