Por Roberta Ribeiro para Trash 80´s

As férias estão acabando e logo, logo, a criançada volta para a escola e os marmanjos retomam o trabalho de sempre. (Ou um novo, que seja, o que importa é trabalhar…). E quem não se lembra da “tia” da escola pedindo aquela bendita redação com o tema “Minhas férias?”.

Aliás, voltar às aulas na década de 80 era algo bem diferente do que se vê hoje. Começando pela carga horária. Para a maioria, colégio só existia no fim de fevereiro ou começo de março. A explicação para isso é bem simples: até 1998, ano em que entrou em vigor as novas Leis de Diretrizes e Base (LDB) da educação no Brasil, a carga horária era de apenas 180 dias letivos por ano. Vinte a menos que os atuais 200 dias. E para onde iam os os dias a mais? Para as férias! (Para desespero de algumas mães, que viam a casa de pernas para o ar por muito mais tempo…)

Na volta, o panorama de aulas também era um pouco diferente. Em época de fim de ditadura militar, muitos ainda foram obrigados a assistir à explanações de Educação Moral e Cívica. E lá iam as professoras, ensinar sobre as maravilhas do país, sobre como éramos, como já cantava Jorge Benjor “abençoados por Deus e bonitos por natureza”. Obviamente palavras como “tortura”, “censura”, “repressão” e mesmo “ditadura” não chegavam nem perto dos ouvidos infantis e adolescentes. Pra que assustar os inocentes, não é?

A aula de inglês era mais ou menos como as aulas de música e educação física: levadas como uma forma de “descansar aprendendo”. Em casa, sempre havia um pai ou uma mãe que vinham com o discurso de “no meu tempo, não era inglês, não. Era francês! Muito mais difícil e também, mais bonito…”. Enquanto criancinhas perdidas até mesmo no português se perguntavam por que mesmo aquilo era necessário…

Informática? Não! Isso só entraria na grade curricular muitos anos depois. Na era da tela de fosfato verde o sistema era complexo demais até para os adultos…

A parte boa? Rever os amigos e fazer outros novos; comprar material escolar novinho, incluindo lancheiras com o personagem preferido, caneta de dez cores (e que mal cabia na mão…), cadernos Click ou aqueles com o Hino Nacional na contra-capa… E a certeza de que em algum lugar no futuro, tudo o que se aprendia ia dar!

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