Por Roberta Ribeiro para Trash 80´s e para os primos dos verões em Itanhaém…

Para quem tinha a sorte de tirar férias e ir à praia no verão, escolhas de diversão não faltavam. Não era à toa também que as crianças voltavam para a cidade torradas (e ardidas) de sol. Afinal, além de fazer castelinhos de areia, com pazinhas, rastelos e baldinhos presenteados todos os anos (até porque, terminavam a temporada aos pedaços), as brincadeiras se multiplicavam.

Na areia, o jogo mais tradicional era – e ainda é – o frescobol. Duas raquetes, uma bolinha e várias risadas. Nem todo mundo tinha a coordenação motora necessária para o jogo, mas aí residia a graça. A quadra, demarcada com um pedaço de madeira na areia molhada, sempre acabava ultrapassada. A bola ficava mais no mar que no jogo. E o protetor solar, com tanto suor, não resistia.

O esporte mais idolatrado pelos brasileiros também ganhava versão litorânea. Os meninos, corajosos, costumavam jogar futebol bem de manhãzinha ou quase de noite. Não porque quisessem proteger a própria pele: o negócio era evitar as reclamações de banhistas que, uma vez ou outra, eram atingidos pela pelota. Dor nas pernas no fim das partidas era algo quase inevitável para quem escolhia a areia fofa, mas a compensação vinha nas quedas, quando o corpo caía na maciez. Traves? Chinelos dos “jogadores” fincados no chão.

Também era no mar que muitas meninas finalmente conseguiam tirar da caixa suas bonecas que tomavam banho ou faziam pipi após beber água. As mães zelosas, não só das filhas, mas com a limpeza das casas, não permitiam que as crianças se molhassem e molhassem tudo o que estivesse em volta com as bebês de plástico sem que fosse à beira mar, onde o biquíni, a areia e o calor davam conta de diminuir o estrago.

Os meninos estreavam seus submarinos de controle remoto. Mas não podiam se afastar muito dele, pois um fio ligava o brinquedo ao comando. Aí, os pais percebiam um problema sério com o mimo: qual a graça de brincar com ele no rasinho? Para evitar que fossem para o fundo com o submarino, quantos não foram os pais e mães passavam o dia dentro d’água, gritando o nome dos filhos para que viessem mais para a “borda”.

Depois que deixavam a areia, ainda era tempo de mais brincadeiras. Jogar taco (bétis para muitos) era uma possibilidade de passar horas na correria. Por mais que fosse possível jogar na cidade também, o gosto não era o mesmo. Com várias regras, por vezes ininteligíveis, e no máximo quatro jogadores, muitas crianças dividiam a rua (caso ela fosse calma) em dois campos e disputavam campeonatos. Se acontecia alguma briga, a primeira ordem era largar o taco…

Na hora de se recolher, nada de ficar parado ou ir dormir cedo. Muitos aprenderam a jogar baralho numa mesa de casa de praia. Mau-mau, truco, buraco, tranca, 21. Tantos jogos para 52 cartas (54 com os curingas) e nada para fazer no dia seguinte.
Sem videogames avançados e até mesmo televisão para assistir na casa de veraneio, as crianças dos anos 80, em sua maioria, dificilmente vão esquecer dos bons momentos vividos no litoral. No fim das contas, nem sempre a tecnologia faz falta. A simplicidade às vezes pode entreter tão bem quanto os chips mais modernos.

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