“É aqui mesmo? Tem certeza?”
“É sim”

Era uma sexta-feira, julho de 2003. Minha colega de apartamento que estava indo morar na Inglaterra resolveu variar o cardápio de baladas Vila Olímpia/Vila Madalena e marcou a despedida num tal de Caravaggio. Chegamos lá cedo e a única pessoa na porta era uma drag queen como hostess. Eu, que já estava achando muito estranho um lugar sem fila em São Paulo, numa sexta à noite, vi a plaquinha na porta: “Nós respeitamos a diversidade sexual”. É, realmente não era uma balada da V.O.

Entramos e não tinha absolutamente ninguém na pista. Um DJ magrelo cantava e dançava sozinho uma música lenta. Subimos para o bar, eu tinha que beber qualquer coisa e logo. Caipirinha barata, perfeito! Ficamos lá em cima bebendo, e começou a tocar Leo Jaime. “Ainda encontrooo a fórmula do amor!”. Cantava baixinho o refrão. Aí veio Ursinho Blau Blau. E eu já estava cantando tudo, e vendo lá de cima algumas pessoas chegando na pista. Enfim chega um grupo de amigas da minha amiga, e dou de cara com uma pessoa do trabalho (no qual eu havia começado um mês antes). “Ai, droga! O que a Thais veio fazer aqui?”. Mal sabia eu que ela e outras pessoas do trabalho iam sempre ao tal do Caravaggio, como ela depois me contou sentada no pufe do lounge.

Descemos para a pista e eu já cantava e dançava todas as músicas. Minhas amigas olhavam com cara de de-onde-você-conhece-essa-música, mas quando começou a tocar “Tremendo” todas se jogaram, imitando o “carinha da coreografia” – que eu hoje chamo de Nando. Eu já tinha me arrependido amargamente de ter ido de salto, queria pular, dançar músicas da Xuxa e do Balão Mágico, e a santa caipirinha mostrou que dor no pé é relativo. Dançamos até 5 da manhã, e eu pedia “Não!! Só mais essa, vamos embora depois!”.

Depois desse dia, eu sempre era a chata que falava “Vamos pra Trash!”, tentando convencer os amigos de que uma balada no Centro que só toca música ruim era muito legal. Convenci alguns, algumas vezes, e já começava a identificar o “carinha da coreografia”, o “DJ magrelo”, “a mulher da porta”. E fui conhecendo as pessoas, algumas gritando “Uh, mezzanino!”, eu sem entender muito. Como já era amiga da Thais, da Maô, do Flávio, fui conhecendo cada vez mais esses loucos e bêbados. Óbvio, me identifiquei na hora! Depois disso foram horas e horas no boteco, viagens, conversas no MSN, churrascos e muita história pra contar. Mas isso não ia caber aqui. :)

Ops, já ia esquecendo. O que mais gosto na Trash? A caipirinha e os amigos que bebem comigo.

E pra encerrar…UH, MEZZANINO!

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