Por Roberta Ribeiro para Trash 80´s

Se na década de 70 a revolução sexual levou milhares de mulheres a queimarem seus sutiãs em praça pública, a década de 80 trouxe a peça de volta para o armário, renovada e com muito glamour.

O uso da Lycra como matéria-prima na produção das lingeries foi um dos fatores que mais impulsionou a retomada do sutiã como parte básica do vestuário feminino. A adição da nova fibra deu maior elasticidade à peça, tornando-a mais confortável e dando maior liberdade aos movimentos.

A compra da Valisère, uma das maiores indústrias de lingerie brasileiras, pela Rosset, em 1985, formalizou a união da Lycra com o sutiã e fez vir ao mundo uma das propagandas mais lembradas da publicidade brasileira até hoje. Criada pela W/Brasil em 1987, a campanha do “primeiro sutiã” tinha como estrela Patrícia Luchesi, então uma menina com 11 anos de idade. Na tela, a garota ganha a peça e a experimenta em frente ao espelho, numa descoberta da feminilidade. Tão poético que nem o mais puritano dos puritanos reclamou da quase nudez de Patrícia. A campanha marcou tanto, foi tão bem produzido, que ficou com o Leão de Ouro daquele ano no Festival Internacional de Publicidade de Cannes, principal evento do gênero. E o bordão “O primeiro sutiã a gente nunca esquece” nunca mais deixou a memória do público.

Ainda no fim da década, Madonna (sempre ela!) imortalizou os sutiãs à mostra com um modelo cônico de Jean Paul Gaultier. E as mulheres resolveram exibir seus melhores modelos pelas ruas.

Do espartilho que não deixava a mulher respirar, no começo do século XX, passando pela fogueira da revolução sexual 70’s e chegando ao conforto e modernidade dos anos 80, pode-se afirmar que o sutiã reflete a situação feminina. Melhorando, mas ainda apertada.

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