Arquivo do mês: janeiro 2006

Por Roberta Ribeiro para Trash 80´s e para os primos dos verões em Itanhaém…

Para quem tinha a sorte de tirar férias e ir à praia no verão, escolhas de diversão não faltavam. Não era à toa também que as crianças voltavam para a cidade torradas (e ardidas) de sol. Afinal, além de fazer castelinhos de areia, com pazinhas, rastelos e baldinhos presenteados todos os anos (até porque, terminavam a temporada aos pedaços), as brincadeiras se multiplicavam.

Na areia, o jogo mais tradicional era – e ainda é – o frescobol. Duas raquetes, uma bolinha e várias risadas. Nem todo mundo tinha a coordenação motora necessária para o jogo, mas aí residia a graça. A quadra, demarcada com um pedaço de madeira na areia molhada, sempre acabava ultrapassada. A bola ficava mais no mar que no jogo. E o protetor solar, com tanto suor, não resistia.

O esporte mais idolatrado pelos brasileiros também ganhava versão litorânea. Os meninos, corajosos, costumavam jogar futebol bem de manhãzinha ou quase de noite. Não porque quisessem proteger a própria pele: o negócio era evitar as reclamações de banhistas que, uma vez ou outra, eram atingidos pela pelota. Dor nas pernas no fim das partidas era algo quase inevitável para quem escolhia a areia fofa, mas a compensação vinha nas quedas, quando o corpo caía na maciez. Traves? Chinelos dos “jogadores” fincados no chão.

Também era no mar que muitas meninas finalmente conseguiam tirar da caixa suas bonecas que tomavam banho ou faziam pipi após beber água. As mães zelosas, não só das filhas, mas com a limpeza das casas, não permitiam que as crianças se molhassem e molhassem tudo o que estivesse em volta com as bebês de plástico sem que fosse à beira mar, onde o biquíni, a areia e o calor davam conta de diminuir o estrago.

Os meninos estreavam seus submarinos de controle remoto. Mas não podiam se afastar muito dele, pois um fio ligava o brinquedo ao comando. Aí, os pais percebiam um problema sério com o mimo: qual a graça de brincar com ele no rasinho? Para evitar que fossem para o fundo com o submarino, quantos não foram os pais e mães passavam o dia dentro d’água, gritando o nome dos filhos para que viessem mais para a “borda”.

Depois que deixavam a areia, ainda era tempo de mais brincadeiras. Jogar taco (bétis para muitos) era uma possibilidade de passar horas na correria. Por mais que fosse possível jogar na cidade também, o gosto não era o mesmo. Com várias regras, por vezes ininteligíveis, e no máximo quatro jogadores, muitas crianças dividiam a rua (caso ela fosse calma) em dois campos e disputavam campeonatos. Se acontecia alguma briga, a primeira ordem era largar o taco…

Na hora de se recolher, nada de ficar parado ou ir dormir cedo. Muitos aprenderam a jogar baralho numa mesa de casa de praia. Mau-mau, truco, buraco, tranca, 21. Tantos jogos para 52 cartas (54 com os curingas) e nada para fazer no dia seguinte.
Sem videogames avançados e até mesmo televisão para assistir na casa de veraneio, as crianças dos anos 80, em sua maioria, dificilmente vão esquecer dos bons momentos vividos no litoral. No fim das contas, nem sempre a tecnologia faz falta. A simplicidade às vezes pode entreter tão bem quanto os chips mais modernos.

Por Roberta Ribeiro para Trash 80´s

Para quem mora em São Paulo (ou em cidades que não tem praia) é necessário pegar estradas para chegar mais pertinho do mar. E se ainda hoje os caminhos que levam para a praia não são lá grandes coisas, o que dizer de um período em que a conservação das rodovias era ainda menor e os carros ainda não podiam contar com a tecnologia como aliada?

Quem ia para o litoral Sul paulista, por exemplo, já podia contar com o complexo Anchieta-Imigrantes, porém, incompleto. A Imigrantes começou a ser construída ainda na década de 70, mas, por alegada falta de verbas, só foi concluída em 2002 Com isso, as pistas que ficaram prontas tinham que servir tanto para descer quanto para subir a serra. Surgiram as famosas operações “subida e descida”. Mas logo se tornaram insuficientes, pois o número de carros tornou-se muito maior do que a rodovia podia suportar. Tentou-se, então, proibir caminhões de utilizarem as pistas novas em horários de pico, ou seja, quando o fluxo de veículos era maior. A revolta dos motoristas e donos de empresas de transporte foi enorme; afinal, a estrada interliga São Paulo a Santos, onde se localiza o maior porto do país, e também leva ao pólo petroquímico de Cubatão.

No litoral Norte a situação não era muito melhor. A via Dutra e a Carvalho Pinto (que hoje é conhecida por Ayrton Senna) não eram bem conservadas e eram – e são – os caminhos possíveis para chegar à rodovia dos Tamoios. Nesta, curvas acentuadas e falta de sinalização assustavam o motorista, mesmo durante o dia.

Os carros também não eram lá uma maravilha. Não foi à toa que o ex-presidente Fernando Collor afirmou que os automóveis aqui eram “carroças Sem a possibilidade de importar os veículos, as montadoras nacionais não tinham grandes preocupações com design ou inovações. Brasília, Corcel e Corcel 2, Belina, Caravan, Monza, Variant e outros tantos que quase ninguém lembra mais circulavam por aí, com placas amarelas, de duas letras e quatro números. Segurança? Quase nenhuma. Além de praticamente ninguém respeitar a lei que obrigava a usar cinto, os carros eram projetados para que, se batessem, estragassem o menos possível sua estrutura mas não protegiam os que estivessem dentro dele. Atualmente, o veículo até fica mais amassado, mas os passageiros estão protegidos por um design pensado para isso e por acessórios que diminuem bastante os impactos causados por acidentes.

Se nos dias atuais viajar não é tarefa simples, na década de 80 então, era uma verdadeira aventura. Mas protestar contra as condições de rodovias mal cuidadas e contra motoristas irresponsáveis é algo que não deixa de acontecer nunca. E é válido para que o trânsito seja mais seguro.

Por Roberta Ribeiro para Trash 80´s

É tendência: as cores, roupas e acessórios que marcaram os anos 80 voltaram com tudo para as passarelas brasileiras. Quer arrasar na pista da Trash ou na praia neste verão? Então confira as dicas abaixo e divirta-se.

Cores Cítricas: verde limão, laranja, amarelo fluorescente. Capriche nas cores para ficar com o visual quente. Se for mais ousado (a), pode até misturar mais de uma cor. Caso contrário, jeans ou peças pretas são o ideal para ir com as peças “fosforescentes”.

Roupas de praia: asa delta e fio dental eram modelos de biquíni que imperavam e fizeram com que a moda praia brasileira ganhasse o mundo. Tudo bem cavado e decotado. Para os meninos, nada de bermudas até o joelho. As sungas são uma ótima opção e permitem que o bronzeamento seja melhor.

Sandálias de plástico: as boas e velhas Melissas. O modelo “aranha” era o mais conhecido nos anos 80. Agora, estilistas famosos assinam as coleções da sandália e as colocam na trilha dos aficionados por novidades. Os homens não têm a opção de plástico, mas podem relembrar os chinelos em couro. Um luxo fresquinho!

Acessórios: coloridos e geométricos, para serem usados com roupas do dia-a-dia ou com moda praia. Aliás, nada mais anos 80 que colares e brincos exagerados junto ao mar. Não quer tomar sol no rosto? Opte por uma boa viseira e mostre todo seu estilo.

Agora, mais importante que estar “na moda”, é ter atitude. Se não se sentir à vontade, não vale a pena. Sentir-se confortável é tão essencial quanto saber combinar as peças. Então, confie sempre em seu bom senso.

Por Roberta Ribeiro para Trash 80´s

Samba é coisa de carioca. Desfile? Só o da Marquês de Sapucaí. Foi a partir da década de 80 que esse panorama começou a mudar e o Carnaval paulistano ganhou ares grandiosos.

Para falar nos desfiles da capital, o melhor exemplo é Vai-Vai. Nos anos 80, a escola do Bixiga foi a maior campeã, conquistou cinco títulos. A segunda colocada, Rosas de Ouro, acumulou três; porém, no cômputo de todas as décadas a Vai-Vai é absoluta: são doze canecos e vários shows na avenida.

Em 1981, com o enredo “Acredite se Quiser”, a escola iniciou suas vitórias pela década. No ano seguinte, com “Orun Ayê – O Eterno Amanhecer”, veio o bicampeonato e claro, sempre havia quem dissesse que a situação na Bela Vista não podia ficar melhor.

Ledo engano: 1986, 1987 e 1988 trouxeram simplesmente o tricampeonato para a escola, que chegou ao fim do período com nada menos que cinco de dez títulos possíveis. Em comum, três enredos otimistas. “Do Jeito que a Gente Gosta”, “A Volta ao Mundo em 80 Minutos” e “Amado Jorge, a História de uma Raça Brasileira” traziam mensagens positivas para um país que saía da ditadura militar e procurava novos caminhos, novas idéias, uma identidade própria e livre.

E ainda houve os vice-campeonatos de 1983 e 1985. Por tudo isso, a herdeira do primeiro cordão do Carnaval de São Paulo, o Grupo Carnavalesco Barra Funda, de 1914, tem seu nome escrito na história da folia em São Paulo e no Brasil.

Curiosidade: o nome da escola surgiu do nome de um time de futebol, o Cai-Cai. A equipe mantinha uma roda de choro, apenas para convidados. Os penetras da roda eram expulsos com um “vai, vai”. Daí, surgiu o cordão Vae-Vae que deu origem à agremiação.

Por Malu da Matta para Trash 80´s

Não é nenhuma novidade que o Carnaval de Pernambuco atrai, a cada dia, mais e mais turistas brasileiros e, principalmente, estrangeiros ansiosos por conhecer o evento que conta com as mais diversas manifestações culturais do país. Recife, Olinda e demais cidades se transformam, graças a um Carnaval bem diferente das escolas de samba do Sudeste e dos trios elétricos baianos.

Originada da palavra ferver, surge o frevo. E com ele, os passistas, com coreografias que são verdadeiras ginásticas, e suas sombrinhas multicoloridas que dão o charme da dança. E ainda o hino “Quero sentir / A embriaguez do frevo / Que entra na cabeça / Depois toma o corpo / E acaba no pé”, composto por Luiz Bandeira e imortalizado na voz de Alceu Valença.

Patrimônio Cultural da Humanidade, Olinda mostra toda a criatividade num dos carnavais mais irreverentes do Brasil. No sobe-e-desce de suas ladeiras, o público participa de uma festa com mais de 300 blocos de diferentes temas, além dos famosos bonecos gigantes. O “Homem da meia-noite” é o bloco que dá nome ao boneco que abre oficialmente o Carnaval. E para encerrar em grande estilo, o não menos importante “Bacalhau do Batata” sai na quarta-feira de cinzas.

Recife tem aproximadamente oito pólos com diferentes manifestações carnavalescas, mas sem dúvida o Galo da Madrugada é o ícone do Carnaval pernambucano. E ele tem seus méritos. Fundado em 1978 e com o início de sua fama nacional nos anos 80, o bloco nasceu como um pequeno grupo de recifenses e, desde 1995, entrou para o Guiness Book como o maior do mundo, pois reúne mais de um milhão de pessoas. Para 2006, o Galo aumenta ainda mais seu percurso, levando os foliões a pularem 5km sem parar. Haja fôlego para tanta animação!

E para quem acha que acabou por aí, está enganado. Pernambuco conta ainda com uma imensa variedade cultural carnavalesca, que inclui mangue beat, orquestras de pau e corda, coco de roda, frevo de metais e o famoso maracatu de Nazaré da Mata. Mas isso é assunto para outro Carnaval.