Por Roberta Ribeiro para Trash 80´s

Os desenhos animados talvez sejam o primeiro veículo pelo qual crianças passam a entender o conceito de “herói”. Aquela figura com poderes incríveis, que salva as pessoas comuns de enrascadas enormes, das quais elas não sairiam se não fossem eles. Exemplos a serem seguidos, com princípios a serem imitados e refletidos na vida real.

Nas manhãs da década de 80, um dos desenhos mais queridos das crianças eram os Super-Amigos. Passava no Xou da Xuxa e trazia personagens que já haviam ficado famosos em revistas em quadrinhos da editora americana DC Comics e, no Brasil, tornaram-se conhecidos pela editora Abril. Super-Homem, Mulher-Maravilha, Aquaman, Batman e Robin são os personagens centrais das aventuras, aqueles que nunca deixaram de estar no desenho em nenhuma fase. E foram várias, sete no total. Apesar do início nos anos 70 nos Estados Unidos, foi apenas na década de 80 que a atração chegou por aqui.

Na primeira fase, cada desenho tinha 45 minutos e os telespectadores foram apresentados à depois tão popular Sala da Justiça, com seus equipamentos modernos, onde os heróis podiam ver tudo o que acontecia no mundo. Na segunda fase, as histórias ficaram mais curtas, com apenas 20 minutos cada uma. Os Supergêmeos Zan e Zaina aparecem pela primeira vez e trazem consigo o macaquinho Gleek. E quem não brincou de gritar: “Supergêmeos, ativar!”? O sucesso foi tamanho que, na terceira fase, as personagens foram mantidas e só ganharam poderes extras.

Vilões de outras galáxias foram a grande novidade da quarta temporada dos Super Amigos. Cada personagem ganhou inimigos claros, que tumultuam o mundo e se unem para conquistá-lo. Assim Brainiac e Lex Luthor tentam a todo custo derrotar o Super-Homem, Cheetah quer acabar com a Mulher-Maravilha e Batman e Robin têm de encarar Charada e Espantalho. Entram personagens novos do lado do bem também, como Lanterna Verde, Flash e El Dorado. Na quinta fase, eles se unirão em duplas para combater o mal e as histórias vão se desenrolar em torno do que cada dupla faz num determinado enredo.

Por fim, a sexta e a sétima fase não têm palavras, apenas música de abertura e a introdução de heróis como Tempestade e Cyborg.

A luta pela justiça e pela paz na humanidade é sempre o mote dos roteiros e, naquela época, em que o politicamente correto ainda não imperava, o maniqueísmo, quer dizer, a luta do bem contra o mal, ambos irredutíveis, não era colocado em cheque. Trata-se de uma grande diferença, se considerarmos que hoje é difícil saber para quem se deve torcer em desenhos animados.

Diante dos heróis de outros tempos, como os Super Amigos, os atuais parecem bem menos definidos e charmosos. Além de salvar o mundo, ainda tentavam mostrar o que era o certo a se fazer. Mais que animações, os heróis como Super-Homem e Mulher-Maravilha eram bons exemplos, ao contrário de grande parte do que se vê hoje, quando a violência e a disputa para ser o melhor se sobrepõem a quaisquer outros valores. Resta saber o que será do futuro com heróis assim.

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