Por Roberta Ribeiro para Trash 80´s

Para quem mora em São Paulo (ou em cidades que não tem praia) é necessário pegar estradas para chegar mais pertinho do mar. E se ainda hoje os caminhos que levam para a praia não são lá grandes coisas, o que dizer de um período em que a conservação das rodovias era ainda menor e os carros ainda não podiam contar com a tecnologia como aliada?

Quem ia para o litoral Sul paulista, por exemplo, já podia contar com o complexo Anchieta-Imigrantes, porém, incompleto. A Imigrantes começou a ser construída ainda na década de 70, mas, por alegada falta de verbas, só foi concluída em 2002 Com isso, as pistas que ficaram prontas tinham que servir tanto para descer quanto para subir a serra. Surgiram as famosas operações “subida e descida”. Mas logo se tornaram insuficientes, pois o número de carros tornou-se muito maior do que a rodovia podia suportar. Tentou-se, então, proibir caminhões de utilizarem as pistas novas em horários de pico, ou seja, quando o fluxo de veículos era maior. A revolta dos motoristas e donos de empresas de transporte foi enorme; afinal, a estrada interliga São Paulo a Santos, onde se localiza o maior porto do país, e também leva ao pólo petroquímico de Cubatão.

No litoral Norte a situação não era muito melhor. A via Dutra e a Carvalho Pinto (que hoje é conhecida por Ayrton Senna) não eram bem conservadas e eram – e são – os caminhos possíveis para chegar à rodovia dos Tamoios. Nesta, curvas acentuadas e falta de sinalização assustavam o motorista, mesmo durante o dia.

Os carros também não eram lá uma maravilha. Não foi à toa que o ex-presidente Fernando Collor afirmou que os automóveis aqui eram “carroças Sem a possibilidade de importar os veículos, as montadoras nacionais não tinham grandes preocupações com design ou inovações. Brasília, Corcel e Corcel 2, Belina, Caravan, Monza, Variant e outros tantos que quase ninguém lembra mais circulavam por aí, com placas amarelas, de duas letras e quatro números. Segurança? Quase nenhuma. Além de praticamente ninguém respeitar a lei que obrigava a usar cinto, os carros eram projetados para que, se batessem, estragassem o menos possível sua estrutura mas não protegiam os que estivessem dentro dele. Atualmente, o veículo até fica mais amassado, mas os passageiros estão protegidos por um design pensado para isso e por acessórios que diminuem bastante os impactos causados por acidentes.

Se nos dias atuais viajar não é tarefa simples, na década de 80 então, era uma verdadeira aventura. Mas protestar contra as condições de rodovias mal cuidadas e contra motoristas irresponsáveis é algo que não deixa de acontecer nunca. E é válido para que o trânsito seja mais seguro.

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