Por Alessandro Fiocco para Trash 80′s

Androginia, uma maior liberdade sexual advinda dos anos 70 – tudo antes do fantasma da AIDS – e uma moda mais escancarada e ousada. Esse era o panorama comportamental do ínicio dos anos 80.

Com essa onda toda, a impressão que se tinha, pelo menos com os artistas de sucesso, é que não havia muito limite entre o visual masculino e o feminino. A moda e as pessoas transitavam sem maiores segmentações e isso era evidente pelo que se observava nas ruas e na mídia.

Boy George e o seu visual surreal apareceram no começo da década de 80, juntamente com o Culture Club, no qual o cantor era vocalista. Dono de uma presença misteriosa, Boy se escondia atrás de uma maquiagem pesada e quase nunca mostrava o rosto totalmente limpo. Com gestos suaves, ele deixava todo mundo com a pulga atrás da orelha se perguntando: “Qual é a dele?”.

Integrantes de grupos como Pet Shop Boys e Erasure faziam questão de “dar pinta”. Os ingleses Neil Tennant e Christopher Lowe, do Pet, possuíam visual vanguardista e deixavam todos boquiabertos com os seus clipes. Neles, homens de sunga eram uma constante, assim como referências ao mundo gay.

Já o também inglês Erasure, dono de hits como Stop e A Llittle Respect, abusava de brilhos, cores e formas em seus figurinos, que muitas vezes beiravam o excêntrico. Em 1992, mostraram uma maior diversidade em suas músicas ao gravar o disco ABBA-Esque, com remakes dos suecos do ABBA. No clip de Take Chance on Me, os guapos apareciam travestidos de Frida e Agnetha, as vocalistas do ABBA.

Elton John e David Bowie, artistas remanescentes de décadas anteriores, continuaram os seus trabalhos, porém sem deixar de lado suas marcas.

John continuou a ousar em suas roupas brancas e em seus óculos exóticos, com strass e cores variadas. Já David, após encarnar o glam dos anos 70, reinventou-se nos 80 e apareceu com um cabelo à la pica-pau no filme Labirinto, sem deixar de lado, óbvio, capas e muito brillho.

No Brasil, nossos artistas não deixaram por menos. O roqueiro Serguei continuou com as suas requebradas e deixou muitas aspirantes a Gretchen morrendo de inveja.

Caetano ainda exibia sua cabeleira no começo da década, assim como uma malemolência que exalava feminilidade. Ainda da Bahia, Pepeu Gomes e suas mechas coloridas colocaram todos para cantar “Ser um homem feminino, não fere o meu lado masculino. Se Deus é menina e menino, sou masculino e feminino…”, fazendo dessa música um de seus maiores sucessos e tornando-a referência para matérias que abordavam o tema do comportamento e da sexualidade do homem. Luiz Caldas, sempre descalço, entoou a nega do cabelo duro, com muita liberdade e rebolado.

No entanto, o artista brasileiro que mais representou esse estilo foi Ney Matogrosso. Sem deixar para traz o exotismo do Secos e Molhados, na década de 80 o trabalho de Ney continuava com a sua marca: muita make, corpo desnudo e calças com franjas. Também nas músicas, o seu trabalho refletia essa proposta. Em 1981, o cantor estourou com a canção Homem com H, um deboche que caiu no gosto do público.

No ano seguinte, o cantor aparece com o corpo seminu, banhando-se nas águas de um riacho, na capa do seu disco. No mesmo ano, ele lança Telma eu não sou gay, sucesso que perdura até os dias de hoje. No trabalho de 1984, que continha Vereda Tropical, música de abertura da novela, o sexy Ney mostrou o rosto todo purpurinado, embalado em plumas rosa.

Liberdade de corpo e alma. E, como dizia o cantor: “Porque eu sou é homem, menina eu sou homem e como sou”.

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