Por Roberta Ribeiro para Trash 80’s

Num país cheio de molejo e malemolência, a música não podia ser de outra maneira. A história das canções cheias de graça e dubiedade começam muitas décadas antes dos anos de néon. A década de 80 não deveu nada a esse tipo de letra cheia de humor, que caía e ainda cai rapidamente no gosto popular.

Um dos cantores que mais se aproveitaram disso foi o alagoano Sandro Becker. São deles músicas como “Julieta Tá” e “Tico Mia”. Na primeira, podem-se escutar versos como “Eu vinha andando no caminho e encontrei um urubu/ Pisei no rabo dele ele mandou tomar…cuidado”. Já a segunda conta a história de um gato, muito querido pela dona, mas que tinha um defeito grave: miar demais. Daí os versinhos “Tico mia no quarto / Tico mia no chão…” e por aí afora.

Outra que adorava fazer uma graça no palco era Clemilda, que por si só já dava vontade de rir, com seu jeito irreverente. Só como exemplo, ela era a voz em “Forró Cheiroso” (“Talco no salão / Talco no salão / Pro forró ficar cheiroso / E ter mais animação”) e “Prenda o Tadeu” (que, na Trash, foi ouvida no show de Maria Alcina).

Mas se é para falar de humor cafajeste, nada se compara a Genival Lacerda. Além de gravar as músicas dos outros (como “Tico Mia” e “Julieta Tá”), ainda pôs no mundo “clássicos” como “De Quem É Esse Jegue” e “Severina Xique-Xique”. Aliás, esta última chegou a ser gravada pela cantora “cult” Marisa Monte em seu primeiro disco “MM”, de 1988, para finalizar “Xote das Meninas”, composta muito tempo antes por Luis Gonzaga e Zé Dantas.

Isso sem falar nas tiradas de Chacrinha, Silvio Santos e muitos outros que se arriscaram a cantar e escolheram as piadas cantadas como repertório. Afinal, nada melhor que uma boa gargalhada para esquecer todos os problemas que o país vivia e ainda vive.

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Um comentário
  1. Gostei muuito do site , Valeeu aê

    dialog
    Maria Isadora comentou em 17 de junho de 2009 às 11:02 Responder

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