Por Paulo Simas para Trash 80’s

Cinco da tarde de segunda-feira: aquela não era uma boa hora para conversar com Simony. “Pode me ligar daqui a pouco? Estou alimentando o bebê”, disse a cantora, provavelmente referindo-se a Pyetra, 6 meses de vida, sua terceira filha.

Logo de cara, a ex-integrante do Balão Mágico afastou a imagem daquela menina de 7 anos, de rosto redondo e dentes separados, do programa da Rede Globo. Deixou claro que do outro lado da linha estava uma mãe de 30 anos. Ao longo da entrevista, iria mais fundo e revelaria o tipo de mãe que é. “Não sei se quero que meus filhos sigam carreira artística. Isso ocupa muito tempo e eu quero uma vida normal pra eles. A nossa não tem horário nem privacidade”.

Ela entende do que está reclamando. Desde muito cedo, Simony aprendeu sobre os pormenores da vida de artista. “Minha família é toda de circo, todo mundo é músico”, explica. Quando criança, viveu no Circo Teatro América, de propriedade de seu avô. Foi lá que tomou gosto pela música e passou a acompanhar a mãe, Maricleuza, nas apresentações.

Mas isso não bastava. Simony conseguiu convencer a mãe a levá-la ao programa de calouros de Raul Gil, que se encantou com a menina de 3 anos de idade. Ele a manteve no ar durante 1 ano, até a garota ser convidada por um diretor da Sony para formar, com Tob e Mike, a Turma do Balão Mágico. Ao longo da carreira, o trio vendeu 10 milhões de cópias e, de 1983 a 1986, seus integrantes se revezaram no comando do programa infantil de maior sucesso da era pré-Xuxa.

O prestígio do Balão era tão grande que alguns trabalhos do grupo contavam com a participação de cantores como Roberto Carlos, Djavan e Fábio Jr. “Minha mãe falava que eles eram importantes e tudo, mas eu não tinha noção de quem eram. Só o Fábio, por quem eu era apaixonada”, ressalva Simony. Entre os sucessos do Balão, alguns permanecem. É o caso de “Superfantástico”, “Amigos do Peito”, “Se Enamora” e “Ursinho Pimpão”, a preferida da cantora. “Essa música me marcou, passou por várias gerações. Eu coloco para os meus filhos ouvirem”.

Quando o Balão Mágico acabou, Simony continuou cantando e se apresentando. Ao lado de Jairizinho, outro integrante do grupo, gravou um disco. E, depois de passar pela TV Manchete, ganhou um programa só seu no SBT. Tinha somente 12 anos quando comandou “Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Simony”, mas não se intimidou. “Tenho competência: não sabia ler e já apresentava. Eu fazia aquilo desde pequena e acho que se não fizesse bem não iriam me dar um programa”.

A passagem pela emissora de Sílvio Santos foi seu último trabalho na TV. Depois disso, posaria nua em duas ocasiões (a primeira aos 18 anos) e ganharia destaque na mídia mais pela vida pessoal do que pelas realizações artísticas. Numa das polêmicas mais recentes, envolveu-se com o rapper Afro-X, pai de seus dois primeiros filhos. Ainda que sem grande repercussão, Simony continua gravando discos do que mais gosta: “música romântica”, como ela define.

Hoje, antes de dar novos rumos à carreira, a cantora pretende recuperar o que ficou para trás. “Eu vou fazer faculdade no meio do ano. Não tive tempo de fazer antes por causa do Balão”. Ela não sabe que curso vai prestar, mas está decidida a entrar na universidade. E faz questão de que seus filhos não sigam seu exemplo: “Não vou deixar eles pararem de estudar”. É o que toda mãe diz.

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