Por Roberta Ribeiro para Trash 80´s

É fácil falar dos erros e absurdos de filmes “mais ou menos” da década de 80. Mas até mesmo a produção mais elogiada, a película mais bem cuidada tem suas falhas, seus erros de continuidade e detalhes que nem o mais cri-cri dos diretores pode evitar.

Ridley Scott, o homem por trás de filmes como “Alien, o 8º Passageiro” e “Gladiador”, tem em “Blade Runner – O Caçador de Andródeis” (1982) um de seus momentos mais inspirados. Mas como adivinho do futuro, Scott é realmente um ótimo diretor cinematográfico. Além de objetos que aparecem, desaparecem e reaparecem novamente (caso de uma garrafa de bebida que o personagem de Harrison Ford compra numa parte do filme), Ridley abre o filme com o protagonista lendo um jornal, que deixa claro o ano em que a ação acontece, 2019.

Quer dizer, ele foi capaz de imaginar que existiriam robôs que imitariam com perfeição os humanos, mas não previu que o papel já não seria o principal meio de propagação da informação? Estranho, mas está lá.

Os filmes fofos também não escapam de escorregar em meio a tantas cenas produzidas. Em “Conduzindo Miss Daisy” (1989), a personagem do título reclama que o motorista roubou uma lata de salmão. No dia seguinte, Hoke, o motorista, traz uma lata e afirma ser de carne de porco, para repor a que havia levado. Dois erros, porque além de miss Daisy ter dito que era lata de salmão, carne de porco não é permitida na alimentação dos judeus e a velha senhorita é judia.

“Dança com Lobos” (1990) é outro que coleciona Oscar e erros, não só de continuidade como históricos também. Acontece de gente que tomou três flechadas de índio aparecer com quatro flechas espetadas na barriga, índio nativo que fala “OK” em meio a frases em dialeto aborígine e espingarda de chumbinho que consegue matar um búfalo, quando na verdade não mata nem um ser humano comum.

Mais engraçado é pensar no clássico água-com-açúcar “Ghost – Do Outro Lado da Vida” (1990). Sam, o personagem central vivido por Patrick Swayze, é assassinado logo no início na trama, o que significa que ele é o fantasma do título, certo? Contudo, quando ele anda, corre, enfia o pé em poças d’água, é possível ouvi-lo. Aliás, ele pode passar pelas paredes. Mas em uma das cenas no metrô, é uma parede que o segura de um empurrão. Fantasminha atrapalhado ele, não?

Aliás espíritos que gostam de aparecer era algo comum nos anos 80 mesmo. Em “Os Fantasmas se Divertem” (1988), de Tim Burton, o casal falecido que tenta expulsar os novos moradores de casa não tem reflexo no espelho, mas suas imagens se refletem na vidraça da janela.

Em meio a tantas gafes, a única conclusão a que se pode chegar é que mesmo a mais cult das produções cinematográficas tem lá seu lado trash. Basta abrir os olhos e notar os detalhes gritantes que saltam à tela.

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