LIKE A VIRGIN!!! Foi como me senti ao me dar conta do lugar que eu havia conhecido, frente a tudo que eu já aprendi na Trash.

Expor essa sensação é uma tarefa muito mais difícil do que parece. Uma história digna de fazer qualquer psicólogo (ou psiquiatra, na pior das hipóteses) deitar e rolar. Uma história que envolve quebra de paradigmas, evolução de valores e conhecimentos. Ou seja, muito mais do que uma balada underground de “tantos contos”, que toca músicas dos anos 80.

Fruto de uma sociedade veiculadora de preconceitos e conceitos distorcidos, onde o mais bonito, rico e viril é quem se destaca, sempre me senti um E.T., pelo simples fato de nunca me sentir à vontade em “baladas fortes” destinadas a pessoas interessadas em observar e serem observadas. Sentia-me um excluído por nunca conseguir vestir um 1600, ter um 501 estampado na bunda e um cavalo vermelho e estúpido bordado no peito. Quem viveu a época sabe do que estou falando. O resultado disso era previsível. Um rapaz taxado de esquisito, sem vida, sem estilo e sem muitos relacionamentos destacáveis.

Porém, o que muitos chamariam de período mal aproveitado, eu atribuiria outro nome. Um nome que, por sinal, eu aprendi na Trash, com um livro emprestado pelas irmãs Baldwins (Van, Vivi e Veck). Meio-Tempo!Em síntese, meio-tempo é o nome dado ao período em que se gasta em busca do verdadeiro amor. Uma época de experiências e aprendizagem. No momento em que eu pisei neste lugar, pude perceber que estava no fim do meio-tempo.

Tudo começou em uma noite quente de quinta-feira em que eu e mais dois amigos optamos pela busca de um lugar diferente para irmos. Como qualquer outro cidadão paulistano, lancei a seguinte frase clichê: “Ouvi falar de um lugar que fica no Centro da cidade, que toca Xuxa e Balão Mágico”. A decisão foi unânime. Dirigimo-nos ao local. Contudo, nos deparamos com uma recepção um tanto quanto atípica. Tendo em vista que me vanglorio em afirmar que meus conceitos mudaram para melhor nesta escola, não escondo em falar que a minha primeira reação foi de receio. Mesmo assim deixamos os preconceitos de lado e entramos. Foi o começo de uma grande saga.

Hoje consigo perceber que não foram meus “tantos contos” que abriram aquela porta. As portas foram abertas pra mim! Agora estou aqui, escrevendo e até ensinando. É o mínimo que eu poderia fazer por uma escola que me fez quebrar barreiras e me proporcionou verdadeiros amigos, felicidade, respeito e liberdade!

Se enquadrar em um ambiente familiar e sem preconceitos é no mínimo gratificante. É uma liberdade diferente da que eu achava que tinha, que mais se assemelhava à de um passarinho engaiolado. É poder ser quem realmente é sem qualquer tipo de repressão.

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