Por Paulo Simas para Trash 80′s

Dezembro é o mês dos célebres especiais de fim de ano na televisão. Mas, além do programa da Xuxa, do show do Roberto Carlos e dos humorísticos do SBT, as duas maiores emissoras de TV do país celebram o Natal e o Ano Novo com mensagens institucionais. Elas podem aparecer em forma de vinhetas inseridas ao longo da programação ou em discursos comovidos do presidente da emissora (caso exclusivo do SBT, é claro). É uma forma de se aproximar do público, cativando-o com uma atmosfera de esperança.

Dá pra resistir ao otimismo de músicas como “Um novo tempo”? Composta por Nelson Motta, Marcos e Paulo Sérgio Valle para o Ano Novo da Globo de 1972, a canção é quase um hino do Réveillon. Desde que foi criada, é comum a emissora dar uma nova roupagem à versão original e colocá-la na boca de artistas, de criancinhas e de seu Corpo de Balé: “Hoje é um novo dia de um novo tempo que começou…”.

Em 1984, por exemplo, enquanto a música tocava em ritmo de rock, aparecia Kid Vinil sendo assaltado. O ladrão pegava a carteira do bolso dele, tirava todo o dinheiro e, para disfarçar, a devolvia recheada com um bilhete de loteria. Surpresa: os números eram sorteados e o vocalista do Magazine ficava rico!

Ao invés de criar historinhas, Silvio Santos era mais prático: ele mesmo desejava os melhores votos à família do espectador. Por mais que parecesse absurdo um judeu comemorar o nascimento de Cristo, ele fazia questão de se despedir com um “Feliz Natal” no último domingo antes do dia 25 de dezembro. Ele gravou, também, “Noite Feliz”, “Jingle Bells” e outras canções natalinas que chegaram a ser veiculadas no SBT.

Outra marca da emissora era a vinheta em desenho animado que passou durante anos na programação. Ela mostrava uma casa isolada e coberta de neve. Os flocos caíam em abundância quando, de repente, luzes se acendiam. A porta se abria e o telespectador descobria, lá dentro, uma árvore de Natal ricamente decorada. Surgia, por fim, o logotipo da TVS. Ao fundo, a música pedia: “Luz que traz o Natal, traga ao mundo a eterna paz”.

Mas, por mais que as artimanhas do homem do Baú comovessem, o hype mesmo eram os artistas da Globo. Eles eram convidados até para passar mensagens politizadas. Em 1987, para celebrar o centenário da Abolição da Escravidão – que seria comemorado no ano seguinte -, foi escalado um elenco formado só por negros. Sob o comando de Gilberto Gil, eles apareciam desejando muito axé para os brasileiros.

Em termos de famosos, no entanto, nada se comparou à mensagem de 1989. Depois de duas décadas de ditadura militar, o povo enfim tinha ido às urnas eleger um presidente. O escolhido foi o caçador de marajás, um político jovem e que nos encheu de otimismo. A Globo, para não decepcionar e também para comemorar seus 25 anos, reuniu todo o seu staff, de Xuxa a Cid Moreira, passando por Mussum e Vera Fischer. Vestidos com cores alegres, eles lotaram o saudoso Teatro Fênix para cantar: “Não tem pra ninguém, a Globo 90 é nota 100″. Foi a última mensagem de fim de ano da década de 80. .

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