Por Roberta Ribeiro para Trash 80´s

A forma como a mulher é retratada atualmente na TV brasileira nem sempre é das melhores. A maior parte dos programas que podem ser vistos tratam de assuntos como culinária e artesanato. Quando aparecem em outros programas, são o que a apresentadora da Rede Mulher, Isabel Vasconcellos, denominou de “deusas do corpo”, meramente ilustrativas.

O mais estranho é que na atualidade, 51% da força de trabalho do país é feminina, que atua principalmente durante o dia e que não encontra programação que convenha à noite!

Contudo, nem sempre as mulheres sofreram com suas imagens na TV. No começo da década de 80, a Rede Globo colocou no ar o TV Mulher, atração voltada para o público feminino, mas que não tinha apenas a fórmula culinária – ginástica – artes-manuais – fofocas.

Ancorado pelos jornalistas Ney Gonçalves Dias e Marília Gabriela, o TV Mulher inovou ao trazer quadros que falavam sobre diversos assuntos até então nunca explorados sob o foco feminino. Era o típico caso de programa que os homens deveriam assistir para entender um pouco melhor suas companheiras.

O time contava com a participação de Floriza Verucci, por exemplo, que discorria sobre questões de direito. Isso numa época em que o divórcio havia sido recentemente aprovado, e muitos maridos ainda viam em suas esposas animaizinhos de estimação, que podiam ser mimados, ou maltratados (e até mesmo espancados), sem problemas.

Outra que entrou para o “mundo da fama” nessa época foi Marta Suplicy. No quadro “Comportamento Sexual”, ela falava de sexo sem tabus, fato inédito até então na televisão do Brasil. Até mesmo o cartunista Henfil tinha um espaço na “TV Homem”, que ocupava um espaço capenga e deixava claro para quem o programa era feito.

Logicamente, esse é apenas um panorama geral do que foi o TV Mulher. O importante em lembrá-lo é perceber que ser mulher agora e nos anos 80 pode ter um outro significado, que não aquele impingido pelas já citadas “deusas do corpo”. É possível tratar as mulheres de igual para igual, respeitá-las em suas necessidades e perceber a realidade em que vivem. Para isso, basta ter um mínimo de vontade.

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