Por Roberta Ribeiro para Trash 80’s

No ringue idêntico ao de boxe, dois lutadores se olham fixamente. Até que um parte para o ataque e a luta tem início. Socos, pontapés, chaves de braço, “tesouras” de perna, todos os golpes são válidos. De um lado, o lutador bonzinho, adorado pela platéia. Do outro, um vilão, vaiado por todos e que sempre começa a disputa em vantagem e usa artifícios desleais para vencer. O que não acontece, afinal, nesse espetáculo maniqueísta, o bem sempre sai vencedor. Em resumo, este é o roteiro de telecatch, nome pelo qual ficou famosa a luta livre no Brasil, ainda nos anos 60.

Se na primeira geração, das décadas do iê-iê-iê e da psicodelia, o rei era Ted Boy Marino, a partir da década de 80 quem passa a manter o programa mais famoso do gênero na TV é Michel Serdan, codinome para Antônio Carlos de Aquino, atualmente um senhor de 60 anos. É ele quem dirige “Gigantes do Ringue”, programa atualmente fora do ar, mas que de uma forma ou de outra, sempre volta.

Apesar de serem claramente “marmeladas”, isto é, coreografadas, as lutas de telecatch atraíam um público grande e diversificado. Desde os machos mais brutos até mulheres e crianças, que se divertiam torcendo pelos heróis do ringue. Durante boa parte dos anos 80, a transmissão ficou com a TV Bandeirantes, que depois passou os direitos para a Record.

Um grande diferencial daqueles tempos para os atuais é que os participantes da luta livre de então não precisavam ter músculos super-desenvolvidos, corpos de Sylvester Stallone. O que contava mesmo era a agilidade dos movimentos e a capacidade de encarnar um personagem. Ficaram famosos personagens como o próprio Michel, Trovão, Falcão e tantos outros que mexiam com a imaginação popular.

Por que esses duelos chamavam tanta atenção (e ainda chamam em países como o México e os Estados Unidos?). Provavelmente porque neles, o mocinho triunfa, mesmo que por alguns momentos pareça mais fraco. Coisa que nem sempre acontece na vida real.

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