Por Roberta Ribeiro para Trash 80’s

Em 1988, uma música judaica ganhou fama e tomou conta das rádios no mundo inteiro. Era “Im Nin’alu”, gravada pela cantora Ofra Haza.

Nascida em 1957, Haza era filha de uma família de judeus do Iêmen, que emigraram para Israel fugindo da perseguição em seu país de origem. Filha caçula de nove irmãos, Ofra começou sua carreira como atriz amadora de um grupo de teatro de seu bairro, onde teve suas primeiras experiências com interpretação e canto, aos doze anos. Com 17, venceu um concurso nacional de música oriental, para, quatro anos depois, gravar seu primeiro disco.

Aparece pela primeira vez para os ocidentais no Festival Eurovisão da Canção de 1983, onde obtém o segundo lugar com a música “Chai”, escrita pelo poeta israelita Ehud Manor. Em 1985, grava um disco de caráter mais étnico, menos pop, com músicas feitas sobre bases de instrumentos tradicionais da cultura oriental e poemas do século XVI do rabino Shalom Shabazi, gravados em hebraico, árabe e aramaico, como forma de homenagear suas raízes.

Depois disso, a cantora decidiu se dedicar à carreira internacional e para concretizar o projeto, mudou-se para Los Angeles, sem nunca deixar de lado sua terra. Em 1987, numa de suas viagens, Ofra Haza sofre um acidente de avião na fronteira de Israel com a Jordânia, mas sobrevive.

No ano seguinte, lança a já citada “Im Nin’alu”, que misturava a sonoridade do Oriente Médio com letra em inglês. A canção fica no topo da parada alemã por nove semanas consecutivas e o disco “Shaday” vira sucesso absoluto no Canadá, nos Estados Unidos e no Japão. A voz da cantora também foi usada como sample em “Pump Up the Volume”, um techno bem construído do M.A.R.S.S..

O disco seguinte, “Desert Wind”, de 1989, traz todas as letras em inglês e é totalmente pop. Daí por diante, ela grava mais cinco álbuns (com “Kyria”, de 1992, sendo indicado ao Grammy) e faz duetos com nomes como Iggy Pop, Lou Reed e Paula Abdul.

Com apenas 43 anos, no ano 2000, Ofra Haza morre de uma doença não especificada, agravada pela AIDS. Deixa, no entanto, um bom legado: a inserção da música árabe no mundo ocidental e novas sonoridades para europeus e americanos.

(agradecimentos ao leitor “Bogra” pela correção!)

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3 comentários
  1. A mídia sabia que Ofra havia contraído AIDS?

    dialog
  2. Im nin'alu nao é uma musica arabe, mas sim, uma musica judaica.

    dialog
  3. Ofra Haza era cantora Judia e não Arabe!

    dialog

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