Por Alessandro Fiocco para Trash 80′s
05/07/07

O ano era 1977. O país, Porto Rico. Edgar Diaz, que já havia criado e empresariado os grupos “La Pandilla” e “Acuantarina”, não estava realizado. Idealizador de projetos para o público infanto-juvenil, ele queria algo maior. Um produto que atingisse milhões de pessoas e que emplacasse hits pelo mundo afora.

O primeiro passo foi encontrar os integrantes. Em um projeto, digamos, meio que fundo de quintal, Edgar recrutou os seus primos Carlos, Oscar e Ricky para a brincadeira. Fernando e Nefty, filhos de uma família amiga, também embarcaram no projeto. Os ensaios funcionavam na garagem de sua casa e não era nada fácil. Afinal, estamos falando de meninos que tinham entre 10 e 14 anos. O nome do grupo surgiu ao acaso. Em mais um dia de passinhos e coreografia na garagem, a irmã de Edgard, surpresa com a cena, soltou: “¡Qué mucho menudo hay aqui!”. O termo “menudo”, sinônimo de jovem, foi o sinal para ele. O nome do grupo seria esse. Edgar criou uma única regra: ao completar 16 anos, ou, ao amadurecer prematuramente, o menino era substituído por outro. Ai, caramba!


Menudo no Brasil

Pulamos para 1984. O Brasil passava por um processo único com as “Diretas Já”; na TV, a Globo exibia Corpo a Corpo e Champagne, novelas de grande sucesso. Madonna estava no topo das paradas com “Like a Virgin” e Michael Jackson ganhava oito Grammy pelo álbum “Thriller”.

De mansinho e sem fazer alarde, os porto-riquenhos desembarcaram no Brasil. Nas rádios, uma baladinha gostosa intitulada “If you´re not here (by my side)”, do álbum “Reaching Out”, embalava vários corações apaixonados. Sim, era deles, mas era mais um sucesso de FM que ninguém sabia quem interpretava. Nesta primeira vinda, apenas uma apresentação no Playcenter foi realizada. Desconhecidos, com regatas coloridas e faixas no braço, os garotos gravaram vários clipes no parque para o álbum “Mania”, todo em português, que seria lançado em breve.

Esperto que só ele, Edgard logo acertou a vinda dos meninos para se apresentar em um programa popular. O escolhido foi o “Viva a Noite”, com o então moço Gugu Liberato. Data fechada, os meninos chegaram novamente ao Brasil. As músicas do “Mania” começaram a pipocar nas rádios. No dia marcado, lá estavam eles: Ray, Roy, Ricky (ainda o da primeira formação), Robby e Charlie já estavam no antigo estúdio do SBT, que ficava na Vila Guilherme. Quando o apresentador os anunciou, os garotos entraram pela porta lateral, guiando possantes biciclietas Caloi Cross (a coqueluche da época), passando sob arcos de flores erguidos por meninas ensandecidas. Já no ritmo de “Não se Reprima” e envoltos em um clima de pura histeria, eles se posicionaram no palco e fizeram, pela primeira vez aqui, a coreografia que é copiada até os dias de hoje. Aquele momento era uma prévia do que iria acontecer. Assim como o título do álbum em português, o grupo se tornou uma mania. Chicletes, bonecos, álbuns e pôsteres eram disputadíssimos pelos fãs, em sua quase totalidade meninas. Desse primeiro álbum, quase todas viraram sucesso. “Doces Beijos”, “Quero Ser”, “Indianápolis”, “Sobe Em Minha Moto” e “Se Tu Não Estás” – versão aportuguesada de “If you not here” – não saiam da programação das rádios. Na TV, os programas do Bolinha, Barros de Alencar e Gugu se revezavam nas apresentações do Menudo. E as menudetes não perdiam um!

No mesmo ano, antes da saída de Ricky do grupo, rolou a primeira turnê dos meninos pelo Brasil. Em março de 1985, já com Ricky Martin, que dispensa apresentações, os meninos queriam mais. Uma nova tour e um recorde. No Morumbi, no dia 16 de março daquele verão, 200 mil pessoas prestigiaram os porto-riquenhos. Esse recorde é mantido até hoje na história do estádio, assim como no histórico do grupo.

Em 1985, Edgar produziu os álbuns “Evolucion” e “Menudo” – em inglês. Com eles, novos sucessos vieram: “Sabes a Chocolate”, “Água de Limon”, “Reflexion”, “Rayo de Luna” e “Hold Me”. E não importava! Mesmo sem entender bulhufas de outros idiomas, afinal na década de 80 os cursos de línguas eram para poucos, as sedentas fãs consumiam tudo. No final do ano, “A Festa Vai Começar” foi lançado no Brasil. Mais dois hits em português: a faixa título e “Viva Bravo”. O disco tinha um rosto novo na capa: Raymond.

Ray, o loirinho com cara de anjo e olhos verdes, saía do grupo e dava a sua vaga para o menino, com então, 11 anos. Ele ainda testemunhou a efervescência das fãs brasileiras, embora muitas “viúvas” de Ray o ofendessem por ter substituído aquele que elas consideravam seu namorado.

Aqui, a concorrência era grande: Dominó – a versão nacional – e Tremendo – a argentina -, começavam a ganhar espaço.

Em 1986, a carreira do quinteto no Brasil começou a dar sinais claros de esgotamento. Lançaram um novo álbum em português, “Refrescante”, no entanto, nenhum hit pegou. Mas o Menudo, aquele original, já não tinha mais Roy – agora Sergio era parte do time. No começo de 1987, Robby e depois Charlie davam adeus ao grupo. Os novos integrantes não conquistaram o coração das brasileirinhas.

Aos poucos, o fenômeno, aquele com Ricky, Ray, Roy, Robby e Charlie, foi abandonado no fundo de alguma gaveta, em forma de recorte de revista e fotografia. Os broches se perderam e os vinis acabaram no final da fila da estante da sala.

Um nova tentativa em 1990, com “Os Últimos Heróis”, e uma passeada pelos programas de TV, incluindo o “Xou da Xuxa”, não surtiram efeito. Aqui, a moçada não queria mesmo saber deles.

Nos países da América Latina o grupo se manteve com relativo sucesso. Em 1997, ele passou a se chamar MDO, nome mais moderno que substituiu a denominação que alegrou meninas do mundo inteiro. Ao todo, 33 meninos passaram pelo grupo, que vendeu 20 milhões de discos em português, inglês, espanhol e italiano, além de invadir a Ásia. Hoje em dia, a MTV americana colocou no ar um reality show que busca novos integrantes para o grupo. Mas nada de requebrados e baladinhas. Nem faixas pelo corpo ou cabelos escovados. Lá, o lance é hip-hop e cara de mau. Saudade da inocência boba da década de 80 e das piruetas que só aqueles cinco sabiam fazer.

Saiba mais sobre eles:
http://www.menudomdo.com/
http://menudobrasil.com.br/
http://en.wikipedia.org/wiki/Menudo_(band)

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